31 de jan de 2009

A imparcialidade da Guerra (ou: a certeza da Arte)

Para quem acha que o trabalho dos correspondentes de guerra é apenas perigoso, o artigo "A difícil arte de ser neutro na guerra" escrito por Ethan Bronner (para o "NYTimes", direto de Jerusalém e publicado no "Estadão" de hoje) nos mostra que perigoso mesmo é a incompreensão que a cerca e, claro, como ser imparcial quando cada lado tem suas (in)justas razões.

- "(...) Um lado diz que, após milhares de anos de opressão, a nação judaica retornou a seu território de direito. Ela veio em paz e ofereceu aos vizinhos um aperto de mão, tendo como resposta a espada. Cada vez que escrevo um artigo sobre o conflito sem espelhar essa história - quando, por exemplo, me concentro no sofrimento dos palestinos ou nos abusos israelenses -, dizem que sou um cúmplice secreto concordando com a visão do inimigo. O outro lado conta uma história diferente: não existe nação judaica, apenas um conjunto de seguidores de uma religião. Um grupo de colonialistas europeus chegou aqui, roubou e pilhou, expulsando centenas de milhares de suas casas e destruindo suas vilas e lares. Sempre que deixo de fazer alusão a essa história - quando, por exemplo, não chamo os ataques de Israel de massacres -, afirmam que estou comprometido e não posso mais ser digno de confiança enquanto repórter. (...)"

Isso porque Bronner cobre o conflito árabe-israelense há 25 anos, imagina agora a cabeça do leitor médio afastado da região (latinos, por exemplo) e que acompanham pela imprensa, de diversos veículos com tendências diferentes, flashs desta guerra tão complexa!
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Na Arte e na Guerra

O Hamlet de Lawrence Olivier segura a caveira do 'bobo' Yorick

Artistas (plásticos, atores, etc.) são treinados para serem imparciais e duvidarem de tudo, o vício de sempre questionar o 'onde', 'como' e 'porquê' das coisas, não importando a expressão artística, dá subsídio para que Ele se sinta seguro e jogue para (com) o público suas dúvidas que se transformam em questões por vezes simplistas respondidas como 'escolhas alternativas': gostei-não gostei, acredito-não acredito, bom-ruim, ....
Nunca tive certeza de nada, na arte e na vida, aliás acho que sempre tive medo de quem tem certeza absoluta de tudo.

Acho que 'falta um capítulo' na História que me é apresentada (escrita ou narrada) e sempre dúvido que os seus 'líderes' ou porta vozes estão me dizendo toda a verdade (ou pelo menos metade). Não existe aí nenhum cetismo neste tipo de atitude, muito menos uma 'frouxidão' moral de uma pessoa corroída pelas incertezas da 'natureza', mas a 'personalização das certezas' me dão um frio arrepio.
Afinal de contas, NUNCA existiu armas químicas no Iraque (ao menos que motivassem o início daquele outro ataque), assim como também o Brasil NUNCA foi um país de famélicos (ao menos que motivasse um "Fome Zero"). Por sua vez Stálin JAMAIS poderia ser chamado de inocente por seus crimes ou até mesmo Hamlet, que NUNCA sentiu tesão por sua mãe ou pena de Yorick, era um 'príncipe da dúvida'. Para mim ele sempre foi mais um 'vingador' com MUITAS CERTEZAS.

Com certeza estou errado, ou não, ou não...

27 de jan de 2009

Afastem os guardanapos de papel do 'velho comunista'!

