24 de nov de 2008

O ar nonchalance dos existencialistas sem causa (ou: mais um filme com Louis Garrel)

Começou na sexta passada, e vai até esta quinta, o mini Festival Varilux de Cinema Francês no cine Belas Artes/SP (o 'banco patrocinador' que me perdoe mas não consigo chamar este cinema por outro nome!), o filme mais aguardado na estréia da mostra ficou retido em Curitiba e não chegou a tempo de abrir a sessão, decepção geral e revolta do 'mundinho' já que se tratava de "La Belle Personne/A Bela Junie" nova direção de Christophe Honoré com o seu 'alter ego' Louis Garrel (que participa também do comentado "Atrizes" dirigido por Valeria Bruni, sim a irmã francesa 'menos famosa'!). Compreensível a revolta tratando-se do moço!

Hoje, segunda, o filme foi programado em duas sessões não tão concorridas assim, e não 'causou' decepcionando um pouco quem está acostumado com o 'cinema vintage' de Honoré. Estão lá todos os seus maneirismos que lhe são caros: o amor não correspondido, o rompante trágico, a 'novellevaguice', os triângulos amorosos heteros e gays, a 'truffausice', o pedantismo literário, a narrativa musical, etc...
Faltou apenas charme. E um pouco de carisma também.

Toda a história gira em torno da menina do título a 'belle'
Junie (Léa Seydoux) e se baseia num romance francês do século 17, não sei se a 'parte gay' da história é do romance original ou faz parte do 'pacote Honoré' na adaptação para os nossos dias. Caso seja, é a melhor parte do filme, menos explícito que "Les Chansons D'Amour/Canções de Amor", quebrando um pouco aquele ar 'nonchalance' de toda aquela molecada 'fazendo os existencialistas sem causa'.

O 'jovem werther' da vez é o 'beau bretão' de "Canções de Amor" Grégoire Leprince-Ringuet (acima com a 'bonita') interpretando Otto, também apaixonado pela mocinha blasé. O lance é acreditar naquela molecada na escola (o filme se passa praticamente todo dentro de um colégio tradicional) desinteressada nas aulas de matemática, inglês, russo (!) e italiano (!!!).
O doce Garrel faz um professor de italiano risível e inverossímel (who cares?) que dá aulas estimulando os alunos com audições de Maria Callas e 'interpretação do texto' da ária da loucura trágica/patética da ópera "Lucia de Lammermoor" (
"Il dolce suono me colpi")! Não é a toa que os alunos mooooorrem de tédio, eles não entendem a analogia... e a platéia 'aussi'.

Honoré é ótimo quando dispõe de ótimos atores para credenciar os 'fiapos estilísticos' do seu roteiro, não é o caso deste filme. Mas foi o caso da sua trilogia: "Ma Mere", "Dans Paris" e "Les Chansons D'Amour".
Em breve entrará em circuito comercial e se for para escolher assistir Garrel entre este ou "A Fronteira da Alvorada", do seu pai Phillipe Garrel, corra para este "A Bela Junie" 's'il vous plaît'.

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