31 de mai de 2009

Como diria o velho Bowie...

Pra encerrar este árduo mês, vou de Bowie!
"Thursday's Child" abre o àlbum "Hours" e abre também a entrada do 'camaleão' nos anos 2000 (embora o disco tenha sido lançado em 99).
Bom domingo à todos e mando notícias de São Paulo em breve!

"All of my life I've tried so hard
Doing my best with what I had
Nothing much happened all the same
Something about me stood apart
A whisper of hope that seemed to fail
Maybe I'm born right out of my time
Breaking my life in two (...)"


"Os Troianos" na Folha de S.Paulo/Caderno +Mais!

Caderno "+MAIS!"

Folha de S.Paulo, 30 de maio de 2009

Ponto de Fuga/Jorge Coli

Meu reino por um cavalo

Enfrentar a montagem de "Os Troianos" (acima, foto Herick Pereira), de Berlioz, é uma proeza, e é um milagre que tenha dado plenamente certo; intensa, ela deixa o público hipnotizado, sem um minuto de tédio


JORGE COLI
COLUNISTA DA FOLHA

Que boboca, esse Eneias! Incapaz de tomar nas mãos seu próprio destino, como um herói que se preze. Nunca poderia ser vivido por Vin Diesel no cinema, a menos que o roteiro fosse modificado. Então, teria que furar a barriga do cavalão, matar todos os gregos, raptar sua amada para uma praia paradisíaca, ou virar o chefão de Cartago. Nada disso. Vive fugindo, ao sabor dos incêndios, dos ventos, marés e tempestades.
Com a ideia fixa de fundar Roma e acabar sendo, no fim das contas, o responsável pela existência de Bento 16.
Escapa de Troia incendiada, navega às cegas, tropeça num reino sorridente [Cartago], cheio de mulheres bonitas com uma rainha que é a mais linda de todas.
Conversa vai, conversa vem, Dido, a rainha, se apaixona, quer casar e ter filhos. Eneias coça a cabeça, diz que bom, veja você, acho que não vai dar, eu tenho que ir fundar Roma, os deuses mandaram e pronto.
Dido, furiosa, queima todos os presentes que eles tinham trocado e se mata. Eneias escapa, com a vozinha misteriosa que lhe cochicha na orelha: "Itália! Itália!".
Virgílio, o poeta romano, fez um poema épico a respeito ["Eneida"], e Berlioz uma ópera, não só épica, como destrambelhada na sua megalomania. Centenas de intérpretes; a queda de Troia representada no palco; cinco horas e meia de espetáculo.
Enquanto São Paulo e Rio, em matéria de ópera, passam por uma seca danada, o Festival Amazonas, em Manaus, é saudavelmente maluco para montar essa superprodução.

Grandezas
Enfrentar a montagem de "Os Troianos", de Berlioz, é uma proeza, e é um milagre que tenha dado plenamente certo. Intensa, ela deixa o público hipnotizado, sem um minuto de tédio. Caetano Vilela foi responsável pela montagem cheia de invenções felizes, muito poderosas nos momentos dramáticos. Sem desnaturar nada, sem carnavalizar, infiltrou orixás nesse mundo da Antiguidade clássica carregado de profecias e sortilégios.
Introduziu a capoeira, que tem, por si só, um espírito apolíneo em sua exigência regrada de equilíbrio. O cenarista, Renato Rebouças, inventou um maravilhoso cavalo de Troia. Talvez faltasse apenas um pouco de atenção ao lirismo de certas cenas, como a que se passa nos jardins de Dido. Mas é o de menos, diante do resultado total, levado adiante graças à inteligência cênica fora do comum.

Máscaras
A escrita de Berlioz põe à prova seus cantores. Nessa "Os Troianos" de Manaus todos foram dignos do grande compositor. É injusto nomear apenas alguns, mas vá lá: os brasileiros Luiza Francesconi, frágil Dido, e Sávio Sperandio, imperioso Narbal [ministro de Dido].
Marquita Lister, americana, formidável Cassandra [princesa troiana]. Michael Hendrick, outro americano, de físico ingrato, mas credível no papel de Eneias graças ao espírito da montagem, sustentou, apesar de adoentado, as exigências da partitura.
Com eles, a beleza dessa música soberba, propriamente incomparável, surgia evidente. Arrastava os espectadores para as paixões, prazeres e sofrimentos da humanidade nobre e atormentada que ela faz viver.

Pilares
É uma alegria ouvir a [orquestra] Amazonas Filarmônica, com suas sonoridades calorosas e precisas. Laurent Campellone, o maestro, diretor da ópera de Saint-Étienne, na França, desenrolou a longa tapeçaria musical interessado em cada detalhe e na pulsão do conjunto. Coros esplêndidos -momento maravilhoso em que as troianas suplicam a Cibele que as salvem dos gregos. Grupo de dança entusiasta e vivo. Berlioz reviveu, magnífico, em Manaus.

jorgecoli@uol.com.br

28 de mai de 2009

"Os Troianos" na Globo

Destaque no "Jornal Hoje" para "Les Troyens" que dirigi e iluminei para o XIII Festival Amazonas de Ópera.
Hoje é a última récita que pelo visto 'morrerá' por aqui mesmo, como tantas coisas lindas que fiz para o Teatro Amazonas. Essa é a efemeridade do teatro (já que ainda não fomos 'contaminados' pelo espírito capitalista e profissional europeu e americano em transformar tudo em cd, dvd, camiseta, pins, etc...), quem viu, viu!

