27 de dez de 2008

Gaza, o ataque previsível

A desgraça previsível que foi o ataque a faixa de Gaza chega como uma 'cobrança' para que não nos esqueçamos que o cristianismo tem um 'RG' indissociável dos massacres e destruição milenares na região... deuses até quando? (photo by: Nasser Shiyoukhi/AP)

Abaixo trecho do excelente Blog "Diário do Oriente Médio" de Gustavo Chacra, que acompanho diariamente e está linkado por aqui, Gustavo é correspondente do Estadão na região mais instável do planeta:

- "(...) A operação israelense não foi uma surpresa. Especula-se que alguns países árabes, como o Egito, tenham dado luz verde para Israel atacar o Hamas.

O que não está claro é o risco de ser aberta uma nova frente na fronteira norte de Israel com o Líbano. Nesta semana, o Exército libanês desmantelou oito mísseis do Hezbollah que estavam prontos para serem disparados contra o território israelense. O episódio pode indicar, primeiro, que a organização xiita está preparada para uma nova guerra contra os israelenses. Segundo, que o Exército libanês quis mostrar que tem atuado para desarmar o Hezbollah. Dessa forma, Israel teria dificuldades de acusar o governo libanês de não agir para impedir ataques do Hezbollah (...)"

Leia aqui a continuação do post "Guerra contra o Hamas é fácil; risco seria o Hezbollah abrir nova frente no Líbano"

Entrando no Blog do Gustavo, você pode ler também o post do dia 20/12: "As conflituosas identidades nacionalistas, religiosas e étnicas no Oriente Médio" para entender direitinho alguns dos motivos de tantos conflitos insolúves:

- "(...) Os conflitos na região envolvem estas identidades, como é o caso da disputa israelo-palestina. Os palestinos são os árabes não-israelenses que são descendentes ou nasceram no que hoje é Israel, Cisjordânia e faixa de Gaza. Eles podem ser cristãos (em geral ortodoxos), muçulmanos (quase todos sunitas) e drusos. Logo, ser palestino implica ser etnicamente árabe, mas não necessariamente muçulmano. Muitos líderes palestinos são cristãos (...)"

25 de dez de 2008

E 2009 será melhor ainda pra mim!

E 2009 será bem melhor pra mim!
O ano já começa com o evento “França no Brasil”, um ano de atrações espalhadas por todo o Brasil dedicadas a cultura francesa. A programação mais aguardada (pelos franceses, evidente) é o XIII Festival Amazonas de Ópera, inteirinho dedicado as óperas francesas, dentre os diretores estrangeiros que trabalharei na iluminação estão Emilio Sagi em “Sansão e Dalila” e Frédèrique Lombart em “Le Cid”, o outro diretor é brasileiro com quem eu já fiz muitas coisas lindas, meu amigo William Pereira em “O Diálogo das Carmelitas”.

A minha direção deste ano no FAO é a encenação, pela primeira vez no Brasil, de “Les Troyens/Os Troianos”, em breve anteciparei as idéias e croquis que venho desenvolvendo há pelo menos 6 meses de estudos (inclusive módulos intensivos do idioma na Aliança Francesa!), e depois dizem que artista é folgado e preguiçoso, tst, tst, tst...


Minha estréia na direção pela Cia. de Ópera Seca, de Gerald Thomas, será com um texto de Stoppard, o ano promete!

Outra novidade para o novo ano, será a minha volta à direção teatral com um texto de Tom Stoppard, trata-se de “Travesties”, peça teatral escrita nos anos 70 em que ‘promove um encontro fictício’ entre personagens reais e outros do romance de Oscar Wilde (direto de “A Importância de Ser Prudente”); é 1917 em Zurique e acompanhamos numa biblioteca o embate sobre a Arte e o papel do Artista com diversas ações políticas como pano de fundo. Os personagens reais são James Joyce (antes da fama por “Ulisses”, ainda em estado embrionário), Lênin (no ano da Revolução de 17), Henry Carr (um ator mediano que trabalhava na embaixada da Inglaterra em Zurique) e Tristan Tzara (o ‘pai’ do Dadaísmo).

