26 de fev de 2009

Repostagem do Blog do João Luiz Sampaio

E por falar em Arte, Política e Totalitarismo (bem o tema está implícito não é mesmo) 'reposto' do Blog do jornalista João Luiz Sampaio do Estadão o post sobre a Filarmônica de Berlim, a 'orquestra do Reich'.
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A orquestra do Reich
por João Luiz Sampaio, Seção: Geral 19:37:51.


Concerto da Filarmônica de Berlim em homenagem ao aniversário de Hitler/Reprodução

Em 2007, a Filarmônica de Berlim completou 125 anos e, em uma atitude totalmente inesperada, resolveu comemorar a data com a abertura dos arquivos de uma das passagens mais controversas de sua história, a atuação durante os anos do nazismo. Na passagem das décadas de 30 para 40, foi a única orquestra que se manteve atuante na Alemanha, sem interrupções. Adotada pelo ministério de Goebbels, que cuidava da propaganda do regime, viajou a Europa durante a guerra. Seus músicos tinham privilégios como a isenção do serviço militar ou a exclusão das milícias, tropa criada quando Berlim foi invadida.

Não é de hoje que se discute a relação do maestro Wilhelm Furtwängler com o nazismo. No que diz respeito à música, o regime exaltava a obra de Beethoven, Wagner, Brahms ou Bruckner como símbolo da alta cultura alemã. Furtwängler foi o grande intérprete de sua época desses compositores. O assunto é controverso. No início dos anos 30, o maestro deu declarações públicas contra o nazismo; nunca se filiou ao partido; músicos contam que se recusava a saudar com o “Heil Hitler!” a fotografia do führer colocada na sala dos músicos da filarmônica; há inclusive um vídeo no qual, após um concerto em homenagem ao aniversário do führer, o maestro limpa discretamente as mãos com um lenço após ser cumprimentado por Goebbels. Ainda assim, Furtwängler comandou a orquestra em diversos concertos oficiais do regime e só deixou a Alemanha em 1944, seguindo conselho de Albert Speer e exilando-se na Suíça.

Ao passar pelo comitê de desnazificação, Furtwängler disse aos oficiais americanos que não deixou o país por se “sentir responsável pela música alemã”. “Era minha responsabilidade sobreviver à crise. A preocupação sobre o uso propagandístico de minha arte precisou dar espaço a uma preocupação maior: a preservação da música alemã, da possibilidade dessa música ser apresentada ao povo alemão por músicos alemães. Quem não viveu aqui esses anos não pode julgar como era nossa situação.” Furtwängler foi inocentado. Em "Taking Sides", filme no qual narra a passagem do maestro pelo comitê, o diretor Istvan Szabo sugere que sua absolvição estava diretamente ligada ao desejo russo de tê-lo como diretor da Staatsoper, a casa de óperas da Berlim Oriental – o que nunca ocorreu.

A abertura dos arquivos da orquestra, no entanto, tirou o foco do maestro e pela primeira vez o colocou na atuação dos músicos, tema do documentário “A Orquestra do Reich”, de Enrique Sánchez Lansch, lançado em DVD pela Arthaus. O filme traz vídeos históricos raríssimos e revela documentos preciosos, que transformam o que era boato ou dúvida em realidade – há uma carta em que a direção da orquestra se compromete a limpar dos seus quadros músicos judeus; em outra, fica provado que, se não fosse pela ajuda dada pelo ministério de Goebbels, a orquestra teria que fechar suas portas por falta de verbas. Havia na filarmônica apenas cinco músicos filiados ao Partido Nazista. E a leitura de seus diários é também perturbadora, com longas argumentações sobre o papel político da música em tempos de guerra e o orgulho de interpretar a “Nona Sinfonia” de Beethoven no aniversário do führer.

