27 de ago de 2009

"Be Brave"

Recebi da minha amiga carioca Danusa Moojen esta linda propaganda da multinacional de medicamentos Pfizer, fundada em Nova York no século 19 por imigrantes alemães e presente no Brasil desde os anos 50. Foi a Pfizer que tirou Fleming do anonimato ao produzir em grande escala a penicilina e o resto é história.

Além de fugir das propagandas frias de laboratórios farmacêuticos e medicamentos a agência que criou este filme (infelizmente não tenho o crédito) se alinha aos jovens dialogando com 'street art' e grafitti e deixa uma mensagem que interessa para todas as idades, não importa a doença: "sometimes it takes more than medication".

Também acho! 'Enjoy':

video

P.S: Este post foi escrito antes desta notícia: "Pfizer vai pagar U$ 2,3 bi por fraude na venda de remédios".
Um amigo me disse que 'pegava mal' eu fazer 'propaganda' para a empresa depois deste anúncio. Como por aqui só escrevo o que quero e não sou remunerado por ninguém, mantenho o post pois acho que este filme ultrapassa esta questão, sem contar que ainda acho brilhante e humano o tom da propaganda.

26 de ago de 2009

"Se você pretende saber quem eu sou eu posso lhe dizer..."*

Começo a entender o fascínio que o automóvel e a velocidade exercem sobre os homens. Por absoluta necessidade tive de começar a dirigir faz bem pouco tempo (apaguei da memória a habilitação tirada aos 18 anos, e usufruída apenas por 3 meses, e me entreguei pacientemente às aulas práticas de direção aos 40 anos), tempo suficiente para entender que comecei a fazer parte de outra categoria de ser humano, com uma nova ética e códigos próprios. Estou aprendendo rapidamente também uma nova linguagem de gestos e 'sinais motores' (piscadas de luzes, buzinas curtas, longas, semi-breves,...) que me põe numa categoria camarada de comunicação imediata com meus novos pares.

Gente como o 'über' arquiteto Paulo Mendes da Rocha por exemplo não consegue imaginar estupidez maior quando uma pessoa prefere ficar dentro de uma carcaça de ferro do que utilizar os transportes públicos (ok, esta é uma longa discussão e não me esqueci que temos um PÉSSIMO transporte público), eu por necessidade, sempre preferi. Minha experiência como 'boy' na adolescência me diplomou como um pedestre de primeira, conheço o centro da cidade e suas periferias muitíssimo bem, aliás esta minha nova condição de motorista me faz guiar na cidade como se eu ainda fosse pedestre. Nem preciso dizer que na imensa maioria das vezes eu fico dando voltas e voltas de frente para ruas sem saída, contra-mão e certos desvios que ainda não estou acostumado.

O que tenho visto do comportamento de motoristas, principalmente em estradas afastadas e rodovias é estarrecedor e dá medo. Dia sim, dia não vejo acidentes terríveis e estúpidos por pura falta de civilidade. Uma das contradições do 'aprendizado desta nova linguagem' que descobri é que se há uma placa em que a velocidade permitida é 40 km você deve andar a 60 e assim por diante, li mais de uma vez sobre pessoas que morrem simplesmente porque desaceleraram diante de uma lombada na periferia da cidade.

Ainda não me sinto seguro o bastante para desafiar certas leis do trânsito, como por exemplo enfiar o pé no acelerador para testar todo o rendimento do meu motor 1.8, mas acho que sei a sensação que teve James Dean com o seu fatídico Porshe Spyder. É muito fácil perder os limites com um motor silencioso e ótimas caixas de som pelas curvas de uma paisagem deslumbrante como a da Mata Atlântica (meu deus como São Paulo é complexamente linda!), para não cair em tentação programei o meu computador de bordo para sempre apitar quando eu chego a 120 km/h e também preferi perder uma conexão USB do meu IPod para poder instalar Air-Bags para motorista e passageiro.

Melhor assim, não quero que os meus amigos pensem que:
- " eu não gosto nem mesmo de mim. E que na minha idade só a velocidade anda junto a mim..."*
...

* "As curvas da Estrada de Santos"/Roberto Carlos e Erasmo Carlos
...

Esta é uma foto do Foto Repórter Estadão Fabio Damiani Fuso de um capotamento na Rodovia Fernão Dias (sentido SP, km 81), rodovia que agora faz parte da minha rota semanal Atibaia-São Paulo.

24 de ago de 2009

Você é uma "Pessoa Politicamente Exposta"?

Clique para ampliar, leia melhor e me responda: você é uma PPE?

