21 de abr de 2009

A queda dos pilares (ou: no rock e na guerra com GT)

Pulo da cama mais cedo do que o habitual ainda pensando no ensaio pré-geral de ontem à noite de "Sansão e Dalila". Ainda não terminei as luzes da ópera e me falta o terceiro ato, justamente o terceiro ato onde Sansão 'se recupera e derruba os pilares' em cima da injustiça e da traição, destruindo tudo e todos!

Também atrasado coma as leituras dos blogs que acompanho diariamente vejo que faz uma semana que não 'visito' Gerald Thomas com sua lucidez anárquica e me dou conta que a resposta estava ali, no seu último post.
O rock e a guerra (que nos são ainda tão caros hoje), mostra que só com uma 'derrubada de pilares' se constrói uma nova era. Obama deu o primeiro passo, o que virá depois depende dos novos aliados e ex-adversários.
Agora já sei o que fazer no último ato da ópera, depois eu conto.

Leia o texto na íntegra do Blog do Gerald:
...

We Won’t Get Fooled Again! (The Who)



Obama propõe “novo começo” a Cuba

Na abertura da Cúpula das Américas, presidente americano prossegue o xadrez de reaproximação com inimigo da Guerra Fria. Como Raúl Castro, ele diz querer diálogo direto, mas não “falar por falar” aos vizinhos. Diz que EUA não podem ser culpados de tudo.


Querem saber? Estou feliz nesse momento. Cuba não representa nada. Uma reaproximação com a Ilha poderá, no máximo, tirar a “tirania” (nossa, que português horrível!) do poder e reestabelecer os mínimos, que sejam, valores democráticos à Havana.

Que seja! Mas não seremos enganados de novo, como berrava, girava com sua guitarra, Pete Townsend em “We Won’t Get Fooled Again”. Aliás, não há nada como os deuses do Rock. Eles nos inspiram até hoje.

Quando leio o mundo de hoje, leio isso: um setor INVESTIGA O OUTRO! Parece um Kafka mal resolvido ou um Orwell mal sentenciado. Todos investigando todos. Aqui em New York temos os escândalos óbvios, mas temos a LUZ de Obama! Kafka pediu que se queimasse sua obra. Graças a Max Brod, seu grande amigo, nós a temos! Orwell reportava da Guerra Civil Espanhola, onde Franco queimava uma Espanha desunida. Chamas! Fogo! Uma era se vai.

Penso como era essa era: eu ia ao Filmore East e via o Hendrix de perto. Lá a única coisa que investigávamos era a genialidade do cara! E a nova era. Qual nova era? Pois. Agora em retrospecto, já que estamos todos mortos (porém felizes), a era de uma superhomem-idade/andróginia e PAZ, sim, a paz. NÃO, NÃO POSSO RIR ENQUANTO DIGITO!!!! Eu via o Cream tocando no Marquee, na Wardour Street e tento não rir. É que Eric Clapton e Jack Bruce e Ginger Baker não se falavam na vida real. Mas éramos todos do “bem” e do “amor” e não queríamos saber que EXISTIA a flor do mal, ou melhor, o MAL, e que CUBA, essa mesma, a da Revolução de Sierra Maestra, era ‘mocked” (satirizada) pela Carnaby Street e pelas lojas aqui da Saint Mark’s Place, nas tirinhas de Jules Feiffer e nas tironas de Crumb! Ah o mundo!!!

Não posso chorar enquanto digito! Eu era aquele que catalogava os mortos, desaparecidos, exilados, mutilados, etc. na Amnesty International em Londres na década de 70, poucos anos depois de ver o Hendrix ao vivo. A Bibba, loja incrível, tinha acabado de fechar as portas na High Street Kensington e “Blow Up” (de Antonioni, com Jimmy Page e Jeff Beck) estava nas telas. Nova era BIPOLAR. Na Bibba o que se mais vendia era uma camiseta com a cara de Che estampada enorme, em autocontraste! E Mao também!

Deixei uma de minhas “ex”, a modelo americana Ellen Kaplan, plantada em Viena e voltei para Londres, arrombei meu próprio carro (teto de lona, era um MG, que eu deixava estacionado no aeroporto de Heathrow) para não perder o show do Led Zeppelin no Earl’s Court Arena.

Foi a maior e melhor coisa que já vi. Nunca nada igual. EVER! Meu olho ficava nas mãos de John Bonham (morto), no ritmo que saía “daquilo”, porque no Rio, quando jovem, eu havia subido a Mangueira e sabia o que era um SAMBA! E como sabia! E meu outro olho ficava na guitarra de Page imaginando o inimaginável, porque em “Kashmir” todas as sinfonias se reuniam, de Beethoven até Cezar Frank. Até mesmo uma Ária de Wagner estava lá. Kashmir ainda é o maior problema entre o Paquistão e a India (ambas nações nucleares, nuclearizadas!) e, digamos assim, a constante “missile crisis” ou em estado de “Bay of Pigs”, da região deles, delas. Entra ano, sai ano, Paquistaneses, independetistas e Indianos brigam por Kashmir. E eu, eu aqui, usando um cachecol de cachemera…. Mas não! Esse é de ovelha escocesa! Sim, na época, todos quebravam suas guitarras, colocavam fogo nelas! (óbvio, nada como o capitalismo dentro da contracultura: haviam outras novinhas lá atrás). Ah, o mundo!!! As vacas sagradas da India e as vacas abatidas em Cuba! O fazendeiro que mais abatia vacas em Cuba era capa do jornal cubano que quase provocou o love affair entre Nikita Khrushchev e Kennedy, lembram? Sapatos histéricos na ONU e tudo? Éramos ou tentavamos ser vegetarianos (comiamos carne escodidos uns dos outros nos subsolos ou nos porões da contracultura: ou seja, oito andares abaixo no nivel da terra: fundo demais até para poder respirar, éramos nós e os ratos).