Esta montagem trará também uma novidade, esta é a primeira vez que a Cia. de Ópera Seca será dirigida por outro diretor que não seja Gerald Thomas! Será uma primeira experiência para projetos futuros, já que temos (Eu e GT) afinidades artísticas e pessoais, por enquanto contarei com os atores Fabiana Gugli e Marco Antonio Pâmio (também tradutor) e pretendo ter Luiz Damasceno, ‘primeiro ator’ da Cia em outros tempos e que é sempre bem vindo.
A produção será da “Vlaanderen”, primeira vez com peças de teatro, da minha amiga e agente ‘belga’ Flávia Furtado, que junto comigo comprou os direitos da peça e participou de uma reunião ‘a jato’ com o próprio Stoppard no aeroporto de Cumbica num intervalo entre conexões logo após a sua participação no Flip deste ano. Aliás este encontro merecerá um post novo, aguardem, volto ao tema.

Ampliando minha ‘conexão internacional’ trabalharei novamente com Gerald que dirigirá uma ópera baseada na vida dos Hemingway’s, trata-se de uma adaptação do livro de memórias “Strange Tribe” escrito por John Hemingway, o neto, e que ainda estamos no tratamento do libreto e concepção musical. Os contatos para Salzburg, Amsterdã e workshops de todo o processo no Brasil já estão mais do que agendados.
Aguardem, este projeto é realmente muito especial!
...

Leia no "Viralata Reloaded" o post: "O céu que me protege em Atibaia":
"- Para quem estava acostumado com a esquina da rua da Consolação com a Nestor Pestana, a coisa mais impressionante é poder dormir no silêncio... quer dizer, existem uns barulhos estranhos de bichos que não consigo identificar. Mas é beeem melhor que o 'centro expandido'(...)"

Foi bom pra mim

Eu e Roger Waters no palco do Teatro Amazonas durante os ensaios de "Ça Ira", barricada de 'tapadeiras' foram montadas no proscênio para trabalharmos longe dos 'paparazzis' europeus e brasileiros que queriam a todo custo registrar cenas do espetáculo antes da estréia.

O primeiro semestre de 2008 foi realmente incrível e próspero para mim. As óperas que trabalhei no Festival Amazonas de Ópera ainda me trazem bons frutos e reconhecimento profissional, além, claro de excelentes críticas no Brasil e principalmente no exterior (Itália, França e Alemanha).
Tive o privilégio de trabalhar com Roger Waters (fundador do Pink Floyd), dirigi e iluminei sua única ópera, “Ça Ira”, e montada na íntegra no FAO, sem cortes e com revisão do próprio Waters. O espetáculo repercutiu mundialmente e só não foi melhor por quê promessas não foram cumpridas pela produtora associada em São Paulo. Mas fiz o meu melhor e fiquei muito orgulhoso do resultado de toda a minha equipe.

Minha direção 'rock'n roll' para "Ariadne auf Naxos" em Manaus, muitos elogios pela crítica européia

Outra parceria com o maestro Luiz Fernando Malheiro foi a minha direção e iluminação para “Ariadne auf Naxos”, infelizmente apenas em Manaus já que a co-produção prometida, alardeada e divulgada com o Municipal de S.Paulo não aconteceu. Muito já falei e foi debatido por aqui entre réplicas e tréplicas, ainda não digeri esta frustração que me trouxe tantas alegrias e foi muito elogiada na Europa, ganhei inclusive, além da crítica, uma página e meia de entrevista exclusiva na revista alemã especializada em ópera “Der Neue Merker”!




De cima para baixo, GT e Olinto em "Bate Man" e uma cena do espetáculo. Abaixo: GT, Pancho e uma cena de "O Cão que Insultava Mulheres"

Falando em parceria, voltei de forma meio ‘torta’, a trabalhar com Gerald Thomas nos seus dois últimos espetáculos no Brasil. Com a Cia. de Ópera Seca, que já fui integrante por alguns anos, assinei a luz de “Kepler Ou O Cão Que Insultava Mulheres”, experiência dramatúrgica ‘online’ à partir de internautas que ‘dialogam’ com Gerald em seu Blog.
Outro espetáculo foi “Bate Man, ou Bait Man”, no SESC Copacabana/RJ, monólogo para Marcelo Olinto comemorar os 20 anos da Cia dos Atores, Gerald foi convidado a escrever e dirigir um texto inédito e me chamou para iluminar, chamado prontamente atendido com muito amor e carinho.

