13 de dez de 2008

O Ator, o Diretor, o Autor e o entendimento sobre o Tempo

"Decantar o vinho, como pode o teatro, enfim... É tempo, tempo entendeu, é o tempo que o teatro tem que ter, teatro não, uma câmara de tortura. Precisa de tempo, tempo.
Teatro e tortura, amizade e literatura e um bom vinho precisam de TEMPO.
(Gerald Thomas/"Bait Man")

Marcelo Olinto sob a minha luz, dirigido por Gerald Thomas e fotografado por Daniela Visco no Sesc Copacabana

Faltou tempo! A citação acima vem do novo espetáculo dirigido e concebido por Gerald Thomas para Marcelo Olinto. Todos concordam que faltou tempo para que o espetáculo ficasse melhor... poucos dos envolvidos nesta produção concordam que faltou tempo para 'decantar' deste evento uma nova 'amizade'.
Trabalho com Gerald há uns 10 anos, nos separamos por um tempo para eu cuidar da minha carreira e nos aproximamos quando nossas agendas permitem. A vida dele sempre foi uma loucura inter-continental, sua cabeça sempre esteve em, no mínimo, três países ou cinco cidades ou duas culturas, dez projetos, ou, ou, ou...

Acredito na empatia entre criadores, ator e diretor num processo tão autoral precisam 'estar siameses' em fase de produção de um novo espetáculo. Depois de mais ou menos 3 semanas de ensaios cheguei ao Rio e após assistir um ensaio sem saber de absolutamente nada identifiquei alguns pontos frágeis sobre o entendimento que o ator tinha do autor. Note bem, eu disse "DO AUTOR" e não do espetáculo (embora houvesse sim alguns pontos também, mas não é o caso).

Gerald é o autor dele mesmo e ninguém pode acusá-lo de repetir sempre o mesmo discurso, seu tema é e sempre foi o DILACERAMENTO que qualquer guerra provoca nas relações, para isso abusa do jogo teatral, do corpo do ator que precisa ser um comediante disciplinado para 'decantar' e 'autorar' toda verborragia (nisso sempre preferi Damasceno à Bete Coelho) contida nas múltiplas camadas de entendimento. Kantor era assim também, todo o seu teatro era o reflexo do pós-guerra e seus atores marionetes deste 'campo militar', todo o Living Theatre também e a primeira fase de Pina Bausch... é sempre a guerra e a contradição da guerra e a guerra e a contradição da...

Se não se entende isso para trabalhar com um diretor assim o ator é fisgado (Bait Man!?) pela traição da falsa verdade, do falso entendimento. O público pode sair do teatro com centenas de peças soltas e montar seu quebra-cabeça na pizzaria ou no seu travesseiro, já o ator não!
O ator não pode dar pistas equivocadas do entendimento que o 'autor-diretor' criou (Marienplatz 1933 sempre será o início da ascensão e nunca uma garrafa de vinho raro!), muito menos subestimear a capacidade que este mesmo autor tem em criar armadilhas que coloquem em xeque este entendimento.

Concordo com Gerald, o ofício do ator faz muito mais sentido semânticamente em inglês (to play) do que em português (representar) ou francês* (repetition) e não quero dizer com tudo isso que o que apresentamos ontem a noite no Sesc Copacabana seja ruim ou mal realizado e que Marcelo Olinto esteja bem ou mal. Voltando a citação inicial acho que o que melhor define o estado que saímos do teatro hoje é um fragmento de uma canção de Renato Russo, quando diz: "(...) agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou..."
...

*
Abaixo comentário do Zeca sobre o 'ofício do ator' em francês. Mérci querido, mantenho então o texto ressaltando que me referia ao processo de ensaios mais do que o espetáculo pronto.

-"Oi, Caetano, adoro o seu blog. BRAVO! Soh uma coisinha sobre o TO PLAY. Em francês o ator tb "joga". JOUER é encenar, representar. Fala-se muito do JEU do ator. REPETITION nao é representar, mas ensaio (do verbo REPETER, entre outras coisas, ensaiar). Bjs Zeca"

15 comentários:

Anônimo disse...

BRILHANTE
LINDO
Vou pedir pro Vamp importar
LOVE
G

Anônimo disse...