27 de mai de 2009

"Uma penca de corpos esculturais"




Manaus, 26 de maio de 2009

Coluna "TRÓPICO" por Rogério Pina

CORPOS EM DESFILE

A montagem de "Os Troianos agradou em cheio a turma gay que foi conferir a estréia do espetáculo no Festival de Ópera, domingo.
A certa altura do show entra um time formado por lutadores profissionais, contratados em Manaus, para uma performance de luta greco-romana, capoeira e muay thai. Uma penca de corpos esculturais que foram escolhidos a dedo.

...

Juro que nem pensei nisso, ahushausauhsuah!!! Faltou falar dos meninos do Jiu-Jitsu! Manaus, aliás, é um polo formador do esporte. Quanto a escolha... bem, o 'dedo' foi meu mesmo! kkkkkkkkk
Fiz algumas fotos da cabine só para ter uma ideia do 'show'.

26 de mai de 2009

Reportagens pós-estréia de "Les Troyens"/Manaus

Capa do Jornal "A Crítica": "Criatividade para fugir dos clichês"

Jornal "A CRÍTICA"



Manaus, 24 de maio de 2009

‘Os Troianos’ leva fusão de mitologias ao palco

A nova abordagem provocou uma verdadeira reviravolta no trabalho dos figurinistas, cenógrafos e bailarinos


A fusão das mitologias greco-romana e afro-brasileira marcou a estreia da ópera “Os Troianos”, encenada pela primeira vez no Brasil no início da noite de ontem, em Manaus. O evento, ocorrido no Teatro Amazonas, é parte da 13ª edição do Festival Amazonas de Ópera, que termina no próximo fim de semana.

A história da queda de Troia e a posterior trajetória do guerreiro troiano Enéas ganharam uma nova concepção visual nas mãos do diretor cênico e iluminador Caetano Vilela, grande responsável pela fusão, no palco, de culturas tão distintas.

Dividida em cinco atos, a ópera “Os Troianos” é fruto do francês Hector Berlioz (1803-1869) baseada no livro “Eneida”, de Virgílio. Esta é a primeira vez que ela é encenada no País. Em entrevista a A CRÍTICA, Caetano contou que a ideia de fundir as culturas da antiguidade com as religiões de matrizes africanas surgiu após cortes no orçamento do Festival de Ópera – ocasionados pela crise financeira internacional que o mundo enfrenta agora. “Em determinado momento da ópera, o personagem Enéas vai para Cartago, na África, e aí tive a ideia de fundir essas duas concepções de mundo”, falou.

A nova abordagem provocou uma verdadeira reviravolta no trabalho dos figurinistas, cenógrafos e bailarinos. “Foi uma guinada de 180 graus” contou Olintho Malaquias, responsável pelos figurinos apenas três dias antes do embarque para Manaus. Devidamente orientado, ele contou com o auxílio de um babalorixá para reelaborar o vestuário de todo o espetáculo.

“Os croquis já estavam prontos quando o Caetano me ligou e disse que haveria mudanças. Até então, todo o figurino seguia uma linha mais tradicional”, explicou. No total, “Os Troianos” utiliza 300 trajes diferentes, confeccionados por 20 costureiras em duas semanas.

Jorge Garcia, responsável pelas coreografias, também teve que fazer adaptações. “Passei para os bailarinos alguns movimentos típicos de dança, que lembrassem os orixás”, explicou o pesquisador.
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Jornal "A CRÍTICA"

Manaus, 25 de maio de 2009

Cinco atos de contemporaneidade

Kevin Greenlaw e Marquita Lister que interpretaram Chorèbe e Cassandra

Bruno Mazieri
Especial para A CRÍTICA

O Teatro Amazonas abriu suas portas na noite do último domingo para receber, pela primeira vez, no País, a montagem na íntegra da ópera francesa “Os Troianos” (Les Troyens).

Com direção do competente Caetano Vilela, o espetáculo contou com a participação da Companhia de Dança do Amazonas (CDA), Coral do Amazonas, Amazonas Filarmônica e regência do maestro Laurent Campellone.

Afro

Com base na cultura africana, os figurinos de todas as personagens continham elementos que lembravam mães de santo e babalorixás. Além disso, os deuses tinham em suas vestimentas cores e modelos de entidades do candomblé. Um acabamento perfeito!

O CDA brilhou absoluto nas cenas das batalhas e rituais. As técnicas do coreógrafo Jorge García, foram bem executadas - misturaram artes marciais - pelos bailarinos que confirmaram o profissionalismo da companhia.

