31 de mar de 2009

"Um tapa na cara de quem se dispõe a amar"

Ainda sobre "A Voz Humana", direto do Blog do João Luiz Sampaio:

31.03.09

Três despedidas
por João Luiz Sampaio, Seção: Idéias soltas 13:49:35.

O telefone toca, uma, duas, três vezes antes da ligação aguardada. No texto de Jean Cocteau, a mulher abandonada anseia por uma última conversa com o homem que ama – e a trocou por outra. Sonha, ao telefone, com a volta. Agride, sente-se agredida; parte, volta; implora, afasta-se. Em A Voz Humana, o texto de Jean Cocteau e a música de Francis Poulenc se articulam entre a palavra e o silêncio. O tema é a ausência. Com quem essa mulher fala? Será que fala mesmo com alguém? E se cada linha cruzada, cada ligação perdida fossem apenas momentos de alternância da mente de uma mulher à beira do fim? Céline Imbert é uma grande atriz. Na concepção do diretor Caetano Vilela, abre o espetáculo como uma cantora de cabaré. Canta Piaf. É aclamada pelo público e, em seguida, se depara com a ausência dos holofotes. Busca ao telefone, naquele homem que anseia, aquilo que não sente mais dentro de si. São poucos mas diferentes momentos os que compõem a cena. E Céline cria para cada um deles uma marca inconfundível, acompanhada de perto pela regência de Abel Rocha. "A Voz Humana" é um tapa na cara de quem se dispõe a amar.
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Mais você lê por aqui!

30 de mar de 2009

Do mundo das "Fadas" para a Floresta Amazônica.


Imagens oníricas de um sonho possível: "As Fadas", primeira ópera de Wagner encenada por Emilio Sagi

Estreou no Châtelet - e vai até 08 de abril - em Paris a primeira ópera composta na juventude pelo 'über' compositor alemão Richard Wagner, trata-se de "Die Feen" (ou em sua versão francesa "Les Fées", que podemos traduzir por "As Fadas").
Esta é uma das estréias mais importantes e aguardadas da Europa (com destaque de 10 páginas na tradicional Opéra Magazine!), assinada pelo 'workholic' encenador espanhol Emilio Sagi, que levou à Paris toda a sua equipe para realizar um espetáculo de colorido magicamente 'kitsh' e sofisticado (sim, estas qualidades podem andar juntas).
Os infortúnios amorosos da fada Ada e do príncipe Arindal são lançados no palco de forma feérica nos remetendo diretamente para o terreno dos sonhos e por que não dizer... dos contos de fadas.

Também um clip já disponível no YouTube:


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Terei o prazer de trabalhar com Sagi neste ano. Ele assinará a encenação de "Sansão e Dalila" que abre o XIII FAO (Festival Amazonas de Ópera) onde assino o desenho de luz. Ele esteve no Brasil pela primeira vez no final do ano passado para conhecer toda a equipe que trabalhará nesta produção: o maestro Luiz Fernando Malheiro, os cenógrafos Leonardo Ceolin, Carlos Pedreañez, o figurinista Olintho Malaquias e o coreógrafo Jorge Garcia.

Emilio (camisa florida com as mãos nos bolsos) em São Paulo no final do ano passado com sua equipe, conhecemos um pouco mais sobre o que ele pensa sobre "Sansão e Dalila"

Abaixo, pequeno video da maquete:

De volta ao começo

Terminou neste domingo a temporada de "La Voix Humaine/A Voz Humana" no Teatro S.Pedro-SP, com um pouco mais de público é verdade, e muito sucesso para toda equipe envolvida, especialmente para Celine Imbert, Abel Rocha e, claro 'moi aussi'. Enquanto recebiamos os cumprimentos ao final do espetáculo no saguão do teatro, a equipe desmontava rapidamente (25 minutos!) luz e cenários.
Sempre me dá um nó na garganta quando vejo desmontar produções da qual participo (acima, foto by Viralata), principalmente a rapidez com que tudo desaparece do palco. Devia já estar acostumado depois de mais de 40 óperas no curriculum (fora peças, shows, eventos, etc...) mas sempre me emociono vendo tudo que criei sendo desmontado, empilhado, transportado e (se tiver sorte) guardado para uma próxima remontagem.

Nós, brasileiros, não temos o hábito de guardar nossas produções para um repertório. Não existe espaço físico para isso e quando há dificilmente conseguimos remontá-las. Quase sempre o valor da remontagem é o mesmo de uma estréia inédita, não me perguntem o por quê senão terei de elencar de a-z uma série desagradável de incompetência generalizada. Vivemos assim faz tanto tempo que parece ser tudo normal. Banalizamos a burocracia e tudo faz sentido quando conseguimos estrear alguma produção em qualquer palco que seja! A dificuldade em realizar as coisas é tanta que nos contentamos com pouco, muito pouco mesmo.
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Começo agora a arrumar as minha malas para mais uma temporada manauara. O XIII Festival Amazonas de Ópera deste ano começa sob o signo da crise!
Cortes de patrocínios, diminuição de verbas, indecisões institucionais de representantes franceses e brasileiros do Ano França no Brasil, reelaboração das leis nacionais de incentivo cultural, etc... deixam apreensivos centenas de artistas que estão há meses com suas agendas comprometidas trabalhando para o evento. Sei que esse não é um caso particular e que muitas outras produções também estão com dificuldades, o que só me deixa mais preocupado.
O que acontecerá vocês saberão em breve, assim que eu chegar por lá, torço para que tudo dê certo, como sempre têm dado nestes 11 anos que participo do FAO, memo com acertos e desacertos.
Mais uma vez: EVOÉ!!!

27 de mar de 2009

Dia Mundial do Teatro... sem público, sem política cultural, sem incentivo, sem...

Pois é, existem Comemorações e comemorações, a de hoje é 'minúscula'. Antes que alguém se apresse em nos chamar de desocupados ou "socialistas decrépitos" (sim, teve até isso num comentário para um jornal, 'reposto' logo abaixo), digo que somos tratados, com muito orgulho, "putos, veados e vagabundos" como bem escreveu Gerald Thomas num post recente em seu Blog.