Vilela….
lindo texto… e olha só o que eu achei: cavalos marinhos….

“acho que a vida anda passando a mão em mim
a vida anda passando a mão em mim
acho que a vida anda passando
a vida anda passando
acho que a vida anda
a vida anda em mim
acho que há vida em mim
a vida em mim anda passando
acho que a vida anda passando a mão em mim

e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos”
(Viviane Mosé)

Gerald! Gênio…
Vc luz!

Nina

viralata disse...

Waall Nina!
;P

Anônimo disse...

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...


e brilha tua luz....
Nina

Anônimo disse...

Oi, Caetano, adoro o seu blog. BRAVO! Soh uma coisinha sobre o TO PLAY. Em francês o ator tb "joga". JOUER é encenar, representar. Fala-se muito do JEU do ator. REPETITION nao é representar, mas ensaio (do verbo REPETER, entre outras coisas, ensaiar). Bjs Zeca

viralata disse...

Valeu Zeca, postei seu comentario abaixo do texto original tb!
Mérci!
P.S.: Vc é o famoso Zeca 'do canadá' que o GT tanto elogia?! Bjão

Anônimo disse...

Essa comunicacao entre Rio e Montreal ainda vai render.
Ou (pelo menos) eh sonho meu que RENDA
LOVE
G

Anônimo disse...

Caetano
Apesar de todos os MEGA problemas e desgostos que tivemos aqui: eu so tenho UMA pessoa realmente pra agradecer: VOCE
sempre VOCE!

LUZ, portanto, passa a ser uma metafora

lendo (relendo) esse teu texto de novo, no meu e no seu blog sobre o entendimento do MO, luz passa a ser LUX ou UNderSTANDING, ou ONstanding, algo que se LIGA mesmo
Que se SHINE ou que nao se SHINE

meu deus
o que tinha naquele bacalhau????
LOVE
G

viralata disse...

kkkkkk!!! no bacalhau não sei mas aquele pastel de nata!! hauahauha,
ah, se a comunicação Rio-Montreal não render eu me rendo!
bj, te amo! E que se 'shinem'!!!!
;P

Anônimo disse...

Como eh estar de volta em SP?
as memorias desaparecem rapido?
sao 4 e pouco da tarde,
CHOVE
estao pra me pegar daqui a pouco pra fazer o RioCena.....

sera que eu nao deveria ter ido com vc?

Que doideira
Que merda
LOVE meu querido
ligo pro 811 e ninguem atende
eu choro
LOVE
G

Anônimo disse...

oi, Caetano, sou o Zeca do Canada sim, mas antes de ser do Canada, sou brasileiro e adoro!!! Ô Gerald, sem elogios, pls! Vc sabe que eu nao gosto disso e estamos nesse mundo pra se ajudar mesmo. O resto é bobagem! Bjs congelados pra vcs!
Caetano, qdo vc vem pra ca???
Confesso que nao to entendo nada do acontecido em BAIT MAN. Problemas de comunicacao? Percepacao? Sintonia?
Becs
Zeca

viralata disse...

G. cheguei meu amor, o resto é o silêncio concedido a Hamlet.
Zeca, finalmente! Espero que os projetos nossos por aqui sejam promissores, daí passarei esse final do inverno canadense.
Qto a peça, um pouco de tudo isso que vc falou, mas quero acreditar que para a falta de sintonia houve amor! Amor pelo trabalho e pelo G.
Beijos querido

Anônimo disse...

à très très bientôt, alors!
becs
Zeca

Anônimo disse...

Que ninguem nos leia mas
amo a ideia do Zeca e vc estarem se correspondendo...


ouviu Zeca
ouviu cae?

amanha meu post sera sobre a nova configuracao da Dryopera, como combinamos: uma unica companhia, 2 diretores.
Cheguei bem. Exausto mas bem
ah, tem o outro mac. O green....depois te escrevo pelo email
te amo
O Cezar me escreveu do Rio, Outro nivel
que pena ne?
por que?
por que?
porrrrr que NAO borbulha?
LOVE
G

viralata disse...

Ninguém lerá, kkkkkkk
depois me diz....
bj
;P