5 de mai de 2009

Tornar possível o impossível

Nuvens negras sobre o Teatro Amazonas (foto by Viralata), antes de uma chuva torrencial de 'inverno', bastante comum nesta época do ano. Quantos lugares no Brasil fizeram do seu teatro local a marca e o símbolo de sua cidade?

"Tienen los organizadores un coraje ejemplar. Y se merecen uno de los públicos de ópera más jóvenes, más respetuosos y más entusiastas del mundo."


O trecho acima é de uma reportagem para o "El Pais" de hoje assinada pelo importante e prestigioso crítico J.A. Vela Del Campo, elogia também a produção de "Sansão e Dalila" de Emilio Sagi que abriu o FAO e não deixa de registrar que a 'crisis ha rebajado' metade da programação do Festival, a matéria completa você lê aqui.
Vela Del Campo, já veio outros anos para Manaus e sempre se surpreende com a platéia 'pouco comum' em espetáculos líricos. Não há aí nenhum ranço folclórico do 'teatro no meio da selva' mas o que o surpreende mesmo é a quantidade de pessoas jovens e interessadas em ópera na platéia, não importa qual seja o espetáculo.

Claro que nem sempre foi assim e devo confessar 'in loco' que esse público foi conquistado com muito esforço e trabalho. Ainda não me sai da memória o cabalístico número de 32 pessoas na platéia no último ato da estréia de "Siegfried", deslumbrantemente histórico!
Surpreendente também é a rapidez com que hoje se formam, no orkut por exemplo, comunidades dedicadas ao Festival Amazonas de Ópera, ao Teatro Amazonas, Coral, etc... discutindo essa ou aquela montagem, fazendo previsões do que pode ainda estrear e avaliando o FAO. Isso era inimaginável uns oito anos atrás.
Ópera virou simplesmente "O" assunto na cidade!

No dia seguinte ao cancelamento do Concerto de "Pelleas e Melisande", por uma indisposição do maestro Luiz Fernando Malheiro (sim, ele já está melhor!), cinco pessoas, que eu nunca havia visto antes, me perguntaram da sua saúde e se o espetáculo seria reapresentado. Detalhe: eram 8 horas da manhã e eu estava numa academia de musculação e, claro, nenhuma destas pessoas pareciam ser 'afetados lordes fãs da música erudita'. Vieram falar comigo porque já haviam me visto na academia antes e no dia anterior do Concerto havia saído uma foto minha num jornal local e uma entrevista para tv.

Depois de uma rápida enquete, descobri que uma senhora trabalhava numa lanchonete perto do teatro e ficou sabendo pelos fregueses, outra era professora, um outro era um bancário que por detestar ficar em casa assistindo tv prefere ir ao teatro; quanto aos outros dois, um era do nordeste formado em Turismo e se mudou para Manaus por causa do trabalho e 0 outro me disse simplesmente: "sou público". Adorei! Em tempos de crise vamos combinar que esta é uma 'profissão' quase em extinção.
Acho essa mistura singular e quebra todo e qualquer tipo de estereótipo sobre o público da região. Sim, eles também são apaixonados pelo Boi Bumbá - cuja festa em Parintins é logo após o FAO, deixando a cidade de Manaus vazia - mas vamos combinar que ter um teatro como símbolo de uma cidade é para poucos, bem poucos.

Daí acho justíssimo o elogio de Vela del Campo ao 'maestro' maior desta transformação:
- "(...)Luiz Fernando Malheiro, el director que ha asumido la leyenda del lugar y hace posible lo aparentemente imposible."

6 comentários:

Sandra disse...

"Quantos lugares no Brasil fizeram do seu teatro local a marca e o símbolo de sua cidade?"

Com uma bênção dessas ilumina a cidade.

Deni disse...

uauauaua...tem post no fermata café pra você! bjs

Henrique Hemidio disse...

É claro que existem bons jornalistas, assim como existem bons políticos...

viralata disse...

Sandra, mais uma vez obrigado, você é muito querida!
Dê, vou lá ver!
Henrique, o lance do pessimista é que sempre bota todo mundo num balaio só e daí essas 'almas caridosas' que são bons profissionais não aparecem... abração querido!

Igor Santana disse...

O teatro é a unica coisa que me faz sentir saudade desta terra.

PS. Esse ano nao vais iluminar os bois em paris-tins? kkkkkkkkk

viralata disse...

Tá looooooooooko mano! heheheh
bjao