Somos uma classe com tantos problemas e urgências como a dos professores ou médicos, portanto melhor se manifestar e debater o problema, pois se formos pensar que ARTE é supérfluo e precisamos antes é de educação e saúde, digo que sem ARTE qualquer cidadão se transforma em um 'mal educado doente'!
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Nesta madrugada um grupo entitulado "Movimento 27 de Março" invadiu a sede da FUNARTE (acima em foto de Hélvio Romero/AE) para chamar atenção para o descaso da leis públicas de incentivo fiscal e o próprio tratamento recebido pelos profissionais de teatro pelo Ministério da Cultura. O "Estadão" online deu destaque para o acontecimento e nos comentários sobre a reportagem merece reprodução o pensamento do 'Sr. Rolando':
- "Apesar do pretenso discurso socialista e comunista essa gente vive no desenvolvimento e bem estar que só o capitalismo produz."

E para ser mais claro na sua linha de raciocínio completa com outro comentário 9 minutos depois:
- "Venhamos e convenhamos, se o que esses senhores socialistas decrepitos fazem fosse bom eles não precisariam do dinheiro de empresas, eles mesmo poderiam bancar o que fazem. Mas como não tem público bastante para isso já que poucas pessoas querem gastar o seu suado dinheiro com as bobagens que eles fazem só resta a eles essa choradeira para tentar esconder a sua própria incompetência em conseguir plateia."

Hummm
, não comentarei o comentário do Sr. Rolando (aos aflitos digo que discordo!), acho apenas que o seu pensamento reflete o pensamento médio de muita gente. Também mostra o quanto determinados grupos de artistas estão afastados da sociedade, note bem eu disse SOCIEDADE e não público, enquantos muitos lutam 'contra a barbárie' em defesa dos seus 'espaços físicos' esquecem que do lado de fora existe uma realidade bem diferente de seus interesses.

Publico abaixo o manifesto do grupo e sugiro uma reflexão:

CARTA ABERTA AO MINISTÉRIO DA CULTURA

Hoje, no Dia Mundial do Teatro, nós, trabalhadores de grupos teatrais de São Paulo organizados no Movimento 27 de Março, somos obrigados a ocupar as dependências da Funarte na cidade. A atitude extrema é provocada pelo falso diálogo proposto pelo governo federal, que teima em nos usar num debate de mão única. Cobramos, ao contrário, o diálogo honesto e democrático que nos tem sido negado.

O governo impõe um único programa: a transferência de recursos públicos para o marketing privado, o que não contempla a cultura mas grandes empresas que não fazem cultura. E se recusa, sistematicamente, a discutir qualquer outra alternativa.

Trocando em miúdos.

O Profic - Programa de Fomento e Incentivo à Cultura, que Vv. Ss. apresentam para discussão como substituto ao Pronac, que já existe, sustenta-se sobre a mesma coisa: Fundo Nacional de Cultura - FNC, patrocínios privados com dinheiro público (o tal incentivo/renúncia fiscal que todos conhecem como Lei Rouanet) e Ficart - Fundo de Investimento Cultural e Artístico.

Ora, o Fundo não é um programa, é um instrumento contábil para a ação dos governos. Já o Ficart (um fundo de aplicação financeira) e o incentivo fiscal destinam-se ao mercado, não à cultura. O escândalo maior está na manutenção da renúncia/incentivo fiscal, a chamada Lei Rouanet, que o governo, empresas e mídia teimam em defender e manter.

O que é a renúncia ou incentivo fiscal? É Imposto de Renda, dinheiro público que o governo entrega aos gerentes de marketing das grandes empresas. Destina-se ao marketing das mesmas e não à cultura. É o discurso que atrela a cultura ao mercado que permite esse desvio absurdo: o dinheiro público vai para o negócio privado que não produz cultura e o governo transfere suas funções para o gerente da grande corporação. Diminuir a porcentagem dessa transferência ou criar normas pretensamente moralizadoras não muda a natureza do roubo e da omissão do governante no exercício de suas obrigações constitucionais. Não se trata de maquiar a Lei Rouanet (incentivo fiscal); trata-se de acabar com ela em nome da cultura, do direito e do interesse público, garantindo-se que o mesmo dinheiro seja aplicado diretamente na cultura de forma pública e democrática.

Assim, dentro do Profic, apenas a renúncia fiscal pode se apresentar como programa, um programa de transferência de recursos públicos para o marketing privado, em nome do incentivo ao mercado. Trata-se, portanto, de um programa único que não vê e não permite outra saída, daí ser totalitário, autoritário, anti-democrático na sua essência.

E é o mesmo e velho programa que teima em mercantilizar, em transformar em mercadoria todas as atividades humanas, inclusive a cultura, a saúde e a educação, por exemplo. Não é por acaso que os mesmos gestores do capital ocupam os lugares chaves na máquina estatal da União, dos Estados e Municípios, coisas que conhecemos bem de perto em nosso Estado e capital, seus pretensos opositores.

E esse discurso único não se impõe apenas à política cultural. É ele que confunde uma política para a agrícultura com dinheiro para o agronegócio; que centra a política urbana na construção habitacional a cargo das grandes construtoras; e outra coisa não fazem os gestores do Banco Central que não seja garantir o lucro dos bancos. Não há saída, não há outra alternativa, os senhores continuam dizendo, mesmo com o mercado falido, com a crise do capital obrigando-os a raspar o Tesouro Público no mundo todo para salvar a tal competência mercantil.

Pois bem, senhores, apesar do mercado, nós existimos. Somos nós que fazemos teatro, mas estamos condenados: não queremos e não podemos fabricar lucros. Não é essa a nossa função, não é esse o papel do teatro ou da cultura. Nós produzimos linguagens, alimentamos o imaginário e sonhos do que muitos chamam de povo ou nação; nós trabalhamos com o humano e a construção da humanidade. E isso não cabe em seu estreito mundo mercantil, em sua Lei Rouanet e seu programa único.

Nós somos a prova de que outro conceito de produtividade existe. Os senhores continuarão a tratar o Estado e a coisa pública apenas como assuntos privados e mercantis? Continuarão a negar nosso trabalho e existência? Continuarão a negar a arte ou a cultura que não se resumem a produtos de consumo?

Por isso, além do FNC, exigimos uma política pública para a cultura que contemple vários programas (e não um único discurso mercantil), com recursos orçamentários e regras democráticas, estabelecidos em lei como política de Estado para que todos os governos cumpram seu papel de Poder Executivo.

É esse diálogo que os Senhores se negam, sistematicamente, a fazer enquanto se dizem abertos ao debate. Debate do quê? Do incentivo fiscal. Mas nos recusamos a compartilhar qualquer discussão para maquiar a fraude chamada Lei Rouanet.