Lâmpadas fluorescentes vermelhas, brancas e roxas; rendas, muitas rendas, tornaram o palco do teatro funcional e de fácil mobilidade.

Contemporâneo

Apesar de todo o brilho, os momentos que mais chamaram atenção, foram durante as interferências com vídeos. Uma tela transparente era sobreposta no palco e, nela, eram projetadas imagens de rituais africanos, de guerra e até uma foto do ataque as torres gêmeas. Tudo moderno e condizente com o roteiro.

Destaque para a soprano Marquita Lister (Cassandra) e para a mezzo-soprano Luiza Francesconi (Dido), que brilharam absolutas. A montagem ficará marcada na história do festival. Como gritavam os espectadores: Bravo!

Reportagem para estréia de "Les Troyens"/Rio de Janeiro

"JORNAL DO BRASIL"

Selva do romantismo na Amazônia

RIO DE JANEIRO - Márvio dos Anjos

– Este teatro, nesta cidade, é o lugar perfeito para se montar uma utopia.

É assim que o maestro francês Laurent Campellone define a montagem que dirige no Teatro Amazonas, em Manaus, a ópera Os troianos, do compatriota Hector Berlioz (1803-1869), tido como o maior expoente musical do Romantismo, nos dias 24, 26 e 28 de maio. Trata-se de um novo capítulo na história desse marco da ópera francesa, de montagem dificílima, com cinco horas e meia de duração, marcado por uma história de preconceito e esquecimento.

Gestada entre 1856 e 1862, estreou no Théâtre Lyrique de Paris, em 1863, sem os dois primeiros atos, cortados devido a necessidades orçamentárias. Nas 21 récitas que se seguiram, o diretor do teatro, monsieur Carvalho, promoveu cortes que levaram à supressão de personagens, para desgosto do compositor, já bastante doente. Só em 1921, Paris assistiu a uma montagem total da ópera. Foram necessários 100 anos após a morte de Berlioz para que finalmente, em 1969, fosse publicada pela primeira vez a partitura completa da ópera, o que permitiu sua maior difusão pelos teatros internacionais.

Nada muito diferente do cenário que circunda essa estreia, motivada pelo Ano da França no Brasil e que faz parte do XIII Festival Amazonas de Ópera, realizado pela Secretaria de Cultura do estado com o Ministério da Cultura e o comissariado do ano francês.

– Precisei reestudar a ópera para adaptá-la ao nosso orçamento, já que tivemos que trabalhar com 40% menos do previsto no festival – afirma o diretor cênico, Caetano Vilela, 40 anos, ainda assim empolgado com a montagem.

Cavalo de Troia

A história é famosa: baseia-se na poema épico Eneida, de Virgílio, e conta como um cavalo de madeira foi usado pelos gregos para conquistar Troia, apesar das previsões da sacerdotisa Cassandra, tida como louca pelo seu próprio povo.

Depois, é narrada a saga deEnéas, que lidera a fuga dos troianos até a cidade de Cartago (hoje Tunísia), tendo em mente a fundação de uma nova terra – a Itália. À história que o emocionou desde sua infância, o compositor uniu também ecos de O mercador de Veneza, de Shakespeare, outra de suas paixões, para contar a paixão de Enéas pela rainha cartaginesa Dido.

– Antes eu queria fazer uma montagem mais eurocêntrica, com imagens de uma antiguidade grega desconhecida. Mas, como parte da história se passa na África, preferi trazer referências mais brasileiras, utilizando símbolos do candomblé – explica Vilela.

Estão nos papéis principais os americanos Michael Hendrick (Enéas, tenor), Marquita Lister (Cassandra, soprano) e a meio-soprano brasileira Luiza Francesconi (Dido).

Assim, o guerreiro Enéas é identificado com Xangô, e Dido, com Iansã. Além disso, durante boa parte do espetáculo, a maquinária e os técnicos do espetáculo são vistos, como expressão da desconstrução e da construção de uma cidade, diz o diretor cênico. Na partitura, nenhuma mudança.

– Quando recebi o convite de Luiz Fernando Malheiro, deixei claro que apresentaríamos a obra sem nenhum corte, exatamente como está na partitura. Estrear uma obra dessas é uma grande responsabilidade – conta o maestro Campellone, que afirma ter em Berlioz seu compositor predileto. – Ele simplesmente não se preocupa com questões técnicas ou com a plateia. Não liga se os sopros esperam 35 compassos, tocam duas notas e depois esperam mais 20 minutos. É como um pintor, que recorre aos tons de sua paleta com cuidado.

Latinidade à vista

Para o maestro, a criativa partitura representa um desafio para que a ópera se torne popular em seu próprio país, o que explica parte da história de negligência.

– Franceses são latinos. Por isso, gostamos tanto de música italiana, calcada na melodia e na beleza do uso da voz. Berlioz é incomum porque ele dá à voz e à orquestra o mesmo nível de importância.

