18 de nov de 2008

O 'Bond' da Ópera!

Com um certo atraso assisti ao novo 007 "Quantum of Solace" dirigido pelo alemão Marc Forster, o mesmo diretor do chato e esquemático "O Caçador de Pipas". Bem, já se disse que esta continuação de "Cassino Royale" não tem a famosa frase "My Name is Bond. James Bond" e também não tem fulgurosas cenas de sexo com 'bond girls', sabemos também que o 'über' Daniel Craig foi vestido pelo fashionista Tom Ford e que o vilão francês é interpretado pelo excelente Mathieu Amalric ("O Escafandro e a Borboleta").

O que eu não sabia é que a montagem da ópera "Tosca" de Puccini (se você é um 'neófito lírico' pronuncia-se 'tÓsca', com o 'ó' aberto e agudo) encenada no Festival de Bregenz/Áustria (foto acima, alguns personagens saem da Bolívia num jatinho direto para assistir a ópera na Áustria !!!) faz parte do enredo quando os vilões tramam um 'golpe continental'. Não é surpresa nenhuma personagens indo à ópera enquanto desenrolam suas ações como pano de fundo, surpreendente é mesmo esta montagem acachapante dirigida por Philipp Himmelmann (tenho o dvd importado com extras sobre a montagem do cenário, incrível!), e terem escolhido justo a obra de Puccini exatamente quando neste ano comemoram-se os 150 anos do nascimento do compositor. Para dizer a verdade dúvido mesmo que algum roteirista tenha se dado conta disto uns dois anos atrás quando escreveram o enredo do filme, faz mais sentido pensar que o enredo de Tosca cai como uma luva para esse Bond mais passional que nos outros filmes.

Tenho uma dificuldade enorme em entender esses enredos intrincados de filmes de ação, embora posso falar de Tosca sem engasgar, penso trinta vezes antes de resumir "Quantum..." ou qualquer coisa do gênero de ação - que eu adoro por sinal - como por exemplo todos os "Bourne's" ou ficção - que eu detesto, sorry - como as infindáveis 'jornadas ou guerras' em qualquer que seja as 'estrelas', todas estão fora do meu cardápio cinematográfico!
Mesmo não me lembrando de muita coisa de "Cassino...", entendi a angústia e a sede de vingança de Bond só depois da cena da ópera, pode ser que para quem não tenha referência nenhuma isso seja apenas uma 'viadagem' para filmar pancadaria de um outro ângulo.

Pois "Quantum of Solace" para mim já é um clássico de ação, guardarei na memória essa cena de "Tosca" assim como guardo as do 'shakespeariano' Francis Ford Coppola que popularizou a cavalgada das Valquírias (III ato da ópera "A Valquíria" de Wagner), em "Apocalipse Now" num coreográfico ataque de helicópteros ou do mesmo Coppola na já clássica 'homenagem' ao russo Sergei Eisenstein na cena da escadaria de Odessa em "O Poderoso Chefão 3", em que num tiroteio entre mafiosos nas escadarias de um teatro após assistirem "Cavalleria Rusticanna" de Mascagni, morre Maria a filha de Michael Corleone (onde Al Paccino reage com seu 'operístico grito mudo').
Menos 'profundo' e bem divertido é a versão pop do 'maneirista' Luc Besson para "Lucia de Lammermoor" (ópera de Donizetti) em "O Quinto Elemento" em que a cantora é uma 'coisa com tentáculos azuis' que gorgeia a ária da loucura de Lucia numa versão 'techno-dance', enquanto a pancadaria corre solta (os puristas líricos se arrepiaram quando o filme foi lançado!), no excelente "O Talentoso Ripley" o personagem Ripley, interpretado por Matt Damon, sente uma atração (sexual também) doentia pelo amigo Dickie (Jude Law) que acaba matando. Na minha interpretação esse plano ficou em sua cabeça depois de uma ida dos 'amigos' à ópera para assistir "Eugene Onegin" do russo Tchaikovsky sobre dois amigos que se amam (no sentido 'amigo' mas também homoerótico, lembrando também que o compositor era um dos mais enrustidos entre os seus pares, apaixonado pelo sobrinho compôs a ópera como uma 'saída do armário'!) e acabam duelando até que um mata o outro.

Tenho dezenas de exemplos e lembranças que posso falar depois numa mesa de bar, mas sobre o que eu estava falando mesmo? Ah, o novo filme do James Bond... hummm tem uma cena de ópera né?

2 comentários:

Sandra disse...

Um filme que tem uma trilha sonora linda é 2001, uma Odisséia no Espaço. Tudo bem que, apesar de fugir do gênero Guerra e Jornada, está longe de ser um filme de ação. Aliás, é paradíssimo. Aliás, eu quase torci para o computador, porque era mais humano que os astronautas.

viralata disse...

Adoro Kubrick! Esse filme é muito mais do que ficção, e realmente Sandra essa trilha é incrível mesmo!
Bjao
;)