O mais impressionante, porém, está nos depoimentos dos únicos dois sobreviventes entre os músicos daquela época, o violinista Johannes Bastiaan e o contrabaixista Erich Hartmann. Suas versões para o que aconteceu nem sempre batem. Bastiaan afirma, por exemplo, que após passar para o controle do Ministério do Povo e da Propaganda, cinco músicos judeus foram forçados a deixar o cargo; já Hartamnn credita a saída deles a busca por novas possibilidades profissionais. Segundo Bastiaan, a política não participava do dia-a-dia dos músicos e que, mesmo em conversas com os artistas integrantes do partido, era possível demonstrar discordância. Ele conta ainda que sentia vergonha quanto a orquestra tocava para soldados feridos. “Ali estávamos nós, seguros, recebendo bem, e aqueles homens se machucavam em combate. Ao mesmo tempo, fazer música parecia algo nobre, que podia consolar o sofrimento.” Hartmann é mais direto. “Estávamos na melhor orquestra, com o melhor maestro, o que nos preocupava era o prazer de fazer música.”

Os músicos, em última análise, defendem que estavam apenas fazendo seus trabalhos, sem saber exatamente a medida do que acontecia na Alemanha e no mundo. Eram tempos atípicos, de exceção. E procurava-se apenas a melhor maneira de seguir vivendo. Isso nos leva de volta à discussão sobre responsabilidades individuais. A Segunda Guerra foi um episódio negro da história mundial e argumentos como o de Hartmann, à luz de tudo o que hoje sabemos sobre o que aconteceu, parecem ingênuos, na melhor das hipóteses, e geram repúdio. No entanto, não seria mais interessante, em vez de apontar dedos, aceitar de vez que o processo histórico não é feito de heróis e vilões? Esse é a grande proposta do filme – entender a atuação daqueles músicos e daquela orquestra e, a partir deles, falar sobre o ser humano e suas contradições. Mais do que isso, de maneira indireta, o documentário nos traz de volta a nosso tempo. Não vivemos sob a guerra, regimes autoritários são exceções, mas, ainda assim, onde ficam nossas responsabilidades individuais em um mundo repleto de problemas de ordem social, em que o autoritarismo se perpetua das relações pessoais à discussão política? Ao abrir seus arquivos, a Filarmônica expôs ao mundo a possibilidade do debate sobre um dos mais delicados aspectos da relação entre arte e sociedade. Entender o passado às vezes é uma boa maneira de pensar o presente. E transformá-lo.

Repostagem no Blog do Gerald

Gerald Thomas 'repostou' o meu artigo abaixo sobre o papel do Artista na atual burocracia brasileira, está fervendo no Blog dele com os seguidores mais fervorosos da blogosfera nacional.
Seu texto de apresentação é forte e introduz a discussão da seguinte forma:

Arte e Estado Não se Misturam

New York – Tem datas que não nos falham. Nossos mestres, nossos grandes mestres, ou momentos como o assassinato de JKF, a crise dos mísseis, a foda do “Último Tango em Paris”, a queda do muro de Berlin e, por exemplo, o tiro que o ditador da Romênia, Nicolae Ceaucescu levou na frente das câmeras de TV. Para o espanto de todos, aquilo foi chocante. Mesmo para aqueles que, como eu, haviam feito demonstrações nas ruas contra o Nixon e a guerra do Vietnam e queríamos ver os Stalinistas todos atrás das grades, eu, um pacifista por natureza, fiquei assustado com aquele tiro.

Por que digo isso? Por causa do tempo/espaço onde estamos e ocupamos quando algo dessa magnitude acontece. Assim como a morte repentina e precoce do “monstro sérvio” Milosevic (numa cela em Haia), a morte de Ceaucescu me marcou porque eu ensaiava o meu “Sturmspiel” no teatro estatal da Baviera em Munique com um vasto elenco. Todos comentamos o evento naquele dia. Alguns extras eram romenos. Eu tinha uma namorada (mezzo soprano) chamada Ruxandra Donose, que vinha de Bucarest e cuja família havia sofrido nas mãos do ditador. E, no teatro, Andrej Serban, havia sido “resgatado” por Ellen Stewart, anos antes. Décadas antes. Ainda jovem. Senão, teria entrado nos fornos da ditadura daquele terrorista no poder.

