18/07/2009

"Sobre a Brevidade da Vida": os ensinamentos de Sêneca

"Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu talvez te espantes, a vida é um aprender a morrer"/Sêneca

De Madrid - Quando eu era adolescente minha literatura de 'auto-ajuda' era os filósofos e pensadores da Antiguidade, tenho meu volume de "Sobre a Brevidade da Vida", de Sêneca já bem gasto e repleto de grifos e anotações de uma adaptação para teatro que fiz quando dava aula de interpretação para adolescentes em 'Casas de Cultura' municipais. Indicava este e outros filósofos para que eles descobrissem que o que foi escrito séculos atrás também poderíamos aplicar no nosso cotidiano. Coisas como:
- "O homem vive preocupado em viver muito e não em viver bem, quando na realidade não depende dele o viver muito, mas sim o viver bem".

Sêneca discordava em linhas gerais de que "a vida é breve", pois acreditava que o homem 'ocupado', aquele que só pensa no trabalho, é que 'abreviava' a vida. O verdadeiro 'elixir' estava na dedicação sábia em cultivar o ócio (coisa que o escritor italiano Domenico de Masi dois mil anos depois transformou no best seller "Ócio Criativo").
Às vezes (re)avaliamos nossas vidas depois que somos abalados por catástrofes ou tragédias em algum lugar do mundo, seja a queda de um avião ou a destruição de uma cidade por uma enchente ou furacão. Em situações assim nos damos conta de que não somos e nem representamos absolutamente nada no Universo e que se trabalhamos para acumular riqueza e propriedades de nada nos servirá com um destino assim trágico.

Minha natureza me põe sempre em transformação constante, quando me sinto muito seguro na minha vida me sinto também de uma certa forma 'acomodado'. Coisa que já narrei por aqui em diversas situações pessoais e profissionais.
Neste exato momento, pela primeira vez na minha vida, aproveitei uma reunião de trabalho na Espanha e me estendi por mais 10 dias simplesmente para repensar minha vida (como já disse, vendi meu apartamento e começo a construir uma nova casa), carreira (na Europa e no Brasil com a Cia. de Ópera Seca) e simplesmente não fazer nada, conhecer novas pessoas, ir a museus, etc...
Daí soube da morte de um grande amigo, Franco Bueno, tão jovem aos 29 anos! Mesmo sabendo da gravidade do seu estado, notícias assim me parecem um tanto irreais e torno eu, mais uma vez, a reavaliar a minha vida!

Amanhã a noite volto para o Brasil num longo voo, e como nunca sei o que pode acontecer, fico muito feliz por ter conhecido pessoas como Franco Bueno.
Para Sêneca só somos livre quando aceitamos nosso destino e encaramos a morte como uma coisa natural, não sei se é o momento mas por enquanto para mim a morte tem me parecido um pouco injusta.
Acho que ainda tenho muito a aprender!

Franco e Eu testando fotos pelo 'photo booth' do meu Mac
...

Se Joga:
"Sobre a Brevidade da Vida"/Sêneca: L&PM Editores/R$ 8,00

5 comentários:

Deni disse...

querido, o problema é a gente aceitar a morte de pessoas tão jovens, que teriam uma vida inteira pela frente. já perdi outras pessoas muito queridas nessas condições. e ainda não consigo entender o por quê e se um dia haverá um por quê lá em cima pra gente dizer: aaah! receba aí meu carinho e meu abraço bem apertado. bjs

Sandra disse...

Nossa... Que texto lindo...
E... meus sentimentos...

viralata disse...

Meninas obrigado, embora injusto, a morte cessou a dor que Franco vivia nos últimos dias!
Beijos

Glorinha disse...

Caetano...
esteja bem...
as vezes penso que a vida é um presente que abrimos, as vezes muito rápido, outras lentamente...
e de todas as coisas e formas...ela enfim é soberana e perfeita como tinha que ser...
quem nos deixa somos nós...a vida continua...aqui no coração ou quem sabe na Luz...no luar, nas estrelas...no firmamento infinito dos céus que nossas lembranças nem sonham como chegar...
[[[]]]te abraço de forma carinhosa, te pego no colo se pra vc for um alento, sei que muitos precisam de sua luz...

viralata disse...

Glorinha, muitíssimo obrigado amor! Seguimos vivendo!