Queremos discutir o Fundo. Mas queremos, também, discutir outros programas e oferecemos, novamente, o projeto de criação do Prêmio Teatro Brasileiro como um ponto de partida. Os Senhores estão abertos a este diálogo?

Movimento 27 de Março

São Paulo, Dia Mundial do Teatro e do Circo

25 de mar de 2009

Onde você estava às 21h? (ou: Teatro S.Pedro, de quem é o descaso?)

A estréia de "A Voz Humana" foi muito boa, eu e minha equipe fizemos um lindo espetáculo (sorry a falta de modéstia, está lindo mesmo!), o maestro Abel Rocha com a competência e carisma que lhe são naturais, Celine Imbert estava de Celine Imbert, ou seja: apaixonadamente intensa, entregue e se peca é por excesso de talento!

Só teve um probleminha chato, e recorrente: CADÊ O PÚBLICO???
Com o Teatro Municipal fechado para reformas só nos resta o simpático Teatro S.Pedro no bairro da Barra Funda (que eu costumo chamar - debochadamente - de nosso "Beireuthfunda"!), bem localizado, com fosso para uma orquestra pequena e pasmem, não é daqueles teatros que dá medo de entrar aparentando estar decadente. O S.Pedro é bem cuidado (até demais, diria, uns preguinhos no palco dariam mais vida para ele e facilitaria muito a nossa vida, mas entendo o 'processo') e visto com carinho na região. Mas, repito, cadê o público que não comparece, deixando uma estréia com meia casa (não é a primeira vez que faço espetáculos por lá e ... NADA, vazio)?
Será que a culpa é nossa, nós artistas não conseguimos nos comunicar? Ou é falta de divulgação? Ou administração, crise, boa vontade, títulos importantes, desinteresse, violência, chuva, calor, ópera, etc, etc...

DÉJÀ VU

Tenho um projeto antigo de dirigir "The Turn of the Screw/A Volta do Parafuso" de Britten, em cima de um conto de Henry James, meus produtores (Artematriz) depois de anos de insistência conseguiram ganhar o edital deste ano justamente no S.Pedro para estrearmos em outubro. A verba é pequena, estamos atrás de leis de incentivo, complemento de verba, blá, blá, blá... mas será que valerá a pena tanto esforço?

O crítico e jornalista do "Estadão" João Luiz Sampaio resumiu toda a minha angústia (e me deixou muito mais angustiado) em um post recente ("Teatro S.Pedro: perguntas sem resposta") no seu Blog no jornal:
- "No ano passado, foi lançado o edital para a seleção de produções que ocupariam o teatro em 2009 (...) Nos bastidores do mundo musical as informações são de que o governo não vai patrocinar nenhuma das montagens selecionadas no edital; sobram repercussões de comentários do início da gestão Serra, quando o secretário João Sayad questionou a decisão de seu antecessor, João Batista de Andrade, de fazer do São Pedro espaço dedicado exclusivamente à ópera. Talvez não por acaso, nos últimos dois anos as temporadas do teatro aconteceram aos trancos e barrancos, com títulos sendo anunciados e cancelados, falta de patrocínios."

E depois de muitas perguntas sem resposta 'oficial', completa:
- "Não se trata de defender a reserva de mercado para a ópera, nada impede que ela possa conviver harmoniosamente com outras manifestações artísticas. O que se pede é uma política cultural, de investimento e ocupação que dê sentido ao teatro e que o tire de uma vez por todas da ventania inconstante das vontades políticas. E isso só acontece com discussões concretas sobre o assunto."

Encerrando até mais desanimado do que eu:
- "O São Pedro continua a ser o palco do descaso."

E vocês, onde estavam que não foram?
Depois nosso pequeno "Beireuthfunda" vira templo evangélico, estacionamento ou é invadido pelo MST e aí não vai adiantar reclamar.
Pode haver descaso político mas nunca descaso público! Vá ao teatro, se gostar OVACIONE e se não gostar do que viu solte uma VAIA, bem alta e sonora, o quê não dá é ficar nesta pasmaceira!

"La Voix Humaine", é hoje!

Segue abaixo o texto que escrevi para o programa do espetáculo "La Voix Humaine/A Voz Humana" que estréia hoje com Celine Imbert.
Antes de tudo muito obrigado a toda a equipe envolvida nesta produção!
MERDA!!!
...

Novamente mais uma chamada recebida

A primeira vez que Celine Imbert cantou “A Voz Humana” eu estava na platéia e ainda não a conhecia, já na segunda vez, com regência de Abel Rocha, e novamente dirigida por Iacov Hillel, eu trabalhava como assistente de direção e iluminação e, quem diria, iniciava ali uma grande amizade e parceria!Nem pisquei os olhos em atender novamente esta chamada do maestro Abel para assinar esta nova encenação!

Discutindo a concepção do espetáculo, Abel me sugeriu pensar num prólogo para a “Voz”, menos pela musica que já fala por si, mais pelo caráter teatral da personagem.
Ampliei então a conexão com a solidão, esperança e desespero que cruza esta personagem de uma forma às vezes patética e por outras, simplesmente, triste mesmo cuja lembrança com Piaf (melhor amiga de Cocteau) não seria mera coincidência.

Diz a lenda que Cocteau, soube da morte de Piaf pelo radio e enfartou, morrendo no mesmo dia da amiga! Minha homenagem a esses amigos, literalmente inseparáveis, foi transformar esta “Mulher” numa cantora de cabaret, interpretando neste ‘prólogo’ canções que recriam seu ‘estado de espírito’ antes do primeiro toque do telefone, fechando assim um ciclo de espera e melancolia.

No século da comunicação digital não existe mais linhas cruzadas, estamos ainda solitários a espera de um simples “Eu te amo!”.


Se Joga:
Ópera: "La Voix Humaine/A Voz Humana" de Poulenc, libreto Cocteau
Regência: Abel Rocha
Direção Cênica, Concepção e Iluminação: Caetano Vilela
Cenários: Chris Aizner
Figurino: Olintho Malaquias
Fotos: Jefferson Pancieri

Teatro S.Pedro, dias 25, 27 e 29 de março
Fone: 11-3667.0499

23 de mar de 2009

"Radiohead": antes, durante e depois de um show HISTÓRICO

Se nesta madrugada fosse meu último dia de vida teria morrido feliz! O 'über' espetáculo que o "Radiohead" apresentou ontem, e foi até a madrugada desta segunda, valeu a espera de todos esses desencontros anunciados da vinda da banda para o Brasil. Foi absolutamente impecável e compensou uma certa desorganização dos produtores, desculpados pelos fãs mais aguerridos!