Foi bom pra você? (ou: 2008 foi assim)


Sigam as minhas ‘editorias’ retrospectivas de mais um ano que se encerra. É isso aí ‘goodfellas’, escapamos.
Namasté e Saravá para todos!
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POLÍTICA NACIONAL

Investigações sobre corrupção passiva, ativa, ‘versátil’ , peculato, favorecimento, etc, etc... atingem mais uma vez gente bem próxima do Palácio do Planalto. Uns saíram “para deixar as investigações mais transparentes”, outros foram esquecidos mesmo. Do estardalhaço todo restou o ‘anti-herói’ com nome de protagonista de saga grega: Protógenes

POLÍTICA INTERNACIONAL

A crise americana ofuscou um pouco a vitória de Barack -Yes, we can’t – Obama, mas não conseguiu derrotar a esperança de dias melhores que praticamente o mundo inteiro está aguardando com o resultado desta eleição histórica.

CIDADES

Santa Catarina viveu seus dias de ‘santa katrina’, destruída também pelas intempéries climáticas, o estrago foi maior somadas as irresponsabilidades governamentais de todas as esferas por falta de investimentos básicos e prevenção.

CULTURA

Gil saiu, viva Gil! Embora seu sucessor seja o seu braço direito no Ministério da Cultura (e quem realmente ‘ministeriava’), esperamos que pelo menos tenhamos um ministro despachando em sua sala e não em tourné mundial. Para ser franco, duvido que algo mude para melhor, já desisti há muito de termos uma ‘política cultural’ sem resquícios de ‘antropologia da cota’ que este governo transforma tudo o que toca.


ESPORTES

Meu time, São Paulo, foi hexa-campeão num campeonato praticamente perdido na sua primeira metade, ‘virou o jogo’ nos pontos corridos graças a sua disciplina, organização e claro: Muricy Ramalho. Se bem que a incompetência dos times adversários ajudou bastante e isso não foi um mero detalhe.

A subida do Corinthians depois do ‘castigo’ do rebaixamento e a espetacular contratação do Fenômeno Ronaldo praticamente eclipsou todas as notícias de final de ano em toda e qualquer editoria. Como bem disse algum dirigente: “ele foi contratado para se recuperar e não para jogar”. Sei, e quem ‘recuperará’ o time? Duvido muito que o retorno que o São Paulo teve com o Imperador Adriano no primeiro semestre possa se repetir no ‘coringão’, mas isso é assunto para a ‘retrospectiva-09’.

Ah, ia me esquecendo dos meus amigos cariocas, que coisa o rebaixamento do Vasco hein?!

TECNOLOGIA

O IPhone chegou e já está disponível nas três principais operadoras do País com preços e planos exorbitantes, desanimando um pouco os consumidores ‘da cota’. O crescente número de modens para laptops e a ‘popularização’ da tecnologia 3G em celulares mais modernos é a nova ‘febre online’ que não deixará absolutamente ninguém indiferente... e fora do ar.

ECONOMIA
O acontecimento do ano foi o ‘crash’ financeiro que abalou primeiro a economia americana e de uma forma avassaladora foi tomando conta da Europa com estilhaços espalhados pelo Brasil.

CELEBRIDADES

A ‘editoria’ que bateu de longe todas as anteriores! O Fenômeno Ronaldo absolutamente drogado, dá o seu carro e carta de motorista para um travesti comprar pó no morro enquanto apronta em um motel com outros dois, é simplesmente o ‘bafo’ de qualquer ano!

Perto deste ‘evento’ do Fenômeno a morte do ‘ex-gigolô’ Marcelo Silva foi patética e ‘mal ensaiada’! Vamos combinar que comprar pó (faz parte de qualquer roteiro, perceberam?) de amigos policiais, cheirar a noite inteira com a ‘atual gostosa’ praticamente numa crise de narcolepsia (digo, sempre dormindo!) e num momento “rebobine por favor” reencenar “Clube da Luta”, dando socos e lutando consigo próprio até a morte foi meio over (dose!) não é mesmo?!

Bom, ainda teve Madonna cinquentona de volta ao Brasil quinze anos depois, mais forte, mais rica, mais poderosa do que nunca e ainda ‘atendendo’ o pós-adolescente Jesus Luz!!!!

Waall que ano!!!

24 de dez de 2008

Ele voltou!