Na semana passada tirei um dia para resolver pequenos assuntos burocráticos em cartórios, bancos e outros estabelecimentos que todos nós fugimos mas não há como escapar. Uma das pendências era abrir uma conta corrente na Caixa Econômica Federal, pois bem, enquanto esperava uns 20 minutos minha solícita gerente me resgatar da maldita porta giratória (estava com meu precioso MacBook e obviamente me recusei a deixá-lo nos armários arrombados do lado de fora da agência!) presenciava uma verdadeira 'batalha' de uma jovem que parecia ter 'kriptonita' na bolsa tamanha a insistência dos apitos de bloqueio. Talvez com pena da pobre mulher o guarda liberou a passagem discretamente apertando o botão do controle escondido no bolso da sua calça. Pois não é que depois de passar pela porta a jovem mulher sorri e saca um pequeno guarda-chuva escondido sabe-se lá em qual compartimento de sua bolsa e num sorriso vitorioso (já dentro da agência) diz: "- Achei, era isso!"
Fiquei pasmo, ela poderia ter tirado uma arma, mas parece que situações como esta não assustam mais ninguém.
...

Minha gerente me deu uma senha nova para internet (o site da Caixa é horrível, inseguro e sempre com algumas funções "em manutenção") e alguns papéis para assinar, dentre eles uma "Declaração - Pessoa Politicamente Exposta".
'What a hell..?!' Me espantei, e soube que é um termo em que você declara se desempenhou algum "cargo, emprego ou função pública relevante", ou ainda se tenho parentes ou secretário particular vinculado a algum cargo no governo. E ao assinar NÃO em todas as opções sou alertado de que digo a verdade e tenho de me comprometer "a comunicar a CAIXA, de imediato, eventuais alterações nas informações acima prestadas".

SÓ PARA LEMBRAR

A Circular BACEN 3.339 de 22/12/2006 é, segundo a minha gerente, exigência imprescindível para todas as contas a serem abertas após esta data, cujo motivo é dar maior 'transparência' e evitar fraudes e lavagem de dinheiro.
No dia 16 de março do mesmo ano da Circular o ex-ministro Antônio Palocci ordenava o então presidente da CAIXA, Jorge Mattoso, a violar o sigilo bancário do (hoje arrependido) caseiro Francenildo Costa, num quiprocó que expunha também o ex-ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos e outros menos 'graúdos' que foram eclipsados pela divulgação da participação de Palocci no caso.
Antônio Palocci é hoje um discreto deputado federal pelo PT e 3 anos depois aguarda por estes dias o julgamento deste único processo em que ainda não foi absolvido. Eu não tenho nenhuma dúvida de que será absolvido por esse 'deslize', afinal ele é um autêntico petista e como todos os outros companheiros 'imune as leis dos homens'.

Penso que o pobre e infeliz Francenildo seja a única "pessoa politicamente exposta" que eu conheço... pensando bem têm as secretárias Lina Vieira, Fernanda Karina Somaggio (aquela do Marcos Valério, lembram-se?),... nossa estou me lembrando de mais gente, melhor parar por aqui antes que "a porta giratória comece a apitar"!

20 de ago de 2009

Futebol, livros e rock'n roll

Soube que um dos meus ídolos do rock acabou de assumir a vice presidência de um time de futebol. Robert Plant (ao lado, vocês sabem de quem eu estou falando não?) agora é 'cartola' do Wolverhampton, que subiu da segunda divisão para a "Premier League". Nem mesmo 'a água na Guiness,' da derrota por 2 x 0 para o West Ham foi capaz de desanimar 'os lobos' que compareceram em peso para prestigiar o astro.
Será uma briga dificílima, já estou com o meu guia dos campeonato europeus que me acompanhará na minha viagem para a França no final do ano e com uma relação de jogos para assistir, espero que eu possa dar 'um pulinho' na Inglaterra para prestigiar 'os lobos' mas quero deixar claro que na terra da rainha eu seu 'red' desde criancinha (exceto naquele mundial contra o São Paulo óbvio!) e torço para os brasileiros Fábio Aurélio, Lucas e Diego se darem muito bem no Liverpool.

Até mesmo quem não acompanha futebol sabe o significado da palavra 'hooligans' para a torcida inglesa. Pois foi exatamente por causa deste fanatismo que a UEFA baniu o Liverpool por 6 anos (e TODOS os outros clubes ingleses por 5) de participar das competições européias em meados dos anos 80. O motivo foi uma final entre os não menos fanáticos torcedores da Juventus x Liverpool, ao perder por 1 x 0 os torcedores 'reds' começaram um quebra-quebra no estádio, encurralaram parte da torcida adversária que se refugiou atrás de um muro. Pois o muro caiu, matou 39 torcedores e deste então um sistema mais rígido de controle de torcidas foi instituído em toda a europa, que se não eliminou o problema pelo menos criou-se leis severas para punição. E por lá, meus amigos, estas leis funcionam; enquanto isto no Brasil...

