30 de jun de 2009

PINA BAUSCH (1940-2009)

O mundo não perdeu apenas uma coreógrafa moderna com a morte de Pina Baush, perdeu uma ARTISTA que era uma 'filósofa' do corpo, ou mais: uma poeta, visionária, esteta, radical e muitos outros adjetivos que só engrandecem o seu trabalho.
Não é à toa que Pina é uma ARTISTA super-imitada por atores, diretores, coreógrafos, cineastas, pintores e todo e qualquer artista que "pensa" a ARTE.

Os espetáculos que não pude assistir pessoalmente vi em video e sempre ficava boquiaberto! Suas criações sempre carregavam aquela 'simplicidade complexa' e não era incomum ouvir de outros artistas frases do tipo: "por que não pensei nisto antes?"
Pois é, como não pensavamos antes dela então era mais fácil imitá-la para descobrir nossa própria identidade.

Como por exemplo: um campo de cravos, uma fila de bailarinos correndo para um microfone num pedestal e ao invés de falar algo se expressavam na linguagem dos surdos-mudos, uma mulher vestida de bexigas de gás, água, fogo, terra e ar, cadeiras, bailarinos 'que falam', cenas de guerra, antropologia teatral captada de vários Países por onde passou, etc, etc, etc,...

Saí coberto de lama de uma apresentação sua anos atrás no Municipal de S.Paulo, anos depois assisti a um ensaio de "Para as Crianças de Ontem, Hoje e Amanhã" no Teatro Alfa/SP e ela não parava de fumar na platéia, sentada atrás de uma mesinha compenetradíssima. Juro que quase não olhava para o palco, ficava encarando aquela figura frágil e pálida reagindo aos passos e gestos dos seus bailarinos.

Para quem nunca teve oportunidade de assistir ao vivo a "Pina Bausch Tanztheater Wuppertal" o mesmo Teatro Alfa traz agora em setembro, dentro de sua série de assinaturas, dois importantes espetáculos dos anos 70 que ajudou a imprimir a 'marca' Bausch no mundo: "A Sagração da Primavera" música de Igor Stravinsky e de 1975 e "Café Müller" de 1978.
Não percam por nada deste mundo!
...

P.S.: Que desgraçado mês de junho interminável este!

2 comentários:

Sandra disse...

Caeiro foi o único dos heterônimos de Fernando Pessoa que teve "direito" à morte. Saramago escreveu: O Ano da Morte de Ricardo Reis, para dar também a esse heterônimo esse direito.
Uma vida completa inclui a morte.

viralata disse...

ótima lembrança amor!
mas que dói, dói!
Beijão