Tudo isso pra introduzir um belíssimo artigo de Caetano Vilela sobre ARTE e ESTADO. OS DOIS não se misturam. Quando um quer entrar no outro não HÁ MAIS ISENÇÃO POSSÍVEL.

Mesmo de forma mais branda (no teatro estatal de Munique – no meu caso no Cuvillies Theater), a pressão de Klaus Everding, (secretário de cultura de toda a Baviera na época), já era uma interferência gigantesca. O Muro de Berlim ainda não havia caído. Ainda vivíamos a guerra fria. Enfim, ao belíssimo artigo de Caetano:

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Daí você entra lá e vê os comentários!

Que 'movimento' é esse? (ou: sou Artista e não Educador-Ativista)

Ao trabalho camaradas, organizem um movimento e façam a máquina produzir!

Nós artistas de uma hora para outra nos transformamos todos numa espécie de 'ativistas humanitários-culturais'! Não basta a 'nossa causa' é preciso ter "contrapartida social" para isso e aquilo e agora também nos exigem "medidas preventivas contra o impacto ambiental negativo"... que 'po*&%$%a' é isso? Tudo agora tem de ser carbon free, sustentável, ecológico, etc.
E eu digo: "é só uma pecinha de teatro senhor!", "é apenas uma ópera madame!", "é só um showzinho presidente!"

Qual o papel do Artista na burocracia contemporânea deste rosário sem fim 'pseudo politicamente correto'? Produzir/Poluir?
Tá certo também que parte da 'classe' exigiu seu reconhecimento depois de palestras, encontros e 'sufrágios democráticos' (contando os braços erguidos 'a favor') num movimento batizado de "Arte contra a Barbárie" (!), resultando dentre outras aberrações 'excludentes' num tal "Fomento para as Artes".
É isso então, lutaram contra a 'barbárie' (seria o 'capitalismo do teatrão'), ganharam o 'fomento' e hoje são todos 'ativistas' de plantão defendendo o seu espaço (físico) alugado produzindo pouco para pouquíssimos (às vezes até muito para 'muitíssimos', mas não faz diferença), fazendo muito barulho para não largarem o 'osso fomentado'.
Viraram 'educadores', plantaram sementes (paúba?), reciclaram seus programas (ou 'pogrom/погром') em troca de quê?

Nem prêmios nos credenciam mais. Um Shell (poluidora?) desacreditado vale hoje muito menos do que o antigo Molière (passagem para Paris ida e volta sem nenhum dinheiro!). Prêmios também viraram 'contrapartida social' das empresas que usam artistas como mico de circo: Prêmio Bravo, Contigo, Coca-Cola, etc... nenhum deles trazem público e muito menos prestígio.
A indiferença é triste e gritante.
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O resultado do que se busca é o contrário, o teatro brasileiro está fomentando o emburrecimento do seu público. Falarei apenas do teatro, já que se abrir o verbo para defender a 'classe lírica' serei acusado de defender a 'barbárie' produzida pela alta elite! Mal sabem eles que faço ópera ao ar livre em Manaus para mais de 20 mil índios encantados! Seria isso uma 'medida contra o impacto ambiental negativo' aceitável? Aliás são 20 mil índios que deixaram de ligar os seus televisores e foram à praça (a pé ou com transporte público movido a energia alternativa!) pública assistir a um espetáculo lírico. Essas coisas enlouquecem críticos da Alemanha, Espanha, EUA, França, etc... todo ano e são publicadas em todas as mídias mas parece que o burocrata por trás do ministério da cultura além de surdo e monoglota é insensível ao reconhecimento do 'inimigo estrangeiro'. Hummm, acabei falando!