"A praça que eu proponho faz falta a Brasília. Toda cidade tem uma praça importante onde o povo chega e não esquece mais. Essa é a praça que vou continuar defendendo".
A frase (em matéria da FolhaOnline de hoje) acima é do centenário arquiteto comunista Oscar Niemeyer em defesa de uma obra monumental (praça e obelisco) para comemorar os 50 anos da cidade de Brasília. Uma enquete feita pelo jornal "Correio Brasiliense" dá conta que a maioria dos entrevistados é contra a obra. Há lucidez no Brasil!
O mesmo Niemeyer que não permite uma árvore sequer no cemitério de concreto que é o Memorial da América Latina/SP se 'sensibilizou' com a falta de verde no Eixo Monumental e pimba, tascou um projeto caríssimo e personalíssimo ignorando seu parceiro na criação do DF cinquenta anos atrás, Lucio Costa, a quem aliás faz uma desfeita.

O velho comunista não tem jeito mesmo, recentemente 'absolveu' Stálin numa interpretação 'torta' do livro de Simon Montefiore "O Jovem Stálin". Leram o livro? Eu li, assim como também "A Corte do Czar Vermelho" do mesmo autor e as biografias escritas pelos 'sérios' Isaac Deutscher e outros dois volumes por Dmitri Volkogov e lhes digo ali pode ter de tudo um pouco MENOS uma frase que seja que ignore toda a carnificina 'assinada com rigor' pelo russo. O velho comunista chegou naquela idade em que pode tudo, até mesmo tentar mudar os rumos da história.

Seus 'esboços de guardanapo de papel' sempre dão dor de cabeça à dirigentes, empresários e governantes que ora visitam o mestre, ora o recebem para justas (algumas) homenagens. Para estes aconselho: deixem longe os guardanapos e canetas nas visitas ou podem acabar com um 'elefante branco' nas mãos!

24 de jan de 2009

Invasão Russa no Brasil: "Os Irmãos Karamabloch"

Já disse por aqui que sempre gostei de histórias na linha "nasci-sofri-venci", jogadores de futebol que hoje fazem sucesso e têm os seus passes disputados a tapas e ex-mascates, atualmente donos de impérios de comunicação e grandes magazines, são exemplos claros deste mundo fascinante que não é um privilégio só da 'América', temos também nossos exemplos tropicais aos montes.
Revezando com minhas 'leituras mais sérias' (mitologias e estudos franceses para as próximas óperas) ainda tive tempo de devorar em uma semana as memórias da família Bloch no delicioso "Os Irmãos Karamabloch", escrito pelo jornalista Arnaldo Bloch, sobrinho de Adolpho Bloch fundador do império de comunicações "Manchete", revista e tv.

Arnaldo destrinchou a árvore genealógica da família desde os confins da Rússia, de onde os Blochs (judeus ucranianos) fugiram de guerras e perseguições até os altos-baixos-altos-baixíssimos momentos em 'terra brasilis'. A primeira metade do livro é toda dedicada ao resgate da memória familiar, com personagens marcantes, passionais, patéticos e trágicos com depoimentos na primeira pessoa colhidos pelo próprio Arnaldo intercalados com uma verdadeira 'busca do tempo perdido'.

A segunda parte já nos é bastante familiar, centrada na figura de Adolpho Bloch, verdadeiro ícone da alma russa, um simples gráfico turrão que, na sua coerência muito particular, soube passar por todos os políticos depois de Getúlio Vargas (tendo preferência por JK, do qual se tornou grande amigo) e mal a mal sobreviver a favores e golpes de sorte com sua forma de negociar bastante característica, mais conhecida como 'jeitinho brasileiro', numa ciranda de duplicadas, promissórias e limites de créditos sempre 'empurrados com a barriga'. E o que era melhor: dava certo! Ou pelo menos deu, por um bom tempo. A triste lembrança da falência da Rede Manchete e de todo o parque gráfico da revista homônima ainda é uma cicatriz na imprensa nacional que perdeu um concorrente de peso e qualidade.

Trechos

Numa época ainda sem BlackBerrys ou e-mails a chegada de uma carta de JK postada uma semana antes, para o amigo camarada, recebida depois da sua morte, é de arrepiar:
- "(...) o que traz tristeza, sobretudo à hora do recolhimento da tarde, é a falta dos amigos (...) E nenhum mais do que você Adolpho, pertence à categoria das pessoas que gostaria de ver diariamente, como fazia até há pouco (...) Espero abraçá-lo em breve (...)"
A rebeldia com os novos tempos era clamada em frases 'pouco católicas' aos ouvidos puritanos:
- "Eu quero que a modernidade se foda", ou ainda "Enfia o marketing no cu."