ANTES

Por questões éticas e para não baixar o nível nem comentarei o DJ de FM que 'flopou' total o 'warm up'.
Daí...
Pois bem, se no Rio a abertura dos "Los Hermanos" foi horrível, segundo uma parte da imprensa e todas as comunidades afins do orkut, devo confessar que a versão paulistana foi muito boa e bem recebida pelo público que cantava a sequência de qualquer fonema emitido por qualquer barbudo presente no palco. Gosto dos caras, achei honesto e bacana esta volta. Mesmo com 12 lâmpadas 'PAR' iluminando o palco com as varas abaixadas (banda que abre show pra 'top' é pior que peça infantil dividindo palco com 'espetáculo nobre', ou seja não tem direito a nada e todos estão de acordo, ponto final!), o que tornava tudo beeemmm universitário, se é que vocês me entendem!

E o quê dizer dos persistentes (para muitos: insistentes!) 'tiozinhos' do "Kraftewerk"? Bom, eu digo que nos anos 80 eu era um adolescente que gostava de quase tudo e curtia os caras, o negócio é que eu cresci, eles estacionaram numa 'autobahn' sem produzir nada de novo e eu não uso drogas para 'viajar' nessa eletrônica anacrônica. Ou seja, achei bem inadequado a presença dos caras, ainda mais com o que estava por vir. Foi, como bem diria um amigo meu um momento "lúdico exótico".

DURANTE



Hipnótico!
Foi o estado de espírito que tomou conta aos primeiros minutos da entrada de Thom York e banda em cena. Se alguém tinha alguma dúvida de que a luz 'LED' é o futuro, com certeza depois do show mudou de opinião ao ver aqueles tubos (não, não eram de 'pvc', como debochava um moleque na minha frente, em seguida apoplético com os efeitos) de 'LEDs' se transformando a cada musica, ritmo ou movimento da banda.
O palco era multiplicado em camadas tridimensionais indescritíveis de efeitos de luz, camadas triplicadas pela onda sonora vinda dos 'P.A.s', quem já ouviu os discos dos caras sabe que toda aquela sofisticação sonora, fruto de meses de estúdio, é extremamente difícil de ser reproduzida ao vivo. Pois pasmem, soou até melhor!

Cheio de rock, com uma certa influência 'eletro-jazzistíca', o 'beau' da guitarra Johnny Greenwood foi aclamado pela multidão que gritava o seu nome - acho que nem ele acreditou - até ousou levantar a imensa franja que cobre seu lindo rosto todo o tempo e sorriu encabuladíssimo.
Já Yorke estava assustadoramente deslumbrante, parecia um anjo do apocalipse trazendo as boas novas (tá certo que em muitas vezes nem eram 'tão boas' assim), seu estranho carisma era... eu já falei hipnótico? Então digo que era HIPNOTIZANTE!
Seu registro vocal que por vezes chegava a uma espécie de lírico falsete em "Reckoner" ("In Rainbows") por outras vezes era grave e lento ('troppo lento' de fazer inveja ao maestro Karajan, famoso por 'arrastar andamentos') como em "Exit Music (For A Film)" ("OK Computer"), aliás foi aí que comecei a chorar chegando aos soluços com "Lucky" (OK Computer")!

Abaixo o 'set list' tirado direto do Blog do mega informado Marcelo Costa:

15 Step (In Rainbows)
There There (Hail To The Thief)
The National Anthem (Kid A)
All I Need (In Rainbows)
Pyramid Song (Amnesiac)
Karma Police (Ok Computer)
Nude (In Rainbows)
Weird Fishes/Arpeggi (In Rainbows)
The Gloaming (Hail To The Thief)
Talk Show Host (B-side - Trilha Sonora do filme Romeu e Julieta)
Optimistic (Kid A)
Faust Arp (In Rainbows)
Jigsaw Falling Into Place (In Rainbows)
Idioteque (Kid A)
Climbing Up The Walls (Ok Computer)
Exit Music (For A Film) (Ok Computer)
Bodysnatchers (In Rainbows)

Encore 1
Videotape (In Rainbows)
Paranoid Android (Ok Computer)
Fake Plastic Trees (The Bends)
Lucky (Ok Computer)
Reckoner (In Rainbows)

Encore 2
House of Cards (In Rainbows)
You and Whose Army (Amnesiac)
True Love Waits (I Might Be Wrong)/Everything In Its Right Place (KidA)

Encore 3
Creep (Pablo Honey)

DEPOIS

Daí acabou né!
Valeu cada 'nó na vértebra', todo o inchaço nas minhas pernas e toda a desorganização dos (des)organizadores. Francamente, nos tratar (pagamos caríssimo!) como peregrinos, deixando-nos ao 'deus dará' lá na 'pqp', foi o pior que gostaríamos de ter enfrentado no final de um espetáculo tão marcante!
Sem esquema de transporte público aqueles que atenderam os apelos para deixarem o carro em casa tiveram uma péssima madrugada! Ou pagaram preços pornográficos nos taxis ou mofaram nos pontos de ônibus à espera de qualquer coisa que levasse a qualquer lugar. Ou, pior ainda, dormiram pelas calçadas descompromissados, sonhando com tudo que acabaram de presenciar de bom neste dia histórico.
...

PS:
Entra aqui no Blog da banda e leia sobre a preparação para a turnê, lá você saberá que além das óbvias preocupações artísticas os caras ainda pensam "politicamente corretos" em como diminuir e emissão de poluentes por onde passam. Daí os tais LEDs, sacou?

20 de mar de 2009

Radiohead, contagem regressiva

Que ópera que nada, eu tô perdendo mesmo o sono é com a chegada da melhor banda do mundo em 'terra brasilis': "RADIOHEAD"!!!!
Contagem regressiva então... nos encontramos por lá!
Aconselho não ficar do meu lado, já que 'berrarei' todos os discos, assim como fiz com a vinda do "Pearl Jam" no Pacaembu, a melhor banda... hummm acho que eu já disse isso!!!

19 de mar de 2009

Atende o telefone por favor meu bem...

Muito bem, 'virando o disco' agora! Paralelo aos ensaios da leitura de "Travesties" de Tom Stoppard (post abaixo) também estava ensaiando a minha remontagem da ópera "La Voix Humaine/A Voz Humana" de Poulenc baseada na peça de Cocteau, com Celine Imbert e regência de Abel Rocha.

