2 de jun de 2009

Sem lenço, sem documento (ou: fiquei com o 'sistema nervoso')

Finalmente cheguei em São Paulo, frio, ar seco (um pouco mais do que o recomendado depois de viver dois meses com quase 90% de umidade relativa do ar!), amigos, família e o cheiro do meu lar.
Claro que não podia deixar de realizar o mais típico programa de paulistano: café da manhã na padaria (média e pão com manteiga na chapa) lendo os jornais do dia, só não contava que ... ROUBARIAM a minha bolsa com os meus documentos e a chave de casa!!!!!!!

Fiquei pasmo, daquele jeito que a gente fica quando se vê completamente sem ação. Aliás, sem ação, sem dinheiro e sem as malditas chaves de casa. Bem, estava conversando ao telefone com uma amiga e havia deixado a minha bolsa, destas pequenas a tiracolo, no encosto da cadeira e não senti o mais 'remoto incômodo' ao ser roubado. Ninguém viu, ninguém sabe e eu ali de quatro entre as mesas acreditando na inacreditável possibilidade da maldita bolsa ter pulado sozinha para algum lugar, afinal era uma ‘autêntica e esportiva’ Nike!

Prejuízo assimilado (sorte não ter trazido meu Ipod, daí sim ficaria transtornado!) corri ligando para os bancos, cartões, mãe e amigos.
Segui para a delegacia mais próxima para fazer o tal B.O., lá fui recepcionado por uma mulher assustadoramente estranha... muito estranha, parecia um personagem de David Lynch, e não estou exagerando, sorte ela ter ido almoçar antes da minha vez, o que me deu um certo alívio.
Fui atendido por um simpático senhor negro, respondia as perguntas de praxe quando chegou na fatídica pergunta que me faz suar: “qual a sua profissão?”, sempre entro numa crise existencial quando tenho de responder ou preencher alguma ficha com essa pergunta. Quando respondo Artista a outra pessoa sempre faz uma pausa para que eu complete a informação, como se eu não ‘trabalhasse só com isso’, se minto entro em contradição logo em seguida, desta vez resolvi ser mais específico e tasquei um “Diretor Cênico”.

Sim, teve a pausa que me arrepia seguida de um olhar que não entendi direito: “o Senhor se formou em Artes Cênicas”, me perguntou o homem. Como eu me enrolei pra responder tentando de uma forma prolixa explicar como eu me profissionalizei, ele continuava falando, olhando para a tela do computador (sem sistema por 20 minutos!), dizia que sua filha havia se formado em Artes Cênicas em Campinas. Alívio, disse o nome de dois professores da Unicamp e o homem simpatizou comigo, talvez percebeu que eu não era um trambiqueiro mentiroso. E num passe de mágica o ‘sistema‘ voltou, terminei o ‘procedimento‘ e ainda permiti que ele tirasse uma foto no seu celular: “vai que o senhor fica famoso!”
...

O resto do dia foi também de burocracias, mas graças a uma coisa chamada “Poupatempo”, um local onde se pode tirar TODOS os documentos certidões e autorizações jamais imaginadas por Kafka, em “O Processo”, num lugar só.
Pena que ‘caiu o sistema‘ do prédio todo depois de mais de 1 hora de espera e eu tive de me contentar em sair de lá com vários protocolos de atendimento provisório.

A saga continua amanhã!

5 comentários:

Emílio Viana disse...

Senhor negro?
pq não apenas senhor?

Sandra disse...

Momento lúdico (numa situação que é um porre):
"vai que o senhor fica famoso!"

viralata disse...

Ok, SENHOR então, e não foi aí nenhuma forma de preconceito, ok?!
Sandra, o mudo tá ficando muito estranho... bj

Deni disse...

amor, vamos fazer um sitcom com o episodio da delegacia!
vem me visitar. fiquei quatro dias no hospital. estou de molho em casa. bjs bjs bjs

viralata disse...

oh my god! tá dodói?
melhoras amor!
Bj