20:17 - 23/05/2009

Reportagens para estréia de "Les Troyens"/Manaus

Jornal "A CRÍTICA"



Manaus, 18/05/2009

Gregos, troianos... e africanos!

Caetano Vilela(à dir.) buscou inspiração nas religiões afro


Jony Clay Borges
Da equipe de A CRÍTICA

Os personagens da mitologia greco-romana e as entidades das religiões afro-brasileiras se encontram e se fundem na montagem de “Os troianos”, que será encenada no 13º Festival Amazonas de Ópera (FAO). O responsável por esse “sincretismo” lírico é o diretor cênico e iluminador do espetáculo, Caetano Vilela, que encontrou nos orixás e nos ritos afro a inspiração para encenar a clássica história narrada na ópera de Hector Berlioz (1803-1869).

A ideia de fundir as culturas greco-romana e afro-brasileira, ele conta, foi uma forma de adaptação ao corte de verbas ocasionado pela crise econômica internacional.

“A minha primeira versão era mais europeia, tudo se passava numa biblioteca em ruínas. Quando veio a crise, houve um corte de metade do festival. Houve uma adequação, e mudei essa visão para uma coisa mais brasileira. Na segunda parte da ópera, Enéas vai a Cartago, na África, e isso trouxe o insight de fazer a história com mitos também africanos”, explica o diretor.

Nas pesquisas para a montagem, Vilela teve a consultoria do pesquisador da cultura afro e babalorixá, Celso Pimentel de Xangô, que deu assessoria na elaboração dos figurinos e das coreografias, assinadas respectivamente por Olintho Malaquias e Jorge Garcia.

As referências à cultura e às religiões afro-brasileiras também aparecem nos cenários de Renato Rebouças. “Não tem trono, são palhas de piaçava, panos. Não tem a reverência do teatro tradicional”, ressalta Vilela. O diretor adianta outros detalhes da montagem: lâmpadas aparentes “como num show de rock”, cenas de lutas de capoeira e artes marciais, projeções de vídeo com cenas de sacrifícios e rituais africanos e indígenas.

“Os troianos”, vale dizer, será apresentada pela primeira vez no Brasil. Com a ousada montagem do FAO, já dá para dizer que será uma estreia das boas.

Espetáculo terá três apresentações

A montagem manauense de “Os troianos” será apresentada em três récitas, nos dias 24, 26 e 28 de maio, às 18h, no Teatro Amazonas. O espetáculo terá direção musical e regência do francês Laurent Campellone.
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Jornal "A CRÍTICA"



Manaus, 18/05/2009

Deuses como inspiração

Olintho Malaquias contou com a ajuda de um babalorixá para criar as roupas dos orixás que fazem parte da adaptação

Bruno Mazieri
Especial para A CRÍTICA

“Os croquis já estavam prontos quando o Caetano Vilela me ligou e disse que haveria mudanças. Até então, todo o figurino seguia uma linha tradicional, conforme a montagem original. Daí, Caetano fazendo uma pesquisa mais detalhada, descobriu a ligação dos deuses e semi-deuses, que fazem parte da história, tinha relação com as entidades do candomblé. Na verdade, foi uma guinada de 180 graus”.

Esta é a explicação que o figurinista Olintho Malaquias faz para que o público entenda os trajes usados na montagem “Os Troianos”, de Hector Berlioz, ópera integrante do 13° Festival Amazonas de Ópera (FAO).

Mudança

Faltando três dias para chegar em Manaus, o figurinista paulista recebeu a notícia como um desafio. “Achei uma loucura! Mas quando comecei a pensar, percebi que é muito próximo da nossa realidade e facilitaria o entendimento por parte do público. Sei que muitas pessoas terão um certo preconceito mas, o tradicional já foi feito por muita gente ”, ressalta Malaquias.

Com a ajuda de um chefe espiritual (babalorixá), os figurinos seguem as cores originais de cada orixá e as ferramentas usadas. Exemplo disso, é o traje da personagem Dido, que terá quatro mudanças de roupa. Ela representará Iansã e sua base é o vermelho.

Simplicidade

Segundo Olintho a confecção desses trajes é simples. “O maior que encontrei foi nas contas usadas para a criação das guias. Algumas coisas tive que exportar. Os artesãos da cidade trabalham mais com semente e não dá o mesmo visual. Além disso, o custo é ainda maior”.

Apostando ainda mais nesse mix de culturas, Oxóssi terá elementos amazônicos. “A cabeça da entidade lembrará um cocar e será feito com penas e sementes”. Ao menos, no quesito figurino, a montagem promete superar as expectativas de “Sansão e Dalila”. É esperar para ver, pois será um momento único dentro do festival!

24 de mai de 2009

"Os Troianos", estréia Nacional (ou: eu trabalho é com ARTISTAS!)

Gravação de Luz ontem pela manhã no Teatro Amazonas para "Les Troyens" para que tudo hoje seja BRILHANTE e ILUMINADO!

