26 de mai de 2009

Reportagens pós-estréia de "Les Troyens"/Manaus

Capa do Jornal "A Crítica": "Criatividade para fugir dos clichês"

Jornal "A CRÍTICA"



Manaus, 24 de maio de 2009

‘Os Troianos’ leva fusão de mitologias ao palco

A nova abordagem provocou uma verdadeira reviravolta no trabalho dos figurinistas, cenógrafos e bailarinos


A fusão das mitologias greco-romana e afro-brasileira marcou a estreia da ópera “Os Troianos”, encenada pela primeira vez no Brasil no início da noite de ontem, em Manaus. O evento, ocorrido no Teatro Amazonas, é parte da 13ª edição do Festival Amazonas de Ópera, que termina no próximo fim de semana.

A história da queda de Troia e a posterior trajetória do guerreiro troiano Enéas ganharam uma nova concepção visual nas mãos do diretor cênico e iluminador Caetano Vilela, grande responsável pela fusão, no palco, de culturas tão distintas.

Dividida em cinco atos, a ópera “Os Troianos” é fruto do francês Hector Berlioz (1803-1869) baseada no livro “Eneida”, de Virgílio. Esta é a primeira vez que ela é encenada no País. Em entrevista a A CRÍTICA, Caetano contou que a ideia de fundir as culturas da antiguidade com as religiões de matrizes africanas surgiu após cortes no orçamento do Festival de Ópera – ocasionados pela crise financeira internacional que o mundo enfrenta agora. “Em determinado momento da ópera, o personagem Enéas vai para Cartago, na África, e aí tive a ideia de fundir essas duas concepções de mundo”, falou.

A nova abordagem provocou uma verdadeira reviravolta no trabalho dos figurinistas, cenógrafos e bailarinos. “Foi uma guinada de 180 graus” contou Olintho Malaquias, responsável pelos figurinos apenas três dias antes do embarque para Manaus. Devidamente orientado, ele contou com o auxílio de um babalorixá para reelaborar o vestuário de todo o espetáculo.

“Os croquis já estavam prontos quando o Caetano me ligou e disse que haveria mudanças. Até então, todo o figurino seguia uma linha mais tradicional”, explicou. No total, “Os Troianos” utiliza 300 trajes diferentes, confeccionados por 20 costureiras em duas semanas.

Jorge Garcia, responsável pelas coreografias, também teve que fazer adaptações. “Passei para os bailarinos alguns movimentos típicos de dança, que lembrassem os orixás”, explicou o pesquisador.
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Jornal "A CRÍTICA"

Manaus, 25 de maio de 2009

Cinco atos de contemporaneidade

Kevin Greenlaw e Marquita Lister que interpretaram Chorèbe e Cassandra

Bruno Mazieri
Especial para A CRÍTICA

O Teatro Amazonas abriu suas portas na noite do último domingo para receber, pela primeira vez, no País, a montagem na íntegra da ópera francesa “Os Troianos” (Les Troyens).

Com direção do competente Caetano Vilela, o espetáculo contou com a participação da Companhia de Dança do Amazonas (CDA), Coral do Amazonas, Amazonas Filarmônica e regência do maestro Laurent Campellone.

Afro

Com base na cultura africana, os figurinos de todas as personagens continham elementos que lembravam mães de santo e babalorixás. Além disso, os deuses tinham em suas vestimentas cores e modelos de entidades do candomblé. Um acabamento perfeito!

O CDA brilhou absoluto nas cenas das batalhas e rituais. As técnicas do coreógrafo Jorge García, foram bem executadas - misturaram artes marciais - pelos bailarinos que confirmaram o profissionalismo da companhia.

Lâmpadas fluorescentes vermelhas, brancas e roxas; rendas, muitas rendas, tornaram o palco do teatro funcional e de fácil mobilidade.

Contemporâneo

Apesar de todo o brilho, os momentos que mais chamaram atenção, foram durante as interferências com vídeos. Uma tela transparente era sobreposta no palco e, nela, eram projetadas imagens de rituais africanos, de guerra e até uma foto do ataque as torres gêmeas. Tudo moderno e condizente com o roteiro.

Destaque para a soprano Marquita Lister (Cassandra) e para a mezzo-soprano Luiza Francesconi (Dido), que brilharam absolutas. A montagem ficará marcada na história do festival. Como gritavam os espectadores: Bravo!

6 comentários:

Igor Santana disse...

não gosto da palavra 'competente'.

'Com direção do sumptuoso Caetano Vilela - o mesmo diretor das aclamadissimas Ariade Auf Naxos (FAO 2008) e Ça Ira (FAO2008)- o espetáculo contou com a participação da Companhia de Dança do Amazonas (CDA), Coral do Amazonas, Amazonas Filarmônica e regência do maestro Laurent Campellone.'

Muito melhor assim rs

viralata disse...

Espanha afora estão me chamando também de "El Atómico Caetano Vilela", mas eu tô achando um pouco 'explosivo' demais! ahsuahusaus
Merci cheri,
bjão

Andres costa disse...

Nossa como fico Feliz em saber que deu tudo certo.
Por outro lado fico triste em não estar presente.
O Mais o que saiu do papel e aconteceu !!!
Parabens a equique...

Andres Costa

Andres costa disse...

Faltou uma frase ai em cima rsrs
o mais IMPORTANTE que saiu do papel.

CIAO

Henrique Hemidio disse...

Pois é

eu sempre disse que esse lance de teatro é uma máfia...

viralata disse...

Andres baby, obrigado nos vemos na volta!
Henrique, quase morri por duas vezes por ultrapassar o limite da minha curiosidade, hehehehe