Sou ARTISTA e não EDUCADOR, minha função é outra; deveríamos passar ao largo da catequisação da luta de classes que este governo inflama.
Que as EXCEÇÕES destes casos possam produzir mais e PENSAR este País!
Poucas vezes encontramos um diálogo aberto e honesto nos espetáculos apresentados em São Paulo, comunicar não é mais a razão de estrear um espetáculo, tudo se resume a um sindicalismo frouxo e burro. A obra já não fala por si (que me perdoe Adorno), é preciso fazer um 'movimento' (que me perdoe Caetano Veloso)! Uma geração inteira de artistas que começou a respirar após a ditadura ainda está bastante imatura para lidar com certos valores de liberdade e capitalismo (que me perdoe Marx).
Desconhecem princípios sobre a ética (que me perdoe Espinosa) e banalizaram o mal (sorry Hannah Arendt).

Ao final deste governo, nós artistas, nos juntaremos aos milhões de 'assistidos' por todas as 'bolsas sociais' e nos tornaremos mendigos por anos e anos de uma política populista e melíflua que demorará muito (dependendo dos próximos e próximos governantes) para ser extirpada e repensada.
Claro que quem sofrerá com isso será a Arte, muito antes dos artistas, mas estamos falando de algo supérfluo, não é mesmo?!

21 de fev de 2009

Educação na contra-mão

Aqui em São Paulo sabemos como o transporte público têm deixado a desejar não importa qual seja a plataforma de campanha de qualquer político (sim, Marta Suplicy - 'neo solteira' - melhorou e muito as coisas!). Também sabemos que a Educação vai de mal a pior, mesmo não sendo verdade o tal índice de analfabetismo na cidade que o presidente inventou num palanque qualquer apenas para apresentar pela enésima vez a 'plastificada mãe-do-pac-que-pariu'!
Mas daí a 'matar dois coelhos' neste 'busão', propagandeando na subida da Rua Augusta/SP a falência de ambos os sistemas, foi demais pra minha cabeça.

Photo by Viralata

15 de fev de 2009

Um clássico medíocre e o verdadeiro valor da 'democracia corinthiana'

Weekend de Bofe

Pela excelente imagem de Sérgio Neves/AE já dá pra ter uma ideia de que 'isto não é um jogo de futebol'

Antes de mais nada digo: QUE HORROR DE CLÁSSICO FOI ESSE?!
Pronto desabafei! Mas muito ruim mesmo este São Paulo 1 x 1 Corinthians, o barulho todo sobre essa pendenga dos 10% dos ingressos mascarou o que realmente interessava: o bom futebol.
Embora o meu tricolor estivesse, vamos dizer, 10% melhor só aumentou a minha irritação com os três gols perdidos em 20 minutos pelo 'bonitinho' André Dias, ele até 'sambou' com a bola dentro da área sem conseguir chutá-la, 'quequeraquilo', depois fica no banco e reclama de falta de oportunidade!
E como na máxima quem não faz toma, o tricolor perdeu a oportunidade quando estava com um homem a mais de fazer a diferença. Achei medíocre.

Bom, nem darei muita bola ao adversário, na verdade esse empate foi uma glória para a 'nação louco por ti', se achei o meu time ruim nem queira saber o impublicável do que achei dos visitantes, abaixo da crítica.
Pior mesmo foram as declarações do presidente corinthiano reeleito, Andres Sanchez , afirmando que agora a nação corinthiana tinha um "inimigo": O São Paulo.
Logo em seguida saca essa: " (...) a democracia é a verdadeira forma de dirigir um clube..."

Sempre tive medo desdes 'democratas' de plantão. Vamos combinar assim, respeite pelo menos sua própria torcida e enfrente seus adversários com técnica e um bom trabalho. Nem comentarei que antes de falar mal da 'casa' alheia construa primeiro a sua!
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Costa 'mãos de tesoura'

E 'o lutador' santista Fábio Costa hein? Dar sopapos no próprio colega 'baleia' e ainda por cima avançar com uma tesoura, tst, tst, tst... isso lá é postura para capitão? Só se for de 'telecatch'! Entra semana, sai semana e Costa continua péssimo em campo e ridículo nas suas atitudes.
Se emenda boy, e como já disse: troca esse uniforme vermelho-carmim que não 'orna' com você e esfria a cabeça, porque o meu pai (santista, como todo pai que nasceu nos anos 40!) está à beira de um A.V.C. (toc-toc-toc).
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Ma comme te permete bambino?!