Eu e Celine Imbert (foto: Jefferson Pancieri) após um ensaio, da minha primeira montagem em 2007, de "A Voz Humana". Nestes 10 anos de amizade já dirigi nossa 'diva lírica' em 4 óperas e 1 show, também a iluminei em dezenas de outros espetáculos. Um privilégio para poucos artistas!

Este texto, vocês sabem, foi escrito para Edith Piaf grande amiga de Cocteau, (que o interpretou no teatro de prosa), ambos faziam parte de um animado e criativo círculo de amizade na Paris dos anos 50.
Faço homenagem a ambos, transformando o papel da "Mulher" numa cantora de cabaré e reproduzindo o "Homem" (que nunca aparece em cena, somente sabe-se dele pelo telefone) como uma escultura de um rosto gigante no apartamento dela. A reprodução desta escultura é de um desenho que Cocteau fez do seu amante e ator Jean Marais, rosto lindo e muito popular do cinema francês.

Um dos vários trechos lindos da ópera é quando ela canta:
- "Pour les gens, on s'aime ou on se déteste. Les ruptures sont des ruptures. Ils regardent vite. Tu ne leur feras jamais comprendre... certaines choses (...)"
Acho que nem precisa de tradução, não é mesmo?
Estreio no dia 25 de março, em breve falarei mais, abaixo um trecho da cena final do espetáculo durante um ensaio técnico na primeira montagem em 2007, portanto não reparem na mão da minha assistente colocando um telefone após um blackout!




Se Joga:
"La Voix Humaine/A Voz Humana"
Direção Musical e Regência: Abel Rocha
Direção Cênica, Concepção e Iluminação: Caetano Vilela
Cenário: Chris Aizner
Figurino: Olintho Malaquias
Teatro São Pedro/SP, dias 25, 27 e 29 de março
...
Publicado simultaneamente com "Viralata Reloaded".

17 de mar de 2009

Pérolas 'stoppardianas'

Ensaio, antes de abrir para o público, no auditório da "Folha"

Muito bem, a leitura que dirigi com a "Cia. de Ópera Seca" de "Travesties" de Tom Stoppard foi realmente um excelente exercício para testarmos o texto com o público. Na verdade foi um teste para nós mesmos, já que com exceção de mim e do Pâmio, os outros atores tiveram o texto poucos dias antes de ensaiarmos (apenas uma vez) para o encontro na "Folha".
Claro que para tudo fluir e não enfastiar a platéia dei uma 'enxugada' no texto. No pré-ensaio a leitura na íntegra deu aproximadamente 3h30 de leitura e mostrá-lo assim, ainda cru, sem encenação seria um passo para adquirir novos inimigos!

Por enquanto o meu muito obrigado ao elenco, "Folha", Gerald, produtores e a equipe do espetáculo. Entraremos agora nos meandros das leis de (des)incentivo e apostamos nossas fichas que consigueremos patrocínio para estrear no segundo semestre sem muitos percalços pela frente... toc-toc-toc!!!
...

Aos que não puderam estar presentes e também aos que ficaram curiosos envio algumas 'pequenas pérolas stoppardianas':

"Fazer as coisas entendidas por Arte não é mais considerado a real preocupação do artista. Na verdade isso é até menosprezado. Hoje em dia, um artista é alguém que faz a arte dar significado às coisas que ele faz."

"O que é um artista? De cada mil pessoas no mundo, novecentas estão dando duro, noventa estão se dando bem, nove estão fazendo o bem, e um único filho da puta sortudo é o artista."

"O que seria da Guerra de Troia se ela não tivesse sido passada adiante pelo toque de um artista? Pó."

"Sempre achei que a ironia nas camadas mais inferiores é o primeiro sinal do despertar de uma consciência social."

"Eu não fazia ideia de que os poetas se interessavam por literatura nos dias de hoje."

"(...) quanto mais à esquerda você estiver politicamente, mais burguesa eles querem que sua arte se torne."

"A curiosidade intelectual não é uma coisa tão comum a ponto de nos darmos o luxo de desencorajá-la."
...


Lembrem-se que estes são trechos de uma peça de teatro e que não, necessariamente, expressam a opinião do autor já que estas frases são ditas à personagens em réplicas e tréplicas tão saborasas quanto.

16 de mar de 2009

Última chamada! Na "Ilustrada" de hoje:

Última chamada! Na "Ilustrada" de hoje:

São Paulo, segunda-feira, 16 de março de 2009


Peça do inglês Tom Stoppard é lida hoje na Folha

"Travesties" flagra efervescência de Zurique no fim da década de 1910, quando lá moravam Tristan Tzara, James Joyce e Lênin

Caetano Vilela dirige Cia. de Ópera Seca em leitura aberta ao público; texto não dispensa metalinguagem característica do escritor


Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem


Elenco e diretor (ao centro, de camisa verde) de "Travesties' durante ensaio para a leitura

DA REPORTAGEM LOCAL

Na Zurique de 1917, consta que o revolucionário Lênin (1870-1924), o precursor do dadaísmo Tristan Tzara (1896-1963) e o escritor James Joyce (1882-1941) viviam na mesma rua, mas nunca se cruzaram.
O dramaturgo inglês Tom Stoppard "consertou" esse infortúnio histórico em "Travesties", peça de 1974 lida hoje, no auditório da Folha, com direção de Caetano Vilela -que pretende montá-la como "Farsas Burlescas".
No enredo, a sala da casa do funcionário da embaixada britânica Henry Carr (outra figura que de fato existiu) e uma biblioteca da cidade suíça acolhem encontros ocasionais do trio de notáveis.
O relato é conduzido pela memória de um Carr já velho, cheia de imprecisões e solavancos -mas capaz de manter intactas as discussões sobre a função política do artista e o estado da arte em regimes totalitários que pautaram sua relação com as figuras históricas. Como é caro a Stoppard, a dramaturgia de "Travesties" tem traços de metalinguagem.
Aqui, ele dialoga com "A Importância de Ser Fiel", crítica de costumes de Oscar Wilde (1854-1900): ator diletante, Carr é convencido a participar de uma montagem do clássico.