Finalmente estréio hoje a minha direção para "Les Troyens" de Berlioz, mais uma ópera inédita no Brasil que dirijo (as outras foram "Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk/Shostakovich e "Ça Ira"/Roger Waters). São mais de 4 horas de música que com os dois intervalos somarão 5 horas de espetáculo! Um verdadeiro 'tour de force' alucinante.

Tive uma equipe maravilhosa, alguns já me acompanharam em outros espetáculos como meu figurinista Olintho Malaquias o diretor de imagem Raimo Benedetti e o meu paciente assistente de iluminação Moizés Vasconcellos, outros trabalham comigo pela primeira vez mas se depender de mim trabalharão enquanto me suportarem: o visagista Anderson Bueno, o cenógrafo Renato Bolelli Rebouças (e sua super assistente 'japa girl' Vivi) e meu assistente de direção Roberto Borges. À todos - e vai aí muita, mas muita gente mesmo! - meu muitíssimo obrigado por tornar realidade este projeto que venho estudando há um ano.

Problemas? Claro que houveram, e muitos, mas como disse anteriormente no final tudo se resolve. Acho que o que mais me chateou foi o pedido de afastamento (até agora são 3!) de alguns coralistas que não aceitaram a minha concepção.
Por aqui, o Coral do Amazonas é formado por muitos adventistas, batistas, evangélicos e pouquíssimos católicos, achava que não teria problemas mas o preconceito e a falta de bom senso afetou uma pequena parcela deste grupo. Bem pequena mesmo, mas o falatório, desgaste e desconfiança são extenuantes para um trabalho deste porte, ainda mais quando se tem pouco tempo de ensaios.

Para mim o palco é um terreno LAICO! Todo é qualquer espetáculo funciona dentro de um código de rituais muito peculiares, isto desde a antiguidade! Não importa se gregos, troianos ou... africanos. Respeito todos os estilos, linguagens e estéticas que contrariam o meu 'gosto artístico', talvez por isso ache inadimissível quando me censuram NO PALCO.
Quando um desdes coralistas veio me dizer que não poderia cantar o espetáculo, sua justificativa foi de que ele era adventista e todo aquele sincretismo religioso (principalmente a parte dos orixás em cena) ia contra todos os seus principios. Eu disse que entendia os seus principios mas que não iria discutir com ele "os meus" já que no palco eu não trabalho com adventistas (ou budistas, católicos, evangélicos, etc...) EU TRABALHO COM ARTISTAS!

OXALÁ nos proteja ou, como se diz em vários idiomas no teatro em dias de estréia:
MERDA!
MERDE!
TÓI! TÓI! TÓI!
IN BOCCA AL LUPO!
BREAK A LEG!
SARAVÁ!
EWOÉ!
EVOÉ!
...

Abaixo, o texto que escrevi para o programa do espetáculo:

“Les Troyens”, um povo sob o signo da crise

Antes desta crise econômica endêmica minha concepção para “Les Troyens” pendia mais para uma ‘visão eurocêntrica’ da cena. Tudo partia de dentro de um simulacro da mítica Biblioteca de Alexandria descortinando um desconhecido mundo das ciências humanas, as ações eram ‘dramaticamente’ complexas.

Por oito meses, junto com a minha equipe, fomos estreitando a nossa visão da cena dentro deste conceito até que cinco dias antes de embarcarmos para Manaus vi que a ‘crise’ já não era apenas um evento passageiro e nem estava tão distante assim de nós mesmos. Nada daquilo que eu havia pensado antes fazia sentido, em menos de oito meses minha concepção teria de ser revista.


Antes eu via o Espetáculo depois passei a ver os Personagens e isso me guiou nesta nova concepção. “Les Troyens” é baseada em alguns cantos da “Eneida” de Virgílio, que tira o caráter epopéico dos personagens homéricos e dá a eles um tratamento trágico , obrigando-os a agir ou assumir a tragédia.

Os cinco atos da ópera são polarizados entre duas personagens trágicas: Cassandra e Dido que não aceitam os desígnios dos deuses, para elas incompreensíveis; uma não consegue agir e leva uma cidade para a destruição já a outra age mas também não escapa da ruína.


Nesta nova concepção a historia é contada por personagens que assumem uma ‘entidade’ mítica próxima da multireligiosidade africana, do candomblé e do sincretismo religioso tão presentes no Brasil.

O Coro age como nas tragédias clássicas antigas, cujo papel consiste em exprimir em seus temores, em suas esperanças e julgamentos, os sentimentos dos espectadores num lugar que tanto pode ser uma Biblioteca em ruínas, ou uma cidade destruída e reconstruída após uma crise.

Só que desta vez esta crise não é econômica, é uma crise moral e de valores que norteiam todas as sociedades, que por sinal já se acostumaram a viver sem eles. O que virá depois disto? Talvez nem Cassandra saiba as respostas, torceremos para o melhor então.


Evoé e bom espetáculo!