Amigos mais um Natal que chega, como no anterior, eu desejo novamente a todos vocês um 'Bom Gyllenhaal' e que ele venha com muita força, dinheiro, beleza, amor e SAÚDE!!!!
Quer mais?!
Paz e Amor.
Caetano Vilela

23 de dez de 2008

Menino Jesus


Só para não perder a piada-trocadilho de fim de ano, neste Natal faça como a Madonna comemore o 'aparecimento' do menino JESUS com muita LUZ!!!!

Game Over!

Fim do Show no domingo, encerramento da tourné mundial em São Paulo, nem a chuva torrencial ou o Dj Oakenfold (pobre, pobre, pobre!) abalou o público messiânico

É meus amigos, sobrevivi a 'febre Madonna'! Quinze anos atrás eu trabalhei como monitor (indicava os portões do lado de fora para os 'perdidos') no Estádio do Morumbi, sob um sol escaldante que me rendeu um desmaio, resultando numa insolação. Fui parar no ambulatório de emergência, o médico perguntou se alguém poderia me levar pra casa, eu disse que sim que iria chamar um amigo e logo voltaria para ele me dar alta... evidente que fugi para assistir ao show!
Trabalhei umas 6 horas de graça unica e exclusivamente para assistir ao show e não era uma insolação que me derrubaria, bem, devo confessar que fiquei beeemmm mal nos dias seguintes, mas para fãs tudo vale a pena.

Desta vez não, ganhei do meu amigo Miguel as entradas para assistir a 'madrinha' no sábado e domingo na arquibancada azul (escolha minha, já que é onde fico como 'sócio-torcedor' nos jogos do SPFC) e digo: FOI LINDO!
A maioria das coisas que li sobre o show sempre há uma ressalva dos jornalistas dizendo: "não sou fã da Madonna, mas...", bom, como não é o meu caso dou então a minha versão.

Para não dizer que sou 'cego-surdo-mudo' a qualquer coisa que a Madonna faça, já vou dizendo que simplesmente não tenho mais saco para o 'bloco gipsy' que se faz presente em absolutamente todo show da diva. Juro que não suporto mais NENHUMA versão de "La Isla Bonita", me dá náusea. Outra coisa 'estranha' para dizer o mínimo é a 'pegada rock' de alguns arranjos com a 'über' tocando guitarra (toscamente!), se "Bordeline" funcionou e deu um 'fresh' na canção não se pode dizer o mesmo com "Hung Up", afinal o single do álbum "Confessions on a Dance Floor" era uma volta aos 70's e vamos combinar que aquele 'punch' mais seco foi bem um anti-climax.
Outra coisa que não funcionou mesmo foram os figurinos, principalmente dos bailarinos. A base preta e sóbria, praticamente na maioria das peças ficou praticamente 'camuflado' no gigantesco palco. Pode ser que no lançamento em dvd fique incrível, mas num palco daquele tamanho e num estádio imenso... não rolou mesmo. Saudades de Gaultier!

Agora incrível mesmo foram aquelas duas cortina de led, de formato circular, descendo no começo da passarela onde ela cantou em cima de um piano "Devil Wouldn't Recognize You" (acima) coberta por efeitos de chuvas, raios e trovões, depois numa versão repaginada em "Like a Prayer" ela é 'queimada' pelos leds num belíssimo efeito de fogo. Ok, o U2 já usava as tais cortinas no último show deles que também vimos por aqui no Morumbi, mas em "Sticky..." eles eram pontuais e muito bem utilizados. E o que era aquele palco com esteiras rolantes, elevadores e 'quarteladas eletrificadas' para deslizar toda e qualquer efeito de mídia?! Juro que ainda terei um para 'brincar' em algum espetáculo, é o sonho de consumo de qualquer encenador.
A complexidade dos efeitos tecnológicos só é superada pelo show virtual da banda "Gorillaz", de resto a sincronia no 'dueto' com Justin Timberlake em "4 Minutes", novamente com leds, desta vez em totens que se movem coreograficamente é de tirar o fôlego. E tudo deu certo e se repetiu absolutamente igual tanto no sábado quanto no domingo, acredito que na quinta também. Não basta ser 'rainha' têm de ensaiar, ensaiar...

No domingo ela se despediu do Brasil dizendo nos amar e que não demoraria mais 15 anos para voltar. Espero realmente que não, mesmo tendo a certeza que um show deste tamanho e com tamanha complexidade e energia física dificilmente se repetirá.
Volte sempre 'candy'!