Ópera Seca
Vilela, que faz sua estreia como diretor da Cia. de Ópera Seca (fundada por Gerald Thomas), conta que descobriu o texto durante a preparação da ópera "Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk", há três anos: "Pesquisando a censura dessa ópera [pelo Partido Comunista russo, em 1936], cheguei a autores contemporâneos que tratavam de arte e poder. E Stoppard era um deles. Quis adaptar "Rock'n'roll" (2006), mas os direitos tinham sido comprados. Então me lembrei do 'Travesties'".
Em uma conversa telefônica, Stoppard avisou: "Veja bem, esse é um dos meus textos mais difíceis. Você não sabe onde está se metendo". O diretor não se assustou: "Apesar do discurso político sobre o papel do artista na sociedade e da linguagem elaborada, ele mesmo disse que não era para ver a peça como tese: tratava-se de uma comédia, um divertimento". (LN)


LEITURA DA PEÇA "TRAVESTIES"
Quando: hoje, às 20h
Onde: auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, Campos Elíseos)
Quanto: grátis (inscrições pelo tel. 3224-3473 ou pelo e-mail eventofolha@grupofolha.com.br, das 14h às 19h)
Classificação: não indicada a menores de 14 anos

13 de mar de 2009

Fenômeno passivo!

E aí "quetimeteu"?

Gente o Ronaldão enlouqueceu? Que história é essa de responder ao "Altas Horas" sobre sexo e concentração antes dos jogos com:
- "(...) Agora, falando sério, acho que não dá nada e não interfere. Não tem estudo comprovando que tenha alguma restrição. Na dúvida, melhor ser passivo"

Depois a gente pega no pé e dizem que é implicância!

11 de mar de 2009

Leitura de "Travesties" na Folha!

Queridos, comecei a divulgação do meu novo projeto de direção para teatro, já comentei por aqui sobre este texto fantástico de Tom Stoppard que montarei no segundo semestre com a "Cia. de Ópera Seca", pois está aí a matéria que saiu (outras ainda virão nesta semana e no dia da leitura) no Guia da Folha Online.
Espero todos lá... desde que sigam os passos abaixo, sorry o auditório é pequeno e é melhor correr para o e-mail ou telefone, costuma lotar!


Guia da Folha Online
10/03/2009 - 19h12

"Travesties", texto inédito de Tom Stoppard no Brasil, ganha leitura na Folha

As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações

MAIARA CAMARGO
colaboração para a Folha Online

A Folha promove em seu auditório na próxima segunda-feira (16), às 20h, a leitura dramática da peça "Travesties", inédita no Brasil. O texto do escritor e dramaturgo inglês Tom Stoppard ganha direção de Caetano Vilela e encenação da Cia. de Ópera Seca. A tradução é de Marco Antônio Pâmio.

Divulgação
Projeto marca a primeira direção da Companhia de Ópera Seca assinada por Caetano Vilela
Projeto marca a primeira direção da Companhia de Ópera Seca assinada por Caetano Vilela

Os interessados devem se inscrever gratuitamente nesta quinta (12), sexta (13) e segunda-feira, das 14h às 19h, pelo telefone 0/xx/11/3224-3473 ou pelo e-mail eventofolha@grupofolha.com.br. É preciso informar nome completo, RG e telefone.

Escrita nos anos 1970, a comédia se passa em 1917 --durante a Revolução Russa--, na cidade suíça de Zurique, e reúne personagens reais e fictícios. No palco, o escritor James Joyce, o poeta Tristan Tzara e o líder político Vladimir Lênin (1870-1924) se juntam a personagens de "A Importância de Ser Prudente", obra de Oscar Wilde.

"O texto é uma grande farsa que discute a função do artista e da política na arte contemporânea, além do papel da revolução nas artes", explica Caetano Vilela, que assina a direção da leitura. O trabalho marca a primeira vez que a Cia. de Ópera Seca é comandada por outro diretor que não Gerald Thomas.

Divulgação
Pâmio (à esq.), tradutor de "Travesties", durante visita a Tom Stoppard em Londres
Pâmio (à esq.), tradutor de "Travesties", durante visita a Tom Stoppard em Londres

Sessão dupla

A obra, que nunca foi encenada na América do Sul, está em pré-produção e deve estrear no circuito em outubro deste ano, em teatro ainda não definido, para uma temporada de três meses. "Essa é a primeira leitura pública do texto, e nosso projeto é que ele seja apresentado em um programa duplo, com encenação da obra que inspirou Stoppard", explica Vilela.

A ideia é reunir "Travesties" e "A Importância de Ser Prudente" no mesmo teatro, em apresentações paralelas. Vilela ainda esclarece o significado do título da montagem. "O espetáculo nada tem a ver com o termo 'travestis', mas trata de um estilo teatral baseado na paródia, que também é utilizado na peça de Oscar Wilde."

A leitura de "Travesties" reúne os atores Fabiana Gugli, Marco Antônio Pâmio --também responsável pela tradução da obra--, Sabrina Greve, Anette Naiman, Laerte Mello, Germano Melo, Mauro Wrona e Theodoro Cochrane.

Al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, região central, São Paulo, SP. Seg. (16): 20h. Grátis. Não recomendado para menores de 14 anos.

9 de mar de 2009

+ Cultura, no caso falta de (ou: ainda querem nos passar a perna)

Sobre a puxada de tapete na calada da noite, na última quinzena de dezembro, o 'presente de grego' que o governo deu para nós artistas e produtores culturais. O maestro Júlio Medaglia e o produtor Paulo Pélico já se manifestaram em artigo na "Folha" e circula pela rede um abaixo assinado para tentar reverter a situação. O presidente da FUNARTE, e também ator, Sérgio Mamberti já se manifestou demonstrando estar a favor da causa e que, sim, ela é séria, mas nada pode fazer enquanto o ministro da Cultura voltar de umas viagenzinhas pelo exterior.... hummmm aguardamos então.

Dá uma lida abaixo e entra no link se concordar com 'a causa'. O Brasil agradece, ia dizer 'a classe agradece' mas é que isto fere diretamente toda produção cultural brasileira, então vê lá:

To: Governo Federal e Congresso Nacional

MENOS IMPOSTOS PARA A CULTURA, MAIS DESENVOLVIMENTO PARA O BRASIL

Na segunda quinzena de dezembro de 2008, quando a atenção de todos se voltava para a virada do ano, o Governo sancionou a Lei Complementar nº 128/08, que prejudica – e muito – as produtoras audiovisuais, de artes cênicas, escolas de arte e os produtores de cultura em geral.