Caetano Vilela

Diretor Cênico e Iluminador

19 de mai de 2009

Repercussão sobre o "Prêmio Carlos Gomes" em Manaus

Jornal "A Crítica"

Manaus, 18 de maio de 2009

Artistas do FAO em destaque


Caetano Vilela venceu na categoria “Iluminador”, por “Ça Ira”

Bruno Mazieri
Especial para A CRÍTICA

As apresentações de música erudita realizadas em Manaus estão ganhando cada vez mais notoriedade no País. Seja pela qualidade de suas montagens ou profissionalismo por parte dos músicos. A verdade é que o Norte é um dos maiores incentivadores da música clássica.

Prova disso foi a vitória do maestro Luiz Fernando Malheiro e do iluminador Caetano Vilela, no 12º Prêmio Carlos Gomes de Música Erudita e Ópera. A cerimônia de entrega dos prêmios aconteceu segunda-feira (11), na Sala São Paulo, em São Paulo. O evento contou com a apresentação de Heloísa Fischer e Alfredo Alves; e concerto com a Sinfônica Municipal de Campinas.

FAO

Artista participante das montagens “Ça Ira” - do rockeiro Roger Waters - e “Ariadne auf Naxos”, Caetano Vilela recebeu o prêmio na categoria Iluminador. “As outras edições da premiação só eram feitas para montagens realizadas em São Paulo. Esse ano que tornou-se nacional, e é bastante gratificante ganhar nessa primeira edição”, ressalta Vilela.

Ele concorreu com Beto Bruel e Jorge Takla, ambos com espetáculos montados no Theatro Municipal de São Paulo. “Sou paulista mas sempre passo três meses para trabalhar no Festival de Ópera. Essa premiação vem mostrar que em Manaus tem ópera de qualidade”.

Já Luiz Fernando Malheiro venceu na categoria Regente de Ópera por seu trabalho no 12º Festival Amazonas de Ópera (FAO), em 2008.

...

Jornal "Diário do Amazonas
"
Sábado, 16 de maio de 2009





18 de mai de 2009

'Presente de grego'

Falta uma semana para a estréia de "Les Troyens" que dirijo e ilumino para o XIII FAO, em Manaus. Estou TOTALMENTE tomado e exausto pelo ritmo dos ensaios sem muito tempo para poder contar tudo o que gostaria.
Minha única insatisfação até agora (por causa de milhões de desencontros burocráticos, que me dá preguiça de contar) é que ainda não tenho o 'meu' "Enéas"; para quem é do ramo teatral, imaginem ensaiar "Hamlet" sem o ator que o interpreta, muitas coisas não fazem sentido!
Enéas é o ÚNICO personagem que participa de TODOS os cinco atos da ópera!!!!! Imaginem agora o meu desespero. Ok, no final sempre dá tudo certo...mas vai que...

Melhor então dizer que estou muito satisfeito com o resultado da minha concepção, centrada na antropologia teatral (Eugênio Barba), sincretismo religioso, nos mitos africanos, indígenas e gregos e também nos orixás do candomblé. Sem me esquecer das lutas de contato: jiu-jitsu, muay-thai, greco-romana e a 'nossa' capoeira!

Afinal de contas são mais de 5 horas de espetáculo, incluindo aí os dois intervalos. Montei um álbum aqui com algumas fotos do processo de montagem dos cenários, em breve falo mais sobre a concepção.

Inté e fé!!!

12 de mai de 2009

And the "Carlos Gomes" goes to... CAETANO VILELA!!!

Aqui de Manaus acabei de saber que recebi o "Prêmio Carlos Gomes de Música Erudita" pela iluminação nas óperas "Ça Ira" e "Ariadne auf Naxos".
Soube dos resultados e fiquei feliz também pelos amigos premiados, principalmente Luiz Fernando Malheiro, Leonardo Neiva e Denise de Freitas. Agora que a premiação tem caráter nacional o mundo erudito ao menos poderá contar com um pouco mais de prestígio fora do eixo paulista, isto é excelente.

A organização do prêmio entrou em contato comigo me pedindo para indicar alguém para me representar, já que eu não estaria presente na premiação em São Paulo por conta da óperas aqui em Manaus. Fui muito bem representado pelo meu amigo Miguel Falci, e ainda dividi com ele esse momento constrangedor de mandar um bilhete de agradecimento para ele ler caso eu ganhasse. Me senti a própria Meryl Streep, fazendo notas para serem lidas sem saber se ganhei ou não, haushaush; mas falando sério, segue abaixo meus mais sinceros votos de agradecimento neste dia tão especial:

- "Amigos, meu trabalho no XIII Festival Amazonas de Ópera me impede de estar presente nesta premiação tão importante para a música erudita brasileira.
Agradeço emocionado pela lembrança do meu nome e principalmente do meu trabalho nas óperas "Ça Ira" e "Aridne auf Naxos", ambas também dirigidas por mim aqui em Manaus. Nestes 23 anos de carreira profissional, 12 dedicados as óperas, já fui indicado a alguns prêmios no teatro mas este é o primeiro que recebo.
Muito me honra estar ao lado dos meus amigos concorrentes Jorge Takla e Beto Bruel, que eu muito admiro e respeito.
Não posso deixar de falar da minha gratidão e do meu amor a duas pessoas que foram e são muito importantes na minha vida: Iacov Hillel que me aceitou como assistente 12 anos atrás e me ensinou muito do que eu hoje sei e também ao meu querido amigo e 'mentor erudito-artístico' Maestro Luiz Fernando Malheiro, parceiro de tantos projetos lindos.
Muito obrigado a todos,
Caetano Vilela"
...

