14 de jun de 2009

Do Coletivo ao Individual

Do "Estadão" de hoje, em seu caderno "Aliás", um artigo e uma entrevista buscam esclarecer duas angústias bem típicas dos nossos dias: o que a classe média quer (no caso sobre a recente greve na USP) e quais são os limites entre o amor e individualidade.

O primeiro artigo é assinado pelo professor da USP José de Souza Martins: "O medo da classe sem destino" e de forma direta expõe o lado 'sombrio' dos novos anseios de uma classe cada vez mais radical:

- "(...) Ainda nestes dias, nos incidentes ocorridos na Cidade Universitária, na USP, tivemos claras evidências da inversão de valores da velha classe média na prática da nova classe média. Os estudantes opõem-se à implantação, pela Secretaria de Ensino Superior de São Paulo, da Universidade Virtual, que seguindo o exemplo dos países modernos, tornaria o ensino superior de boa qualidade acessível a populações privadas dessa possibilidade. No fundo, levantam a bandeira reacionária de pretenderem o ensino público e gratuito só para si. Os professores não foram por via diferente: numa assembleia de 94 docentes, 80 votaram pela greve e a impuseram aos outros cerca de 4.900 professores da USP, que não delegaram à minoria ínfima o direito de decidir por eles. Comportamentos de direita na nova classe média estão marcados por outra característica própria do despistamento e do caráter dessa categoria social: a usurpação da ideologia da esquerda para sustentar práticas de direita."
Leia a íntegra do artigo aqui.

Quanto ao 'batido' tema do amor e da solidão "Aliás" traz uma entrevista com o terapeuta Flávio Gikovate cujo título já diz a que veio: "É preciso ser feliz sozinho".
Para aqueles que ainda não encontraram a sua 'alma gêmea' (sim ainda dá tempo!) basta você:

- "(...) ir além da generosidade. É a atitude do "justo", cuja característica é dar e receber de maneira equilibrada. Ocupar-se de seus interesses sem se descuidar do outro. Ser compreensivo, sem passar a mão na cabeça de quem erra. Uma sutileza descrita na máxima de Nelson Rodrigues: "Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe".
Leia a íntegra da entrevista aqui.

7 comentários:

Henrique Hemidio disse...

E oq vc acha de td isso?

viralata disse...

Eu concordo parágrafo por parágrafo da matéria completa do Sr. José de Souza Martins e quanto ao Gikovate digo que: "tudo o que é sólido desmancha no ar" e que prefiro o conflito das relações próximas!
Abs

Henrique Hemidio disse...

Interessante... eu pensava que vc era da classe média

Penetralia disse...

Oi, Caetano e Henrique. Acho que o professor fez uma sociologia das classes de ocasião. Será que a bandeira dos estudantes é só essa que ele apontou? Agora enfrentar a polícia e fazer greve virou atitude "de direita"? Esse artigo precisava ser melhor explicado...

viralata disse...

Henrique, ainda concordo e sou classe média sim, uma coisa não invalida a outra!
Lúcio, o artigo é mega explicado! Aliás hj na "Folha" Fernando de Barros e Silva vai na mesma linha de pensamento (QUE EU TB CONCORDO LINHA POR LINHA!), dá uma lida:

"USP, polícia e demagogia"

SÃO PAULO - "Não se deve caluniar abstratamente a polícia". É conhecida a resposta do filósofo Theodor Adorno à reprovação que lhe fazia, dos EUA, Herbert Marcuse pelo fato de ter recorrido à força policial para barrar estudantes que tinham invadido o Instituto de Pesquisa Social, em Frankfurt, no início de 1969. A polícia, escreve Adorno numa das célebres cartas ao amigo, "tratou os estudantes de maneira incomparavelmente mais tolerante do que estes a mim".
A USP não é a Escola de Frankfurt, 2009 não é 1969 e Suely Vilela não é... bem, a reitora já disse ser adepta dos livros de autoajuda. Alguém dirá, além disso, que há razões nada abstratas para criticar a ação da polícia no campus, o despreparo para lidar com situações deste tipo entre elas.
Sim, ninguém pode de boa-fé desejar a universidade ocupada. Sim, a reitora é uma figura lamentável, e sua gestão, ruinosa. Mas quando os "progressistas" da USP vão ter coragem intelectual para criticar também o comportamento autoritário de uma minoria de funcionários grevistas que intimidam colegas e querem impor ao conjunto da universidade o que há de pior e mais privado no espírito corporativo?
Quando dirão que luta social e vandalização de patrimônio público não são nem devem ser sinônimos? Quando chamarão pelo nome o "fascismo de esquerda" de grupelhos pautados por estupidez teórica e desprezo sistemático pelos direitos dos outros?
Coube ao professor Dalmo Dallari, um veterano das causas democráticas, a intervenção mais lúcida, honesta e destemida a respeito do imbróglio uspiano. Em entrevista à Folha, na sexta, ele diz coisas como: a polícia que cumpre uma ordem judicial para proteger o bem público não é a polícia da ditadura; a pauta dos grevistas é desconexa e seus métodos são intoleráveis; a reitora é fraca, mas sua destituição agora desmoralizaria a instituição.
Eis, para os que não querem ficar presos a clichês mal digeridos da cultura meia-oito, um bom ponto de partida para o debate.

Penetralia disse...

Obrigado! Entendo o ponto do Fernando. Eu vi o Dallari falando no JN. Afinal, por que a reitora não fala na mídia?

Abraços do Lúcio Jr.

viralata disse...

Pois é, medo, pressão, incompetência... quando se assume um papel destes é preciso 'comprar o pacote completo' e põe aí todas essas desagradáveis 'surpresas democráticas' para administrar!
Abraços querido!