Com a lei as empresas de produção cultural, que haviam conquistado o direito de participar do Simples, e estavam enquadradas nos anexos III e IV da LC nº 123/06, foram reenquadradas no Anexo V, em decorrência do disposto pelo art.3º da LC nº 128/08. Isso representou altíssima majoração na carga tributária do setor, que incide sobre a arrecadação bruta, passando do mínimo de 6% na lei anterior para o mínimo de 17,5% na nova lei.

Num cenário de crise econômica mundial, em que o Governo estimula setores da economia com desoneração tributária e vultosos empréstimos para investimento, é inadmissível que o setor cultural seja sacrificado com tal medida, a qual provocará milhares de demissões no segmento. Atrelado a isso, o Ministério da Cultura teve seu orçamento cortado em 78% e propõe a alteração de principal mecanismo de financiamento à cultura.

As medidas contrariam a tendência mundial de investimento e incentivo público ao setor econômico que mais cresce, gera empregos e sustentabilidade no mundo.

Diante de tamanha insensibilidade governamental, as pessoas e organizações abaixo assinadas, que representam artistas, produtores, produtoras, empresas que geram emprego e renda na área, vêm a público repudiar o aumento da carga tributária do setor e pedir providências urgentes do Executivo e do Legislativo no intuito do retorno à carga tributária anterior.

Sincerely,

The Undersigned com/mod_perl/signed.cgi?ip9s1234>
http://www.PetitionOnline.com/ip9s1234/

6 de mar de 2009

Ainda sobre Política Cultural (ou: eu disse política cultural?!)

Já manifestei meus desencantos com a ausência de uma política cultural diversas vezes 'neste canil'. Eu disse POLÍTICA CULTURAL?! Sim, disse e sei também que num País onde um governo lança um programa (falei PAC?) nacional de investimentos em TODAS as áreas esquecendo o que significa a palavra INFRA-ESTRUTURA, sei que falo sobre o terreno da 'ficção' sobre a inexistência de uma política cultural (desta vez minúscula mesmo). E antes que os 'fundamentalistas' que odeiam artistas (bem, digo isso depois que o Gerald republicou um post meu recentemente, vocês viram quanta revolta nos quase 300 comentários?!) possam se manifestar, volto ao tema.

É sintomático como o "Caderno 2" do "Estadão" desta quinta dialoga, em reportagens diferentes, na capa e contra-capa do jornal. Na capa temos chamada para a estréia de mais um musical de sucesso da dupla vitoriosa Claudio Botelho e Charles Möeller: "Os novos passos de Möeller e Botelho". Se você não gosta de musical é outro problema, mas nunca poderá negar o profissionalismo e a seriedade da dupla (sim, já trabalhei com ambos numa ópera de Villa-Lobos "Magdalena" onde assinei a luz). 'Os magos do musical' (conforme chamada de capa do jornal) montaram uma nova empresa com antigos sócios (as queridas Aniela Jordan, Mônica Lopes e Beatriz Braga) somente para produzir espetáculos com o nível de exigência requintado da dupla.

Daí você vai pra última página do Caderno 2 e vê lá: "A polêmica dos municipais cariocas", onde a secretária de Cultura do Rio de Janeiro, Jandira Feghali (concorreu a Prefeitura do Rio no ano passado pelo PC do B) se meteu num vespeiro ao criar comissões para decidir os ocupantes dos teatros municipais.
O problema é o 'tom' de dirigismo cultural que o ato resvalou numa discussão prá lá de inflamada entre os meus amigos 'de classe' carioca.
O próprio Claudio Botelho, por exemplo que ocupava o Teatro Carlos Gomes (lotado com semanas de antecedência em temporadas populares. Eu vi!!!) há oito anos soube de sua demissão pelos jornais e disse:
- "Teatro é lugar de artista, e não de burocrata. A comissão me parece um erro. Eu não acredito em pensamentos de grupo, e sim individuais. Agora vai cair tudo de novo na burocracia. Para comprar uma lâmpada vai ter de pedir autorização à secretaria (...) Em oito anos, não coloquei um amigo para fazer nada. Fiz o maior público do Carlos Gomes com Ópera do Malandro".

Outro ícone do teatro carioca, Domingos de Oliveira foi mais rebelde e definitivo:
- "Eu tenho mais condições de falar de teatro do que qualquer comissão da prefeitura (...) O que eu vejo é a Prefeitura querer mandar em coisas sobre as quais não entende. Se me pagarem para construir um edifício, eu construo, mas ele cai depois."

Enquanto a secretária trata os artistas com termos ultrapassados ("feudos" é um deles, quiçá anacrônico não?) e atitudes atabalhoadas de quem quer 'mostrar serviço', o risco dos teatros voltarem ao 'publico zero' é grande.
A versão online do Estadão não dá acesso para não assinantes sobre o que pensa artistas que já tiveram essa experiência como residente num teatro, destaco então o lúcido depoimento de Eduardo Tolentino que reflete bem o 'modus operandi' de um diretor nesta situação, Tolentino, diretor do Grupo Tapa, foi residente no paulistano Teatro Arthur Azevedo na Mooca entre 2003 e 2004:
- "É retrocesso a mudança na atuação dos diretores artísticos no Rio, assim como foi um passo atrás em São Paulo, quando teve fim a residência artística nos distritais. A Secretaria de Cultura do Rio não está ocupada por uma pessoa da área da Cultura, mas sim por algum acordo político. E paga-se o preço. Esse discurso de feudo é velho e equivocado. No mundo inteiro os teatros privados têm programação negociada de empresário para empresário e os espaços públicos têm diretores artísticos que definem o perfil da programação. Tem de haver sim uma comissão para avaliar se isso está funcionando ou não e com critérios que nada têm a ver com o fracasso de um espetáculo. É avaliação para ser feita a longo prazo e deve levar em conta uma série de fatores. Uma programação para o Teatro Carlos Gomes, no centro, não pode ser a mesma para o Teatro Villa-Lobos, em Copacabana. É um passo atrás mudar algo que funciona bem em outros países e aqui também. O problema é que se toma a excessão como regra. Peter Brook, Peter Hall, Kevin Spacey, Jorge Lavelli, Jérôme Savary foram ou são diretores de teatros publicos. Em Paris todos são dirigidos por artistas e cada um tem seu perfil de repertório. Quando Aderbal Freire-Filho ocupou o Gláucio Gil, em Copacabana, aquele espaço que estava abandonado ganhou outra dimensão e quando ele foi tirado de lá pelo poder público, o Gláucio Gil voltou a ser um inexpressivo teatro de bairro. Eu tremo quando tenho de entregar projetos a uma comissão porque sei o que vem; já um diretor artístico traz infinitas possibilidades. É só conferir a diversidade de repertório do espaço dos Parlapatões ou dos Satyros. Assim como a Fraternal movimentou o Paulo Eiró, em Santo Amaro, a Cia. Estável ao ocupar o esvaziado Flávio Império, em Cangaíba, mobilizou a comunidade e atraiu público.
Feudos? Pois eles saíram, foram tirados, agora o teatro está de novo vazio. O problema do Brasil é que cada governo muda tudo. Peter Brook e Peter Hall foram diretores artísticos da Royal Shakespeare e essa política, de deixar a decisão da programação nas mãos de um diretor, não muda esteja o poder nas mãos de Margarete Thatcher ou Tony Blair."