A nuvem que avançou tal qual o 'gigante Adamastor', de Camões, e desabou numa torrencial tempestade obrigou o Morumbi a acender mais cedo a sua iluminação

17 de dez de 2008

A porta da rua é serventia da casa

Direto do "Uol Notícias/Fotos", propaganda de incentivo aos imigrantes ilegais na Espanha (o cartaz está num metro em Madri) que queiram 'gentilmente' deixar o País.

Sempre tenho um embrulho no estômago quando vejo este tipo de ação. Embora não exista muros físicos (Palestina ou EUA os têm por exemplo sem obter muito sucesso) que barrem suas fronteiras aos estrangeiros a Espanha é extremamente rigorosa e antipática com os imigrantes, a clara noção de que o país é um 'oásis latino' de oportunidades está se desfazendo mês a mês com os altos índices de desemprego e inchaço no sistema previdenciário espanhol.

O quê fazer? Ora, agilizar os processos de deportação e ao mesmo tempo com uma campanha politicamente correta pedir para que os 'sangue-suga' se mudem.
Anúncios de 'precisa-se' cobriram os jornais espanhóis logo após o terrível atentado terrorista a um metrô em Madri, mais uma vez gente qualificada de outras plagas misturada a mão-de-obra barata dos peões do leste europeu se juntaram para fazer o 'serviço sujo'.

Com um 'outdoor' deste espalhado pelas imediações da Casa Branca (EUA) talvez seria menos constrangedor para qualquer presidente americano montar sua equipe, sempre haveria a sombra do "nós avisamos e estamos fazendo o possível" pelas cercanias.
Gente importante dos governos Clinton (Zoe Bird, Procuradora Geral) e Bush (Linda Chavez, candidata a Pasta do Trabalho) tiveram uns 'probleminhas' quando veio a tona os 'domésticos ilegais' que prestavam serviços em vossas casas. Coisa pequena perto das babás dominicanas dos astros pops, encanadores cubanos de toda Miami, garçons brasileiros de meia NY, etc, etc, etc...
...

Leia no "Viralata Reloaded" o post: "A Dissimulação Socialista (ou: O Pecado Capital):
- Aquele eterno 'problema' getulista que amarrou todo o sistema trabalhista como um relógio atado numa bomba prestes a explodir em alguma década. E vamos combinar que com a soma de toda crise mundial este 'tic-tac' está cada vez mais 'alto e presente'...

13 de dez de 2008

O Ator, o Diretor, o Autor e o entendimento sobre o Tempo

"Decantar o vinho, como pode o teatro, enfim... É tempo, tempo entendeu, é o tempo que o teatro tem que ter, teatro não, uma câmara de tortura. Precisa de tempo, tempo.
Teatro e tortura, amizade e literatura e um bom vinho precisam de TEMPO.
(Gerald Thomas/"Bait Man")

Marcelo Olinto sob a minha luz, dirigido por Gerald Thomas e fotografado por Daniela Visco no Sesc Copacabana

Faltou tempo! A citação acima vem do novo espetáculo dirigido e concebido por Gerald Thomas para Marcelo Olinto. Todos concordam que faltou tempo para que o espetáculo ficasse melhor... poucos dos envolvidos nesta produção concordam que faltou tempo para 'decantar' deste evento uma nova 'amizade'.
Trabalho com Gerald há uns 10 anos, nos separamos por um tempo para eu cuidar da minha carreira e nos aproximamos quando nossas agendas permitem. A vida dele sempre foi uma loucura inter-continental, sua cabeça sempre esteve em, no mínimo, três países ou cinco cidades ou duas culturas, dez projetos, ou, ou, ou...

Acredito na empatia entre criadores, ator e diretor num processo tão autoral precisam 'estar siameses' em fase de produção de um novo espetáculo. Depois de mais ou menos 3 semanas de ensaios cheguei ao Rio e após assistir um ensaio sem saber de absolutamente nada identifiquei alguns pontos frágeis sobre o entendimento que o ator tinha do autor. Note bem, eu disse "DO AUTOR" e não do espetáculo (embora houvesse sim alguns pontos também, mas não é o caso).