E tenho dito!

10 de mai de 2009

Dia das Mães, saudades da Família

Pois é, faz pelo menos 11 anos que não passo este dia com a minha mãe. Sempre nesta época do ano estou em Manaus, trabalhando nas óperas, e tenho de me contentar em ouvir a voz dela bem distante.
Aliás destes momentos familiares importantes tenho perdido também o aniversário de dois dos meus irmãos e da minha prima-irmã; além do meu primeiro sobrinho/afilhado. Nem preciso dizer que sou muito ligado mesmo a minha família. Somos em cinco filhos e sou o mais velho e o único que mora sozinho. Quando estou em São Paulo nos falamos todos os dias e nos vemos pelo menos uma vez por semana naqueles almoços barulhentos e divertidos que só uma família numerosa é capaz de produzir.

Minha mãe é pernambucana e veio para São Paulo há pelo menos 45 anos e nunca mais voltou para lá, ao contrário, trouxe a sua mãe (minha avó, já falecida) para viver conosco e mais alguns irmãos que, como se costuma dizer: "ajudaram a construir São Paulo".
Meu pai é paulista, de Marília, e foi criado pelos seus avós, sua família é uma mistura de matogrossenses e santistas; sua mãe (minha avó, também falecida) só o reconheceu e o respeitou como 'homem' quando ele se casou e teve um filho (no caso, eu!).

Nasci na Zona Leste, no Brás, tradicional bairro paulistano que recebeu os primeiros imigrantes italianos fugidos da Guerra e com o sonho de construir um futuro melhor num País distante.
Sou de outra geração, os imigrantes estrangeiros deram lugar ao migrantes nordestinos e nortistas que também sonhavam em sobreviver (em primeiro lugar!) e quem sabe construir uma vida mais digna.

A primeira casa própria que os meus pais compraram foi em São Miguel Paulista, extremo Leste da cidade, em frente ao Rio Tietê, ainda não poluído nos anos 70. Suas águas eram meio amareladas, quase da cor do amazônico Solimões, por conta dos 'bancos de areia' do fundo do rio. Eu atravessava o Tietê junto com meus amigos - não era fundo essa parte do rio - para encher baldes de uma bica de água pura do outro lado. Já contei esta história (que mistura um pouco de realismo mágico) aqui no "Viralata Reloaded".

Hoje minha família mora bem, não passam dificuldades, podemos dizer que fazemos parte da 'extinta classe média'. Já tivemos casa na praia que foi substituída pela tranquilidade de um sítio em Atibaia, onde meus pais planejam desfrutar a velhice ao lado dos filhos, netos e agregados. Sim, porque lá em casa sempre cabe mais um.
Aliás, estou chegando logo e morrendo de saudades!

Todo o meu amor à todos, em especial, claro, aos meus pais: Felícia e Davino.
...

Publicado simultaneamente com "Viralata Reloaded".

5 de mai de 2009

Tornar possível o impossível

Nuvens negras sobre o Teatro Amazonas (foto by Viralata), antes de uma chuva torrencial de 'inverno', bastante comum nesta época do ano. Quantos lugares no Brasil fizeram do seu teatro local a marca e o símbolo de sua cidade?

"Tienen los organizadores un coraje ejemplar. Y se merecen uno de los públicos de ópera más jóvenes, más respetuosos y más entusiastas del mundo."


O trecho acima é de uma reportagem para o "El Pais" de hoje assinada pelo importante e prestigioso crítico J.A. Vela Del Campo, elogia também a produção de "Sansão e Dalila" de Emilio Sagi que abriu o FAO e não deixa de registrar que a 'crisis ha rebajado' metade da programação do Festival, a matéria completa você lê aqui.
Vela Del Campo, já veio outros anos para Manaus e sempre se surpreende com a platéia 'pouco comum' em espetáculos líricos. Não há aí nenhum ranço folclórico do 'teatro no meio da selva' mas o que o surpreende mesmo é a quantidade de pessoas jovens e interessadas em ópera na platéia, não importa qual seja o espetáculo.