O 'Imperador' Adriano 'recebeu uma maradonice' básica e deixou a sua destra marca nos 2 x 1 contra o Milan. Só se falará nisso por lá, enquanto por aqui contaremos os feridos (LITERALMENTE) do clássico no Morumbi!
Gosh, como tá difícil ser público de futebol!

8 de fev de 2009

El Rey


Reymond, Cauã, upload feito originalmente por hique.

Não importa a classe social, ou até mesmo a falta de classe! Sem meias palavras: Cauã Reymond é DEFINITIVAMENTE o homem do verão e não se fala mais nisso!

'By the way', comprem a RG Vogue que está nas bancas!!!

Christoph Schlingensief modificando a sua vida como a luz

Fiquei bem feliz quando soube que o encenador 'enfant terrible' alemão Christoph Schlingensief (acima) está no júri do 59° Festival Berlim de Cinema presidido pela 'über' atriz classuda Tilda Swinton.
Quem acompanha este blog - e minha carreira - sabe que Schlingensief participou do 11° Festival Amazonas de Ópera dirigindo "O Navio Fantasma" de Richard Wagner numa montagem bem, digamos, polêmica. Se é que esta palavra ainda faz algum sentido para as artes hoje, ou você ainda se choca com uma escola de samba inteira entrando na platéia do teatro dividindo a cena com uma orquestra?

Pois bem, assinei a luz da ópera e juro que nunca 'suei tanto a minha careca' durante um espetáculo. Schlingensief trabalha de uma forma muito particular e 'antropológica', haja visto a repercussão que o seu "Parsifal" (africano!) causou na 'casa' de Wagner em Bayreuth!
Ele me pedia alguns 'climas' durante os ensaios de palco, já que interagia constantemente com videos e filmes editados e gravados Manaus à dentro, com locações na floresta, nos rios e no carnaval manauara.
Nunca marcou uma sessão de gravação de luz, como estamos acostumados a fazer próximo dos ensaios gerais. Me deixava sempre operando a mesa de luz de forma manual e coordenando, por rádio, oito técnicos com canhões seguidores. Eu disse MANUALMENTE!

Quem já assistiu grandes espetáculos de ópera sabe da complexidade que envolvem certas produções. Agora imagina uma ópera wagneriana com umas três horas de duração, com filmes projetados em telas, tules, partes do cenário, num palco giratório que mudava constantemente o cenário e as ações da cena!
Eu implorava para seus assistentes marcarem com ele um dia para gravarmos tudo, já que eu estava quase enlouquecendo, nem tinha tempo de acompanhar a partitura, não desgrudava os olhos do palco e estava a beira da histeria com a minha equipe. Pois sabe o que ele me disse da forma mais cândida e com um sorriso encantador:
- "Caetano, tudo está incrível, você é um gênio! A luz é como a vida, se modifica a cada dia, a cada apresentação, fique livre para criar e mudar."

Eu relaxei, criei e cada espetáculo foi absolutamente diferente um do outro. E para melhor!
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Durante a sua estada em Manaus Schlingensief estava com sérios problemas familiares, havia acabado de perder um ente querido e tinha outro num estado bem delicado, soube pouco depois que perdeu este também. Alguns meses depois recebemos a notícia de que ele estava com câncer e sofrendo com as sessões de quimioterapia.
Acompanhamos sua luta sendo informados por amigos em comum, sabia que ele já estava um pouco melhor e que começava novos projetos. Daí vê-lo nas fotos de apresentação do júri da Berlinale foi uma alegria imensa.

Parabéns querido, um grande beijo e não se esqueça "a vida também é como a luz, se modifica a cada dia!"

5 de fev de 2009

Philip Glass fala sobre Gerald Thomas

Para entender um pouco mais sobre o teatro de Gerald Thomas, e também entender como o teatro brasileiro só ganhou com a sua presença e suas montagens.


Philip GLASS on Gerald THOMAS from Patrick Grant on Vimeo.