Depois desta lavada do Tolentino fico por aqui, mas em breve volto ao tema... EVIDENTE!
...

Leia também no "Viralata Reloaded" um pouco mais sobre a crise cultural e a falta de fé que a operadora TIM demonstrou num momento de dificuldade cancelando o TIM Festival. O post é: "A crise vista de diferentes ângulos em apenas três dias".

5 de mar de 2009

Anestesia

O ano começou; o carnaval acabou.
Os destroços dos carros e alegorias ainda estão abandonados, espalhados pelas ruas e terrenos baldios em vários bairros. O calor inclemente e a chuva violenta que ora cai na cidade de São Paulo serve apenas para deixar a paisagem ainda mais desoladora.
...

Não se preocupem, esta imagem é de um arquivo distante. Não corremos o menor risco deste tipo de manifestação hoje. Estamos bem.

A maquiagem dos 'caras-pintadas' derreteu e transformou os rostos daqueles, então, jovens revoltados em 'trintões' acomodados e estabelecidos no conforto dos seus interesses, aquelas passeatas cheia de vigor e testosterona daquela juventude sadia e bem nutrida, e que terminava em cervejadas nos bares ao redor do MASP, ficaram guardadas em álbums de fotos (pode parecer antiquado mas na época não existia a 'febre digital').
Cazuza à beira da morte cantou que "a burguesia fede", não, ela não fede! Não fede, nem cheira.
Está anestesiada, ou então como reagir diante de tal manchete, publicada hoje no "Estadão"?
"Pelas mãos de Renan, Collor bate PT e assume comissão no Senado"
...

P.S.: Ou o que dizer desta manchete, também do "Estadão", algumas páginas adiante:
- "Lula aumenta repasse para UNE em 20 vezes", subtítulo: "Verba, por convênio ou emenda, saltou de R$199 mil para R$ 4,5 milhões em cinco anos; entidade garante que é independente e 'incomprável'".

2 de mar de 2009

Hã? Ah tá!

Sempre aos domingos o "Estadão" traz uma coluna no Caderno 2 que se chama "Antologia Pessoal". Artistas, músicos, escritores, etc..., respondem praticamente a mesma pergunta (voltada sempre para sua área de atuação) de uma forma... pessoal.
A de ontem trouxe o escritor e mestre em teoria literária (e filho do compositor João Bosco), Francisco Bosco, surpreendentemente lindo e sedutoramente jovem, ou seja: representa um perigo, se é que você me entende!

Mas voltando ao 'terreno do moço' lembrei-me dos 'cursos oferecidos por Madame Natasha', personagem criado pelo jornalista Elio Gaspari para auxiliar o maltrato ao idioma ou mesmo 'desembaraçar' o fio da prolixidade que muitos tropeçam quando têm de enfrentar o público.
Pois não é que li, reli e treli a primeira pergunta e não tenho a mais vaga idéia do que o 'beau' respondeu! Será que ali têm a 'mãozinha' do pai, autor de indefectíveis prosódias poéticas de gosto duvidoso? Depois dizem que brasileiro não lê porque acha literatura chata.
Ah e por falar em chatice, Bosco - filho - acha que a chatice é "constitutiva da literatura moderna"... hummmm
...

Estadão: Que livro você mais relê? E qual a sua impressão das releituras?

Francisco Bosco: O leitor que relê se vê diante de um espelho diacrônico. A diferença entre o lido e o relido é a diferença subjetiva percorrida pelo leitor nesse intervalo.

Se tiver paciência e humor o resto do 'ping-pong' está aqui, boa sorte!

Um dia da caça outro do caiçara (ou: sobre um Fenômeno Priápico)

Weekend de Bofe

Sorry 'caiçaras' mas nós tricolores estamos preocupados com os colombianos que enfrentaremos na quinta!

Apenas para não dizerem que me manifesto apenas quando o meu tricolor ganha (o quê não é verdade para quem costuma perder seu tempo por aqui) 'venho por meio desta' dizer que no Santos 1 x 0 São Paulo, os santistas mereceram a vitória minguada com gol 'colombiano' do cabelo de pica-pau Molina.
Acredito que meus tricolores não acreditavam no 'trabalhão que os caiçaras' impuseram em campo. Eu mesmo não botava fé, assistia com a cabeça em outros 'colombianos', os de América de Cali já que o São Paulo enfrenta os 'andes' pela Libertadores. Pelo menos meu pai terá motivos para começar a semana feliz e ter assunto no cafezinho da firma!
Como bem lembrou o meu amigo santista e músico premiadíssimo Marcelo Pellegrini, o goleiros Fábio Costa parece ter atendido aos meus 'apelos' e trocou o modelito grená por um verde musgo depois de tanto eu detoná-lo por aqui. Mas quer saber, ainda continua 'old fashion', pronto falei de novo! kkkk
...

Fenômeno Priápico

Agindo de forma amadora, Ronaldo (foto: Paulo Pinto/AE) não mede esforços para detonar tudo o quê construiu na sua carreira

E de uma vez por todas o Ronaldo está me enchendo o saco com essas atitudes de moleque!
O cara já 'comeu de tudo' por todos os lugares do mundo (Amsterdã, Espanha, Itália e sabe-se lá onde mais) e num momento tão delicado para o time do Corinthians e mais ainda para ele próprio, resolve se jogar na noite em Presidente Prudente (?), gosh!!!
Ronaldo, depois daquele 'momento trava', está agindo de uma forma tão inconsequente que para mim pode driblar todo um time adversário e fazer gol de bike que eu já desisti do moço.