6 de dez de 2008

"Dido e Enéas": O melhor espetáculo que vi no ano!

É isso, simplesmente o melhor espetáculo que vi no ano!
"Dido e Enéas", dirigido por Antônio Araújo com o seu grupo "Teatro da Vertigem" nos galpões da Central Técnica de Produção Chico Giacchieri, do Teatro Municipal de S.Paulo, foram responsáveis por um daqueles eventos que não sairá tão cedo da memória de quem assistiu. Este 'poder' Tô (como é conhecido carinhosamente pela classe) transborda de sobra, foi assim quando vi "Paraíso Perdido" numa Igreja ou "O Livro de Jô" num Hospital (aliás assisti cinco vezes!), e é assim também neste galpão que será transformado em armazenamento de cenários do Municipal. Tudo foi construído para ser um evento e graças aos deuses do teatro voltou ao cartaz somente neste final de semana, eu repito é IMPERDÍVEL!

É imperdível não só pela natureza da celebração, afinal é de se louvar que o Municipal de S.Paulo possa ter um espaço para armazenar toda a sua produção de cenários e figurinos, no mundo todo grandes casas de ópera investem milhões nestes depósitos, milhões aliás que são recuperados quando se remonta ou se alugam as produções armazenadas.
É imperdível também pela qualidade artística apresentada que soma brilhantemente tudo o que nós, público e artistas, gostaríamos sempre de ver pelos palcos: excelência musical, cênica e técnica.
Que bom que neste ano São Paulo pode 'estrear' dois diretores que nunca haviam trabalhado com ópera antes, Tô Araújo e Felipe Hirsh ("O Castelo do Barba Azul") vieram com força total para renovar um pouco as encenações líricas 'empoeiradas' que já cansamos de ver. São jovens comprometidos com grupos de pesquisa sérios e com uma identidade artística inabalável. Vamos combinar que já cansamos um pouco dos 'jovens velhos' que andam por aí! A cena clama por renovação. Arte é risco, não existe regras, acertos, culpas ou desculpas. Existe Arte!

O casal solista (que eu também já tive o privilégio em dirigir num "Barbeiro de Sevilha") Leonardo Neiva e Luisa Francesconi são os 'tops' da nova geração de cantores líricos brasileiros, o Coral Paulistano é de uma entrega cênica que faz a alegria de qualquer encenador que sabe o que quer em cena. A aparição de Silvia Tessuto como a Feiticeira (aqui uma 'psicopata religiosa') é inesquecível, assim como a entrada triunfal do Espírito (numa moto como um entregador do FedEx) do contra-tenor Helder Savir.
Claro que pra tanta experimentação é preciso ter apoio de um maestro moderno e comprometido com o novo e também certos riscos, neste caso Tiago Pinheiro foi de uma generosidade ímpar, além de excelente musico soube prever que o desconforto dos ensaios guardava um espetáculo deslumbrante. Bravo Maestro!

Bravo meu amigo Guilherme Bonfanti pela linda iluminação. E como nunca sai crítica sobre os bastidores e muito menos os técnicos envolvidos quero então dar um 'BRAVI' geral ao imbatível exercito do Municipal que trabalharam arduamente para que este projeto pudesse existir.
Maestro Jamil Maluf, Eliane Lax (produção), Pelé (o MAIOR cenotécnico de óperas de SP), Sérgio Ferreira (Designer de Som, puta profissional! O mais importante ali, que tomou a sábia decisão de não amplificar individualmente os cantores e sim fazer um som homogêneo e ambiente, bravo!) e a todos os cenotécnicos, costureiras e motoristas de plantão, este espetáculo foi feito também por vocês e PARA VOCÊS.
E este espaço é também realizado para que toda esta equipe possa ter melhores condições de trabalho. BRAVI!

Abaixo, trecho dos ensaios da primeira montagem:

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