E agora? E AGORA? Depois de Hendrix, Zeppelin, Who, Cream… essas bandinhas de merda DE HOJE usam a mesma cozinha, a mesma merda reciclada. Não é à toa que se ouve mais Rolling Stones que nunca, mais… ah não, deixa! Um dia o Sting falou assing (com g no final mesmo, porque tudo que ele diz tem g no fim): “Lennon was nothing. Ringo was everything. Pay attention to the Beat”. Era tudo rubbish. Sting só fala bobagem, assim como eu. Mas o Police era o máximo! Não, não era não! Não era nada, comparado às bandas de antes! Música e Política. Alquimia e Religião (Carl Jung), Pintura e Revolução (Barthes, que nada), podemos juntar as partes de um quebra-cabeça de um Guatary que nunca houve ou qualquer tratado surrealista de Breton: nada será como antes: A LUZ de OBAMA ! Estamos vendo o desempenho de um novo PRESIDENTE.

QUE LOUCURA ESSES PRIMEIROS CEM DIAS!!!! O animado xadrez político-diplomático que virou a distensão das relações entre EUA e Cuba, congeladas por quase meio século, ganhou lances decisivos nas últimas horas e dominou a abertura da 5ª Cúpula das Américas, ontem em Trinidad e Tobago. Em discurso na abertura da cerimônia, Barack Obama disse que os Estados Unidos buscavam “um novo começo” com Cuba.
“Eu sei que há uma longa jornada que precisa ser percorrida para ultrapassar décadas de desconfiança, mas há passos críticos que nós podemos tomar em direção a um novo dia”, afirmou. “Eu já mudei políticas em relação a Cuba que fracassaram em avançar a liberdade do povo cubano”, continuou, referindo-se à recente decisão de liberar viagens, remessa de dinheiro e comunicações entre cubano-americanos e seus parentes na ilha caribenha.
Em resposta à declaração da véspera, de Raúl Castro, que se disse disposto a conversar sobre “tudo” com os EUA, ele afirmou: “Deixe-me ser claro: não estou interessado em falar apenas por falar. Mas eu acredito que nós podemos levar a relação entre EUA e Cuba para uma nova direção.”



Sênior e júnior

Não há mesmo! Somos todos juniors. Ou então, estamos mortos. Se não estamos ABERTOS PARA MUDANÇAS, melhor nos considerarmos mortos.

Viva Obama, por ter a coragem de abrir novas fronteiras e quebrar paradigmas retóricos! Afinal, Cuba em si, nada significa além do nada. Quanto às bandas de rock, estamos ávidos – assim como em todas as outras artes – para termos um BARACK OBAMA DO ROCK!!!!!

Gerald Thomas

7 comentários:

Anônimo disse...

Puxa Sansao e Dalila...

Magnifico...e sera apresentado aonde??Qual cidade qual Teatro....?

Jura mesmo que *inspiracao* de Luzes / tambem aparece assim...*plin-plin* lendo um texto a inspiracao aparece??
Muito curioso e interessante esse mode de criacao...

Beijos
Sorte

viralata disse...

Manaus baby, Teatro Amazonas.
Bom, na verdade a 'inspiração' aparece de várias formas, esta é só uma delas, hehehehe
valeu
Obrigado
Bj
;P

Anônimo disse...

Valeu Querido...Obrigada pela resposta...

SORTE para voces...

Beijos

Susan Clayre

viralata disse...

bisou Susan!
;P

Penetralia disse...

Oi, Caetano, como estão as coisas aí em Manaus?

Eu vi no jornal O Tempo de hoje que tem uma opereta do Offenbach que se refere a uma vida pariense em Manaus, tem isso?

E o Berlioz, sai ou não sai?

E a Ópera H, sai ou não sai?

Abraços do Lúcio Jr.

viralata disse...

Uau... muitas questões. Primeiro, na verdade esta opereta de Offenbach é "La Vie Parisien" e como tem um personagem 'brasileiro' vai virar uma 'mistureba tropical' este é o evento que encerra o FAO deste ano ao ar livre e de graça para mais de 20 mil pessoas, incrível!
Estreio hj Sansão e Dalila (luzes) e meu "Troyens" vai sair daqui a um mes, tô loco... ainda tem um balé de Stravinski que dirijo (Apollon). O resto da programação caiu por falta de patrocínio, foi triste
Qto a "H", não tivemos o apoio do SESC para criação da partitura... fiquei arrasado mas não desisti!
O problema é que temos de patrocinar esta criação do zero, se pelo menos o libreto e a musica estivesse pronta tudo seria mais fácil, mas 'sou brasileiro e não desisto nunca'!!!!
abs

Penetralia disse...

Obrigado, Caetano!

Abs do Lúcio Jr.