Gerald é o autor dele mesmo e ninguém pode acusá-lo de repetir sempre o mesmo discurso, seu tema é e sempre foi o DILACERAMENTO que qualquer guerra provoca nas relações, para isso abusa do jogo teatral, do corpo do ator que precisa ser um comediante disciplinado para 'decantar' e 'autorar' toda verborragia (nisso sempre preferi Damasceno à Bete Coelho) contida nas múltiplas camadas de entendimento. Kantor era assim também, todo o seu teatro era o reflexo do pós-guerra e seus atores marionetes deste 'campo militar', todo o Living Theatre também e a primeira fase de Pina Bausch... é sempre a guerra e a contradição da guerra e a guerra e a contradição da...

Se não se entende isso para trabalhar com um diretor assim o ator é fisgado (Bait Man!?) pela traição da falsa verdade, do falso entendimento. O público pode sair do teatro com centenas de peças soltas e montar seu quebra-cabeça na pizzaria ou no seu travesseiro, já o ator não!
O ator não pode dar pistas equivocadas do entendimento que o 'autor-diretor' criou (Marienplatz 1933 sempre será o início da ascensão e nunca uma garrafa de vinho raro!), muito menos subestimear a capacidade que este mesmo autor tem em criar armadilhas que coloquem em xeque este entendimento.

Concordo com Gerald, o ofício do ator faz muito mais sentido semânticamente em inglês (to play) do que em português (representar) ou francês* (repetition) e não quero dizer com tudo isso que o que apresentamos ontem a noite no Sesc Copacabana seja ruim ou mal realizado e que Marcelo Olinto esteja bem ou mal. Voltando a citação inicial acho que o que melhor define o estado que saímos do teatro hoje é um fragmento de uma canção de Renato Russo, quando diz: "(...) agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou..."
...

*
Abaixo comentário do Zeca sobre o 'ofício do ator' em francês. Mérci querido, mantenho então o texto ressaltando que me referia ao processo de ensaios mais do que o espetáculo pronto.

-"Oi, Caetano, adoro o seu blog. BRAVO! Soh uma coisinha sobre o TO PLAY. Em francês o ator tb "joga". JOUER é encenar, representar. Fala-se muito do JEU do ator. REPETITION nao é representar, mas ensaio (do verbo REPETER, entre outras coisas, ensaiar). Bjs Zeca"

12 de dez de 2008

O Homem que virou Isca no Rio de Janeiro

Mal terminaram as óperas no Teatro S.Pedro/SP no domingo passado eu já embarquei para o Rio de Janeiro, na segunda, para outra parceria na iluminação (de última hora, mas sempre em boa hora!) com Gerald Thomas. Falo sobre "Bate Man" (ou "Bait Man") escrito e dirigido por GT na forma de um monólogo para Marcelo Olinto (acima num ensaio, fotografado por mim) defender no evento-efeméride "Auto Peças", comemoração dos 20 anos da Cia. dos Atores no Sesc Copacabana.

Mais, depois falo! Enquanto isso o próprio GT dá uma idéia do que aguarda o público carioca, leiam aqui. Estou curioso para sentir as reações, pena que volto para SP neste domingo.
...

Se joga:
"Bate Man", concepção/direção Gerald Thomas, monólogo com Marcelo Olinto
Sesc Copacabana/RJ
12 a 21 de dezembro (quinta a sábado 21h/domingo 19h30)

6 de dez de 2008

"Dido e Enéas": O melhor espetáculo que vi no ano!

É isso, simplesmente o melhor espetáculo que vi no ano!
"Dido e Enéas", dirigido por Antônio Araújo com o seu grupo "Teatro da Vertigem" nos galpões da Central Técnica de Produção Chico Giacchieri, do Teatro Municipal de S.Paulo, foram responsáveis por um daqueles eventos que não sairá tão cedo da memória de quem assistiu. Este 'poder' Tô (como é conhecido carinhosamente pela classe) transborda de sobra, foi assim quando vi "Paraíso Perdido" numa Igreja ou "O Livro de Jô" num Hospital (aliás assisti cinco vezes!), e é assim também neste galpão que será transformado em armazenamento de cenários do Municipal. Tudo foi construído para ser um evento e graças aos deuses do teatro voltou ao cartaz somente neste final de semana, eu repito é IMPERDÍVEL!