1 de fev de 2009

Faço minhas as palavras do Kfouri

Da capa da "Veja" desta semana passando por todos os colunistas importantes dos principais jornais do país (não só da área esportiva) o assunto é um só: o 'caso' Robinho.
Muito bem resumido na manchete da revista semanal a pergunta que não quer calar é: "Por que eles nunca crescem?", embora a resposta seja 'óbvia ululante', lembrando a expressão do também futebolista Nelson Rodrigues, ela foi bem defendida mais uma vez pelo jornalista Juca Kfouri na "Folha" deste domingo.
Para quem não leu, reproduzo o texto aqui embaixo, já que a versão online é apenas para assinantes. Dizer mais seria supérfluo!

São Paulo, domingo, 01 de fevereiro de 2009

JUCA KFOURI


Ricos meninos pobres

Dos milhões que são gastos na aquisição de craques, uma parte deveria ser investida na cabeça deles

ROBINHO, ADRIANO , Ronaldos.
Tantos.
Indiscutivelmente talentosos com a bola nos pés, mas desastrados longe dela.
Ricos nas contas bancárias, mas pobres de espírito.
Suas vidas se resumem ao futebol e às baladas, às baladas e ao futebol.
Estrelas populares cujos brilhos diminuem à medida que o tempo passa e cujo desgaste afasta da atividade principal, mãe de todas as outras, o jogar futebol bem, maravilhosamente bem. Mas que importa?
O futuro sem preocupações materiais já está garantido!
Mal sabem, ou alguns até já sabem, que, de repente, bate uma nostalgia, uma vontade louca de voltar a ser, de olhar para as arquibancadas lotadas em uníssono saudando o nome do ídolo.
Ídolo, que ídolo?
Ex-ídolo.
Ex-ídolo do Santos, do Real Madrid, do Flamengo, da Inter, do Barcelona, do Milan.
De tantos.
E com saudade de estufar a rede, de correr para o abraço, de eventualmente correr para o alambrado e comemorar com os pobres, mas ricos em emoção.
Emoção que vicia e que eles vão buscar na noite e em suas atrações.
Sejam as que alucinam, sejam as que excitam, sejam quais forem, mas incompatíveis com o correr 90 minutos, com o bater forte, com o apanhar doído, com o jogar de cabeça erguida.
Cabeça, que cabeça?
Sim, as cabeças precisam ser tratadas até para conviver com tanta facilidade -Diego Maradona e Walter Casagrande Júnior que o digam. E quem gasta tanto para tê-las, por que não gastar uma ínfima parcela para tratá-las?
Futebol, sexo, drogas e rock and roll. Bela mistura. Doutor Sócrates não vai gostar, Xico Sá vai ridicularizar, mas o fato é que a vida exige opções. Ou bem se faz uma coisa ou bem se fazem outras.
Algumas, ao mesmo tempo, são simplesmente incompatíveis.
Salvo raras exceções, rigorosamente extraordinárias como Romário, baladas diárias e futebol duas vezes por semana não ornam, não casam, repelem-se.
E é o que mais temos visto por aí, a ponto de até Pelé reclamar, ele que sempre cuidou do físico para poder reinar mais tempo, sem nunca ter sido santo, ao contrário.
"Quero fulano para jogar no meu time, não para casar com a minha filha", eis aí, de novo, a frase emblemática que até fazia sentido para os tempos românticos. Mas não faz mais, quando talento e saúde são exigidos quase em igual proporção.
E não se trata de moralismo, conservadorismo, reacionarismo, nada disso. São meras constatações, basta olhar para o momento vivido, hoje, pelos acima citados.
Não é preciso ser bom moço carola feito Kaká, mas também não precisa exagerar.
Porque o exagero torna até a curtição mais curta.
E a exposição desnecessária deles e o mole que dão beiram tanto as raias do absurdo que se confundem até com burrice, embora, de fato, sejam, apenas (?!), frutos de má, de péssima orientação.
É preciso cuidar deles.

blogdojuca@uol.com.br