30 de nov de 2008

Que se desnude! (ou: simplesmente "Pan y Toros")

Já estou de volta do meu proveitoso fim de semana no Chile. Como disse foi uma mistura de trampo, contato e lazer como quase todas as viagens que faço. Sobre o trampo e os contatos poupo vocês por enquanto, já que recolherei estes 'frutos' apenas em 2010! Devo confessar que a minha agenda para 2009 também já está fechada faz tempo e oxalá tenha saúde e criatividade para desenvolver todos os espetáculos que me esperam.

O Mestre Emílio Sagi

Agora, o lazer. Assisti a estréia da Ópera Zarzuela "Pan y Toros" no Teatro Municipal de Santiago dirigida pelo 'über' encenador Emilio Sagi (ao lado), bastante conhecido na Europa e também diretor do Teatro Nacional de Bilbao. Muito do que vi em cena é o mais puro teatro de prosa misturado com o canto lírico, gênero aliás 'capital' nas zarzuelas que são tão populares na Espanha e demais países ibero-americanos, exceto talvez no Brasil. Sagi tem um bom gosto incrível na encenação, sem contar a desenvoltura cênica em distribuir no palco balé, coro e solistas de forma tão elegante e engenhosa nunca cansando nossos olhares. A cena de abertura com Goya pintando "Saturno comendo seus Filhos" numa grande tela de filó que cobre toda a boca de cena é impactante, assim como também a graciosidade coreográfica do coro feminino no II Ato. Trabalho de mestre!

"Pan y Toros" se passa na época de Carlos IV tendo em cena o pintor Goya com suas pinturas como 'coadjuvante' da ópera, misturando personagens fictícios e outros reais que fazem jus ao trocadilho que dá título a obra, vindo da expressão "Panis et Circenses", o que o povo realmente quer é "pão e circo", não importa o pano de fundo político recheado pela influência imperial.
E tivemos 'pão' da melhor qualidade, sobretudo pela presença poderosa da maior cantora espanhola do gênero, a imbatível Milagros Martín que encontrou em Mariela Cantarero parceira ideal em cena para dividir os aplausos da noite.

Pão e Circo numa cantina

Ao final me juntei à trupe para celebrar a estréia com um jantar numa cantina; amigos se vocês já cruzaram em restaurantes com grupos de teatro comemorando estréias ou final de temporadas não fazem idéia do que é o encontro de um grupo de cantores de ópera num restaurante! Cada um cantava trechos de alguma música (quase sempre lírica) e aos brados e brindes 'exigiam' que o próximo se manifestasse (sempre aos gritos de: "que se desnude!"), daí vem a hilária Mariela Cantarero com uma versão da camponesa Heidi (lembram-se?) em japonês (!!!), fui as lágrimas de tanto que ri. Como a coisa quase descambava para uma disputa de apupos entre os seus pares, a Diva Milagros Martín não se fez de rogada ao ouvir seu nome sendo gritado e despida da modéstia começou cantando uma música no mais autêntico estilo 'sangre rojo', as batidas nas mesas aumentaram ela subiu na cadeira, todo o restaurante delirava daí ela levanta o vestido e sobe, literalmente, na mesa, tendo copos, talheres e pratos afastados imediatamente e termina a canção num veredadeiro 'olé' espanhol!
Nem preciso dizer que 'arrasou' com todos os concorrentes seguintes que por um tempo se contentaram em rir, beber e comer. Me lembrei de Fellini em "E La Nave Vá" com a sua trupe de artistas, afinal nós artistas somos 'clowns' de nós mesmos sempre dando 'pão e circo' não importa para quem e muito menos onde. Afinal que profissão você conhece que se contenta com aplausos?

Caso você vá ao Chile não se perca, o Teatro Municipal de Santiago fica na rua ao lado do Bar Restaurant...

..."La Pica de Clinton"! Anotou?

Publicado simultaneamente no "Viralata Reloaded"

4 comentários:

Pedrita disse...

que inveja boa, tenho muita vontade de conhecer o chile. e fiquei com vontade de ver essa ópera. eu estou ainda em compasso de espera para 2009. beijos, pedrita

viralata disse...

E o ano voou mesmo! bj amor!
e "que se desnude!" kkkk
;P

Sandra disse...

Puxa... Eu pagaria ingresso para assistir à celebração de vocês!

viralata disse...

Sandra, realmente foi tão divertido qto a ópera (ou até mesmo mais!)kkkk
Bjao