10 de mai de 2009

Dia das Mães, saudades da Família

Pois é, faz pelo menos 11 anos que não passo este dia com a minha mãe. Sempre nesta época do ano estou em Manaus, trabalhando nas óperas, e tenho de me contentar em ouvir a voz dela bem distante.
Aliás destes momentos familiares importantes tenho perdido também o aniversário de dois dos meus irmãos e da minha prima-irmã; além do meu primeiro sobrinho/afilhado. Nem preciso dizer que sou muito ligado mesmo a minha família. Somos em cinco filhos e sou o mais velho e o único que mora sozinho. Quando estou em São Paulo nos falamos todos os dias e nos vemos pelo menos uma vez por semana naqueles almoços barulhentos e divertidos que só uma família numerosa é capaz de produzir.

Minha mãe é pernambucana e veio para São Paulo há pelo menos 45 anos e nunca mais voltou para lá, ao contrário, trouxe a sua mãe (minha avó, já falecida) para viver conosco e mais alguns irmãos que, como se costuma dizer: "ajudaram a construir São Paulo".
Meu pai é paulista, de Marília, e foi criado pelos seus avós, sua família é uma mistura de matogrossenses e santistas; sua mãe (minha avó, também falecida) só o reconheceu e o respeitou como 'homem' quando ele se casou e teve um filho (no caso, eu!).

Nasci na Zona Leste, no Brás, tradicional bairro paulistano que recebeu os primeiros imigrantes italianos fugidos da Guerra e com o sonho de construir um futuro melhor num País distante.
Sou de outra geração, os imigrantes estrangeiros deram lugar ao migrantes nordestinos e nortistas que também sonhavam em sobreviver (em primeiro lugar!) e quem sabe construir uma vida mais digna.

A primeira casa própria que os meus pais compraram foi em São Miguel Paulista, extremo Leste da cidade, em frente ao Rio Tietê, ainda não poluído nos anos 70. Suas águas eram meio amareladas, quase da cor do amazônico Solimões, por conta dos 'bancos de areia' do fundo do rio. Eu atravessava o Tietê junto com meus amigos - não era fundo essa parte do rio - para encher baldes de uma bica de água pura do outro lado. Já contei esta história (que mistura um pouco de realismo mágico) aqui no "Viralata Reloaded".

Hoje minha família mora bem, não passam dificuldades, podemos dizer que fazemos parte da 'extinta classe média'. Já tivemos casa na praia que foi substituída pela tranquilidade de um sítio em Atibaia, onde meus pais planejam desfrutar a velhice ao lado dos filhos, netos e agregados. Sim, porque lá em casa sempre cabe mais um.
Aliás, estou chegando logo e morrendo de saudades!

Todo o meu amor à todos, em especial, claro, aos meus pais: Felícia e Davino.
...

Publicado simultaneamente com "Viralata Reloaded".

6 comentários:

Henrique Hemidio disse...

vc é um cara híbrido

viralata disse...

haushauha!!! Diz 'híbrido' agora? kkkkk
Abs

Glorinha disse...

Caetano...você é um ser humano muito lindo, acho que sua família deve ser linda também e tenho certeza que te amam...
adoro ler essas estórias tão de perto...faz a gente se sentir parte de algo maior...
[[]]abraço muito carinhoso procê!!!

Anônimo disse...

Atomico, assim nao pode. Estou sozinha, longe dos meus e tmb longe de vcs, minha familia por opcao.
Chorei pra corolho, vc é um filho de ouro!
Te amo,
bjs
carmen

viralata disse...

amores "humano, demasiado humano" não?!
Não consigo me imaginar no mundo sem o amor deles! Somos felizes...
Beijos

Anônimo disse...

Nossa *Caetano*
Emocionante esse seu *depoimento* , mas infelizmente essa *distancia* eh o preco que pagamos por nossas escolhas...seja de vida , trabalho...etc !!
Eu sei e sinto exatamente o que voce escreve...moro em New York , e nessas datas *familia* me sinto tao so e distante !!!
Tambem somos a familia que todos os sabado se reune para almocar na casa da Vo...uma *bagunca , animada so...*...hoje vou so por *telefone* , e sempre *so* falta eu....mas enfim!!!
Escolhas...dificeis de voltarem atras...
Lindo...parabens !!!

Susan Clayre