É imperdível não só pela natureza da celebração, afinal é de se louvar que o Municipal de S.Paulo possa ter um espaço para armazenar toda a sua produção de cenários e figurinos, no mundo todo grandes casas de ópera investem milhões nestes depósitos, milhões aliás que são recuperados quando se remonta ou se alugam as produções armazenadas.
É imperdível também pela qualidade artística apresentada que soma brilhantemente tudo o que nós, público e artistas, gostaríamos sempre de ver pelos palcos: excelência musical, cênica e técnica.
Que bom que neste ano São Paulo pode 'estrear' dois diretores que nunca haviam trabalhado com ópera antes, Tô Araújo e Felipe Hirsh ("O Castelo do Barba Azul") vieram com força total para renovar um pouco as encenações líricas 'empoeiradas' que já cansamos de ver. São jovens comprometidos com grupos de pesquisa sérios e com uma identidade artística inabalável. Vamos combinar que já cansamos um pouco dos 'jovens velhos' que andam por aí! A cena clama por renovação. Arte é risco, não existe regras, acertos, culpas ou desculpas. Existe Arte!

O casal solista (que eu também já tive o privilégio em dirigir num "Barbeiro de Sevilha") Leonardo Neiva e Luisa Francesconi são os 'tops' da nova geração de cantores líricos brasileiros, o Coral Paulistano é de uma entrega cênica que faz a alegria de qualquer encenador que sabe o que quer em cena. A aparição de Silvia Tessuto como a Feiticeira (aqui uma 'psicopata religiosa') é inesquecível, assim como a entrada triunfal do Espírito (numa moto como um entregador do FedEx) do contra-tenor Helder Savir.
Claro que pra tanta experimentação é preciso ter apoio de um maestro moderno e comprometido com o novo e também certos riscos, neste caso Tiago Pinheiro foi de uma generosidade ímpar, além de excelente musico soube prever que o desconforto dos ensaios guardava um espetáculo deslumbrante. Bravo Maestro!

Bravo meu amigo Guilherme Bonfanti pela linda iluminação. E como nunca sai crítica sobre os bastidores e muito menos os técnicos envolvidos quero então dar um 'BRAVI' geral ao imbatível exercito do Municipal que trabalharam arduamente para que este projeto pudesse existir.
Maestro Jamil Maluf, Eliane Lax (produção), Pelé (o MAIOR cenotécnico de óperas de SP), Sérgio Ferreira (Designer de Som, puta profissional! O mais importante ali, que tomou a sábia decisão de não amplificar individualmente os cantores e sim fazer um som homogêneo e ambiente, bravo!) e a todos os cenotécnicos, costureiras e motoristas de plantão, este espetáculo foi feito também por vocês e PARA VOCÊS.
E este espaço é também realizado para que toda esta equipe possa ter melhores condições de trabalho. BRAVI!

Abaixo, trecho dos ensaios da primeira montagem:

4 de dez de 2008

Um ringue para Tchecov

Estréio hoje meu último trabalho do ano. Assino a iluminação das 'pocket operas' "Palestra sobre os Pássaros/A Water Bird Talk" e "O Urso/The Bear", ambas em sessão dupla, seguidas de um pequeno intervalo, no Teatro S.Pedro/SP.
É a primeira vez que trabalho com a diretora Lívia Sabag, amiga recente que adoro e espero voltar a trabalhar novamente, esse projeto é uma paixão antiga da Lívia: levar aos palcos os contos do escritor russo Tchecov.

"Palestra..." é uma adaptação do conhecido conto "Os Malefícios do Tabaco" numa versão solo com Lício Bruno absolutamente senhor da cena, destrinchando uma das melhores partituras contemporâneas escritas para barítono.
Já em "O Urso" o palco vira literalmente um ringue de boxe onde se digladiam Keila de Morais, Igor Vieira e Carlos Eduardo Marcos.

Bastidores: Com cenário de Renato Theobaldo, o ringue é montado para o embate do "Urso"; o mesmo 'palco sob o palco' é transformado para a segunda pocket ópera "Palestra..."
...

Se Joga:
Teatro S.Pedro/SP nos dias 04 de dezembro as 20:30h e nos dias 06 e 07 de dezembro às 17h.

'Fiz' a duquesa!

Assisti "The Duchess" ontem.
Sabe o que é... acho que a 'continuação da história não filmada' seria uma melhor opção dramaturgica do que a velha ladainha de casamento arranjado entre monarcas em busca de um herdeiro. Não tem carisma e faltou um certo 'aplomb' da 'mis-en scène'.
Ok, os figurinos são estonteantes, a trilha sonora irritante e os 'sets' incríveis, mas já vimos mais e melhor em "Maria Antonietta" não?