16 de jun de 2009

2 monólogos que são 'o jeitinho' do Brasil

Saiu de cartaz na semana passada dois monólogos que são a cara do Brasil. Em ambos trabalham amigos muito queridos que por uma sincronia do destino escolheram como 'leitmotiv' refletir o ontem e o hoje sem folclorizar um tema tão escorregadio.

"The Cachorro Manco Show"


Foi escrito por Fábio Mendes para um concurso de dramaturgia lusa que tinha como tema dialogar com a obra do Padre Antônio Vieira. Pois 400 anos depois o diálogo se transformou em um reflexo expressionista e um 'tour-de-force' para o ator Leandro Daniel Colombo (acima by Lenise Pinheiro) dirigido criativamente por Moacir Chaves.
O espetáculo é tão visceral, verborrágico e intenso que ao final confessei que se este texto caísse nas minhas mãos não saberia por onde começar a encenação. Leandro está incrível! Parece um arlequino clochard no melhor estilo 'one man show', ou melhor: 'one DOG show'!

"Mediano"

A dramaturgia de "Mediano" é tão ambiciosa quanto "The Cachorro...", as duas registram um Brasil em ordem cronológica com desgraças políticas e sociais difíceis de serem esquecidas.
Assinada por Otávio Martins e 'defendida' pelo 'über' Marco Antônio Pâmio (acima by Jefferson Pancieri) a peça foi dirigida com requintes de sutileza por Naum Alves de Souza. Claro que a sutileza aí não esconde os nomes 'dos bois' que recheiam diariamente as páginas dos jornais brasileiros (ora no caderno de política, ora nos policiais), chega a ser patético e tristemente cômico acompanhar o final que todos conhecemos. E Pâmio consegue com maestria fazer com que ainda simpatizemos com um canalha de marca maior, na verdade parte desta 'empatia' esta travestida de culpa mesmo!

"The Cachorro..." entra agora naquele processo 'homeless' e começa do zero a levantar a produção para aportar em algum espaço por aí, já "Mediano" volta ao cartaz em breve, no Espaço dos Parlapatões na Praça Roosevelt em horário alternativo.
O problema de praticamente não existir mais pauta nos poucos teatros paulistanos é desolador para nós, artistas. Pra dizer bem a verdade está difícil mesmo existir teatro. Nem me lembro mais quando foi que prefeitura ou estado construíram um teatro na cidade, os pouquíssimos que temos estão em condições lastimáveis de uso, só não fecham por amor dos funcionários mais antigos, mas isso já é outra história.

Mas a história continua...

8 comentários:

Anônimo disse...

Caetano, saiu tb de cartaz o monólogo "Só", com José Miguel, que é simplesmente DESLUMBRANTE!
Bjs.
Miguel

Henrique Hemidio disse...

ainda sobre classes


é claro, Caetano, q uma coisa não invalida a outra
eu, por exemplo, sou da Classe Trabalhadora e também acho q favelado é bandido...

viralata disse...

Mi, não deu pra ver esse, que pena, bj!
Henrique, 'classe trabalhadora' respondendo post as 12h36 de uma segunda feira?! Ah então eu tb sou dessa!!! ahsuahusha
Amor, na verdade não importa a classe ou a falta de classe e sim o discernimento da auto-crítica. É isto o que falta em qualquer 'categoria'. Bom, falta fazer a lição de casa e ler Marx direitinho, mas aí já é pedir demais!
Inté e fé, o resto é papo de bar!
;P

Henrique Hemidio disse...

É q a classe trabalhadora, assim como os artistas (e somente nesse ponto), não tem itinerário, GUY... trabalha-se enquanto o patrão manda

E

ao contrário dos artistas (e somente nesse ponto), a classe trabalhadora não tem tempo pra filosofar, então, enquanto vc faz o dever de casa... deixa q eu cuido do meu trampo, GUY!

Atenciosamente

Henrique Hemidio disse...

Ah... eu não te perguntei mr high society

vc foi na parada, guy, quero dizer, gay?

viralata disse...

aff Henrique, tst, tst,tst!!! A 'classe artística' ficou com preguiça!
...

Parada? Sorry não vejo mais graça, embora tenha muitos motivos para ir!
By the way qual a tua parada?

Henrique Hemidio disse...

Só não é a tua, careca...

viralata disse...

ufa!!! que alívio, kkkkkkkk