Ou sobre a economia e suas fases de lucros e prejuízos:
- "Muitas vezes culpamos a mulher por tudo o que acontece. Não é verdade isso. A grande tragédia da humana começou com duas simples colunas: o débito e o crédito. Os que têm recursos ficam no preto. Os que não têm ficam no vermelho. Poucas vezes fiquei no preto porque tinha vontade de vencer na vida. O dinheiro não me fascina."

Os encontros do Sr. Adolpho com Collor e Roberto Marinho para num último recurso pedir-lhes ajuda, são cruéis e dramáticos pela parte dos anfitriões. Já com artistas ele sempre era conciliador e querido, do mestre das óperas Zeffirelli ao pintor Manabu Mabe e aos atores e diretores de suas novelas sempre foi um homem respeitado.
Leia com um sorriso nos lábios e entre dentro desta verdadeira 'matrioshka', onde cada 'boneca' que você tira dentro da caixinha revela um drama mais comovente que o outro.
...

Se Joga:
"Os Irmãos Karamabloch", Arnaldo Bloch (Cia. das Letras)

Leia também no "Viralata Reloaded" sobre o outro livro que li revezando com este, é "Mães e Filhos" do irlandês Colm Tóibín, nove contos incrivelmente melancólicos, tristes e outros suaves como a primavera, mas tem um ("Três Amigos") que é tão fofo e gls que você até encontra esperança naquele monte de morte.

21 de jan de 2009

Em breve

Queridíssimos estou ainda desolado com a minha ausência involuntária!
Tantas coisas para comentar, escrever, discutir, publicar, ...
Ainda estou com o quiprocó do IBook em plena crise, espero resolver logo, não me abandonem!
Beijos
Caetano

P.S.: OBAAAAAAAAAMA!!!!!!

9 de jan de 2009

Voltei, pifei e voltarei

Graffiti num muro em São Sebastião/Cambury

Amigos já voltei do meu último programa das férias que foi uma semana em São Sebastião/Cambury.
Então estamos assim: Estou bem, meus sobrinhos me exauriram, meu Ibook pifou de vez, levei na assistência hoje (roubei por algumas horas o Mac da minha linda assistente belga - 'e mãe' - por algumas horas) e para os que estão preocupados comigo, digo NÃO, não tive mais sonhos estranhos nos últimos dias!!!!

Beijos e volto em breve assim que resolver o meu computador, juro que tentei escrever um post pelo meu celular Nokia N-95, primeiro me falta um teclado para ele e segundo: vamos combinar que não tem o menor charme ainda!
Beijos

5 de jan de 2009

Jung explica!

Não honey, eu já disse que nem com reza braba eu continuo perdendo o sono por sua causa, já estou em tratamento com o Dr. Jung e não se fala mais nisso!

Nunca sonho com gente famosa mas tem um jogador europeu de futebol (com sotaque luso, acima! Não posso citar o nome senão posso ser processado... 'a loka'!) que está me 'tirando o sono'!
Sério, loucura... Jung (ao lado) explica! Por três noites seguidas só sonho com o 'gajo'! Está quase uma saga, já discutimos a nossa relação, as suas (dele) lesões nos joelhos e também sobre adoção de filhos (?!), 'by the way' ele é contra. Talvez por isso o sonho seja recorrente, tento convencê-lo de que uma criança é legal, mas ele não tem tempo para filhos e ainda viaja muito e tal.