Claro que nem sempre foi assim e devo confessar 'in loco' que esse público foi conquistado com muito esforço e trabalho. Ainda não me sai da memória o cabalístico número de 32 pessoas na platéia no último ato da estréia de "Siegfried", deslumbrantemente histórico!
Surpreendente também é a rapidez com que hoje se formam, no orkut por exemplo, comunidades dedicadas ao Festival Amazonas de Ópera, ao Teatro Amazonas, Coral, etc... discutindo essa ou aquela montagem, fazendo previsões do que pode ainda estrear e avaliando o FAO. Isso era inimaginável uns oito anos atrás.
Ópera virou simplesmente "O" assunto na cidade!

No dia seguinte ao cancelamento do Concerto de "Pelleas e Melisande", por uma indisposição do maestro Luiz Fernando Malheiro (sim, ele já está melhor!), cinco pessoas, que eu nunca havia visto antes, me perguntaram da sua saúde e se o espetáculo seria reapresentado. Detalhe: eram 8 horas da manhã e eu estava numa academia de musculação e, claro, nenhuma destas pessoas pareciam ser 'afetados lordes fãs da música erudita'. Vieram falar comigo porque já haviam me visto na academia antes e no dia anterior do Concerto havia saído uma foto minha num jornal local e uma entrevista para tv.

Depois de uma rápida enquete, descobri que uma senhora trabalhava numa lanchonete perto do teatro e ficou sabendo pelos fregueses, outra era professora, um outro era um bancário que por detestar ficar em casa assistindo tv prefere ir ao teatro; quanto aos outros dois, um era do nordeste formado em Turismo e se mudou para Manaus por causa do trabalho e 0 outro me disse simplesmente: "sou público". Adorei! Em tempos de crise vamos combinar que esta é uma 'profissão' quase em extinção.
Acho essa mistura singular e quebra todo e qualquer tipo de estereótipo sobre o público da região. Sim, eles também são apaixonados pelo Boi Bumbá - cuja festa em Parintins é logo após o FAO, deixando a cidade de Manaus vazia - mas vamos combinar que ter um teatro como símbolo de uma cidade é para poucos, bem poucos.

Daí acho justíssimo o elogio de Vela del Campo ao 'maestro' maior desta transformação:
- "(...)Luiz Fernando Malheiro, el director que ha asumido la leyenda del lugar y hace posible lo aparentemente imposible."

3 de mai de 2009

A Verdade, nada mais do que a Verdade

Já comentei várias vezes por aqui sobre o jornalista e escritor americano Gay Talese (ao lado), principalmente depois que li "A Mulher do Próximo", um painel sobre a sexualidade dos anos 50 até os fatídicos 80 com o surgimento da AIDS. Talese foi a 'chave do novo jornalismo' embora desdenhe este título, sua vida se mistura com suas obras e com o período que esteve à frente do "NYTimes".
Neste domingo a jornalista Lúcia Guimarães apresenta um Talese, em entrevista para o "Estadão", de forma honesta e simpática (leia aqui e aqui!), a melhor pergunta respondida é sobre o futuro dos jornais impressos e para que precisamos de jornais, com vocês a resposta do sábio jornalista:

- "(...) Os jornais estão mais interessados na verdade, mesmo se cometem erros, às vezes, erros involuntários. E se você ainda quer a verdade, é mais fácil chegar a ela por intermédio de um jornal do que em qualquer outra instituição. Os jornais ainda oferecem a melhor chance de manter a verdade em circulação."

2 de mai de 2009

Apolo e as 3 Musas

E neste domingo ainda no XIII FAO, aqui direto de Manaus, segue a programação com a Orquestra de Câmara do Amazonas (OCA) e a Companhia de Dança do Amazonas (CDA) em "Apollon Musagète" de Stravinsky sob a minha direção.
Será a segunda vez que dirijo o CDA, a primeira foi uma parceria muito especial com a coreógrafa Ivonice Satie em "Pierrot Lunaire" e agora nesta obra regida pelo maestro Miguel Campos.

Abaixo, o meu texto para o programa do Festival. Em breve publico algumas fotos:


APOLLON MUSAGÈTE

Imaginem o nascimento de um deus que ao ser visitado pelas Musas da Dança, Poesia e Teatro não consegue mais viver sozinho e descobre nelas o motivo para viver. Este é centro do conflito deste “Apolo, condutor das Musas” que Stravinsky defende com uma forte influência do Barroco e da musica francesa do século XVIII.

Sua estréia mundial foi coroada de nomes como o do coreógrafo George Balanchine e figurinos de Coco Chanel numa época em que o clássico e o neoclássico predominavam nos estilos das companhias de dança.

Nesta nova montagem apresento uma versão menos ‘clássica e mais moderna’ para a Companhia de Dança do Amazonas, explorando as diferentes qualidades de movimento dos bailarinos e toda a sua teatralidade. Multiplico ‘apolos e musas’ para provar que ninguém consegue viver sem um pouco de Arte na vida.

No mesmo caminho já apresentamos aqui no FAO um bem sucedido “Pierrot Lunaire” - também com a OCA – este “Apolon” é mais um passo no aprimoramento desta linguagem e na solidez dos corpos estáveis do Teatro Amazonas.

Caetano Vilela

Direção Cênica, Concepção e Iluminação