26 de abr de 2009

O processo de criação de "Sansão e Dalila" em Manaus

Pois bem, hoje é a segunda récita da ópera "Sansão e Dalila" dirigida pelo mestre Emilio Sagi aqui no FAO em Manaus, onde assino a iluminação num projeto de cenografia sofisticadíssimo e de muitíssimo bom gosto dos meus queridos Leonardo Ceolin e Carlos Pedreañez (visitem o Blog deles "La Tintota" aqui).
Mais uma vez deixo a crítica dos meus trabalhos para os críticos e dou a minha visão do nosso processo de criação - coisa aliás que não sai em nenhum lugar - e que pouca gente toma conhecimento, a menos, claro, que seja amigo ou esteja próximo da gente nas barulhentas mesas dos restaurantes e bares pós-ensaios.

Se não me falha a memória, nestes 11 anos participando do FAO, acho que esta é a produção feita mais rapidamente por toda a equipe da Central Técnica de Produção (CTP), foram 10 dias para construir cenários e figurinos que só foram vistos na sua totalidade 1 dia antes do pré-geral! Coisa que evidentemente enlouqueceu o diretor espanhol Sagi, desacostumado com nosso 'descompasso' para urgências. Só na produção de "Siegfried" que chegamos perto deste 'recorde negativo', nem preciso dizer que o inglês Aidan Lang perdeu também a 'fleuma' por várias vezes.

Claro que como sempre tudo dá certíssimo no final e os estrangeiros saem daqui boquiabertos com aquele ar de "como eles conseguem?". E claro também que tudo sempre atrasa, adia, prorroga ou é simplesmente cancelado por um único motivo: BUROCRACIA!
Talvez vocês achassem que eu fosse falar que era falta de $, óbvio que com a crise o dinheiro faltou (e MUITO), mas se não fosse a burocracia ingrata e 'kafkiana' dos orgãos públicos de todas as esferas tudo poderia ter sido diferente. Como? Por exemplo, poderíamos saber bem antes qual a responsabilidade de cada 'apoiador' neste projeto imenso que é o FAO, ou ainda quanto e como ($) exatamente o comissariado francês e os responsáveis pela programação no Brasil estariam dispostos a bancar.
O consolo é que sei que não somos os únicos prejudicados 'nesta efeméride', vários projetos foram cancelados e outros tiveram de ser redimensionados por absoluta falta de verba, consideração ou falta de comunicação. Do nosso lado não é novidade para ninguém que foram canceladas as ópera "Le Cid", que seria dirigida por uma diretora francesa e "O Diálogo das Carmelitas" que seria dirigida por William Pereira num projeto lindo com o début no FAO da ''diva cabocla' (como bem disse João Luiz Sampaio) Adriane Queiróz. Quem perde com isso não é o 'ano frança no brasil' é o Brasil mesmo!

O OLHO ESPELHADO DO PÚBLICO

Mas voltando a "Sansão e Dalila", desde o começo a idéia do Emilio era que o público fosse 'jogado para dentro do palco' numa caixa de espelhos, praticamente sem objetos de cena (apenas no II Ato, um 'sofá-língua' e um 'lustre-escultura') tudo teria de refletir, digo literalmente, perigo e sedução. Para isso o teto desta caixa funcionaria como a 'íris de um olho', fechando e abrindo, focando e desfocando os acontecimentos, guiando o público para o que ver e como ver.
Existem óperas que assistimos apenas para saber como serão resolvidos determinadas complicações impostas pelos libretistas. Em "Siegfried", por exemplo, como o jovem tenor lutará com o Dragão, em "Lohengrin" como será a transformação do Cisne em Gottfried, em "Les Troyens" como entrará o Cavalo de Tróia (me aguardem, em breve mostrarei a minha versão aqui) e em "Sansão..." como cairão as Colunas do Templo.
Não seria supresa alguma se eu disse que o teto cai, literalmente digo!

O que menos interessa para Emilio Sagi são as barbas dos hebreus, as colunas 'físicas' do Templo ou o registro histórico e realista desta ópera. Me afino com esta linha de raciocínio, penso exatamente igual para as minhas criações, ninguém aguenta mais produções com ares de 'filme épico B'. O mais difícil é encontrar a 'alma' do espetáculo. Afinal de contas as referências do público contemporâneo são muito mais 'emergentes e dinâmicas' do que acreditam muitos encenadores 'amarrados a antigas fórmulas preguiçosas'.
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Abaixo, fotos de parte do processo, pré-geral e ensaio geral por Leonardo Ceolin e Carlos Pedreañez:
Meu assistente Moiséz Vasconcellos e eu (sentado), dentro do 'olho do público'





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Abaixo o olhar de Andres Costa que saiu de São Paulo somente para nos prestigiar e acompanhou todo o processo final de montagem:





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Abaixo fotos by Viralata:

O homem por trás de tudo o que realizamos no palco em "Sansão e Dalila", Emilio Sagi

Teste para a queda do teto na a cena final

Cúpula do Teatro Amazonas iluminada com os reflexos que vem do palco

Entrada do III Ato

Abertura do II Ato

16 comentários:

Penetralia disse...

Muito interessante, ótimas fotos!

Eu vi um trecho do Caro Francis e transcrevo, ficcionalizando, um diálogo:

Periferia: ópera? Ah, adoro Carmen.

Francis: quem não gosta de ópera sempre adora Carmen.

Sônia Nolasco: eu tive vontade de me enfiar debaixo da mesa.

Abs do Lúcio Jr.

viralata disse...

haushauhs!! A-M-O Francis, conhecia esta história dele de Carmen.
Abs
querido!

Deni disse...

caetano, ficou espetacular! vontade de estar aí com vocês! bj denise

Glorinha disse...

Caetano....belíssimas fotos!!!
[[]]

viralata disse...

Obrigado meninas, hoje começo os ensaios de Troyens!!!!
bj

Sandra disse...

FOTOS LIIIIIIIIIIIIIIINDAS!!!!!!!!!!!!!

Henrique Hemidio disse...

Legal heim, celebridade...

viralata disse...

Merci Sandra... me aguarde Henrique, hehehhe
bjos

Gerald Thomas disse...

Lindas fotos!

Lindo tuso

mas sera que....

LOVE
G

viralata disse...

que...
;P

Sandra disse...

Abriu maio com chave de ouro!!!!!!!!!!!!

viralata disse...

obrigado Sandra, adoro esta foto, qdo estava afinando as luzes e vi o reflexo na cúpula logo saquei a maquina.
Bjao

Anônimo disse...

Caetano,

Nossa que fotos, que LUZ...
fiquei apaixonada pelas fotos,agua na boca para assistir...esta ai no teatro...magico demais lindo!!!
Parabens...

Susan Clayre

viralata disse...

Valeu Susan, obrigadão!!!!

Igor Santana disse...

PELO AMOR DE MARIA CLEYDE! Confesso que estou todo gozado (e cagado). Que luxo, que poder, que seduçao, que GLAMUR!

Arrependo-me amargamente de nao fazer o 'bate-volta-da-noite' só para ver essa opera ai em Manaus!

viralata disse...

'glamur' foi pouco honnnnney! kkkkk
bj