Não acredito que estou escrevendo isso... haushauhsuahsua!!! Mas como o lance tá meio 'psico' divido com vocês. Os disfarces e nomes falsos nos hotéis, quando tenho de acompanhá-lo nos jogos, as trocas constantes de números de telefones e o 'nosso amor que não ousa dizer o nome' já estão com 'matizes' de um fado que nem Amália teria coragem de cantá-lo.
Bom, se 'tudo acabar bem' convido todos para uma festinha na Inglaterra, sim, no sonho nós moramos em Londres, sorry! kkkkkkk

Acho que estes dias de tranquilidade interiorana estão me afetando os nervos. Para acabar logo com tudo isso estou indo amanhã para Camburi, litoral norte paulista, terminar as minhas férias e cair na real. Ah, o tempo tá péssimo? Não importa, eu estarei de babá dos meus sobrinhos num chalé com protetor 60; detesto praia!


Já 'ELE' não, ele a-d-o-r-a mar e 'discutimos muito sobre isso', parece que ele não vai renovar o seu contrato com o time inglês e dará preferência para um espanhol, só para 'me provocar' e ficar perto de Ibiza! Ele tem ciúmes de mim... gosh... tô exausto com esta história!
I love ordinary people!

4 de jan de 2009

Se 'Oriente', o ano está apenas começando!

Não, isso não são fogos de artifício em comemoração ao ano novo e sim um foguete disparado por Israel que explode sobre Gaza. Foto: Baz Ratner/Reuters

Catzo, tá difícil entrar no ritmo de ano novo!
Este ataque em Gaza me broxou, olho em volta da minha mesa e vejo os livros que aguardam leitura nestas férias e dentre eles está "Paz e Guerra no Oriente Médio" de David Fromkin, que comprei antes do meu 'exílio no interior'. As notícias nos jornais diários desde o primeiro ataque de Israel 'refrescaram' o conteúdo do livro de Fromkin e mais uma vez me pergunto: Porquê?
O Maestro Daniel Barenboim ('massacrado' por reger Richard Wagner em Israel em 2001!!!) escreveu uma carta aberta publicada no dia 1º de janeiro no "The Guardian" e traduzida para o "Estadão" sábado passado, em que resume seus três desejos para este triste início de ano:

- "O primeiro é que o governo de Israel se conscientize, de uma vez por todas, que o conflito no Oriente Médio não pode ser resolvido por meios militares. O segundo é que o Hamas se conscientize que não defenderá seus interesses pela violência, e que Israel está aqui para ficar. O terceiro é que o mundo reconheça que esse conflito não é igual a nenhum outro em toda a história (...)"


Não é e nunca foi! Mas a história se repete como uma tragédia cíclica. Bush está indignado e EXIGE o cessar fogo imediato... pfui, o mesmo cessar fogo que o mesmo Barenboim exigiu quando o governo americano apoiou o Hamas nas eleições para derrotar o Al Fatah! Isso ainda pode sair nas reportagens "para entender o conflito", mas está bem claro ainda na minha memória em reportagens publicadas anos atrás. Ah, você se lembrou do apoio americano ao 'ex-aliado' e treinado pela CIA Bin Laden? Pois é, eu também não me esqueci... é o retorno cíclico de uma odisséia infinita.

Gustavo Chacra, enviado especial do "Estadão" à região nos previne que o pior ainda está para acontecer, mesmo com aproximadamente 500 mortos palestinos! É que "(...) não teve um episódio simbólico, como Qana ou Jenin, na Operação Muro Protetor de 2002, Cisjordânia, após onda de atentados suicidas(...)"
Aguardemos o pior então!
...

No "Viralata Reloaded" leia o post: "O fracasso subiu à cabeça (ou: a Dissimulação Socialista, parte II):
- "(...) Não sei se esses congressistas sabem de onde sai o dinheiro para cobrir tantos benefícios, mas pelo visto, com certeza, eles devem ter alguma fórmula mágica que os empregadores/empresários brasileiros não tem conhecimento.
Estariam os nobres companheiros contando com o 'lucro-de-palanque' das bacias do Pré-sal?
(...)"