Já assisti a uma partida dos 'reds' na Inglaterra 'pós-massacre', achei tudo muito inflamado mas felizmente sem sinal de violência, ao contrário de partidas que vejo do meu tricolor no Morumbi em que tenho de esperar mais de 1 hora para sair do estádio sempre com brigas e confusões não importa o adversário.
...

Falando em ingleses e futebol estou terminando de ler "Frenesi Polissilábico" de Nick Hornby, torcedor alucinado do Arsenal. Gosto de Hornby, já comentei por aqui sua 'derrapada' com "Slam" mas ainda assim curto seu estilo, "Alta Fidelidade" e "Febre de Bola" (totalmente sobre futebol!) são ótimos, populares e muitíssimo bem escritos.
"Frenesi..." é um livro sobre livros, de quando Hornby escrevia para uma revista de literatura ("The Believer") sobre os livros que leu, comprou para ler ou não leu. Daí vem as famosas 'listas' que são tão caras ao autor (quem leu "Alta Fidelidade" ou "O Grande Garoto" já viu muitas por lá) divididas e catalogadas por mês, como só um bibliotecário sabe fazer. Na abertura de cada capítulo (mês) vem descrito em colunas: 'Títulos Comprados' e 'Títulos Lidos', daí segue a lista de livros e o texto com observações sobre as obras e uma ou outra 'espinafrada' no melhor estilo inglês, como neste trecho:

- "O último refúgio do crítico picareta é qualquer versão da seguinte sentença: "Em última análise, esse livro é sobre a própria ficção/esse filme é sobre o próprio filme." Eu mesmo já usei essa frase, na época em que escrevia críticas sobre vários livros, e posso dizer que é tudo balela: invariavelmente o negócio significa apenas que o filme ou o romance chamou a atenção para o seu próprio estado ficcional, o que não nos leva a lugar nenhum, e é o motivo pelo qual o crítico nunca nos diz exatamente o que o romance tem a dizer sobre a própria ficção. (Da próxima vez que você se deparar com a frase, o que é provável de acontecer nos próximos sete dias caso você leia muitas resenhas, escreva para o crítico e peça que ele esclareça o que quer dizer.)"
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Se joga:
"Frenesi Polissilábico", Nick Hornby/Editora Rocco R$ 33,00
Também acompanho os Blogs sobre literatura:
"Tudo Sobre Livros" e o ótimo "Razbliuto" do Daniel Lopes

12 de ago de 2009

Eu também não sou ladrão!

Podem falar o que quiserem do Antônio Fagundes mas uma coisa é certa: ele é e sempre foi um sério homem de teatro.
Assisti a muitos espetáculos da sua "C.E.R" (Cia. Estável de Repertório) em meados dos anos 80, eram super produções assinadas pela nata do teatro nacional: Flávio Rangel, Antônio Abujanra, Ulysses Cruz (com o lindo "Fragmentos de um Discurso Amoroso" que vi muitas vezes) e até mesmo Gerald Thomas ("Carmen com Filtro").
Pois foram mais ou menos uns 10 anos de uma empreitada produtiva e com excelentes temporadas pelo Brasil, coisa que poucos artistas são capazes de realizar com tamanha seriedade.

A C.E.R. (e vários outros grupos importantes, como o Boi Voador onde comecei) poderia estar na ativa até hoje se não fossem os desmandos burocráticos e a falta de uma política cultural de vários governos. Fagundes hoje monta o que quer e quando quer sem preocupações trabalhistas ou muito menos ter que precisar passar por reuniões em departamentos de marketing para obter patrocínios. Ele mesmo banca!

Por que? Está cansado de ser chamado de ladrão! Nesta entrevista para a "TV Estadão" ele também diz porque dispensou a Lei Rouanet e deixa no ar uma pergunta que já cansei de me fazer:
- "(...) Será que lá na Lei Rouanet têm alguém que já tenha feito teatro na vida?"

Eu sei a resposta Fagundes e é um redondo: claro que não!
Se para ocupar o Ministério das Minas e Energia (considerado de muito mais 'prestígio') não precisa entendar NADA da área imagina os 'kafkianos' burocratas do Ministério da Cultura?
Pensando bem, tivemos um ministro 'do meio' que, para mim, foi uma decepção vergonhosa. Este assunto me irrita deveras, só digo uma coisa antes: o meu sonho num futuro breve é também produzir os meus próprios espetáculos e NÃO PRECISAR DEPENDER DE LEI DE (DES)INCENTIVO NENHUMA!

Bem, fiquem com a entrevista:

9 de ago de 2009

Figura da Hora/"Revista da Folha"



09/08/2009

( figura da hora )

ATOR, DIRETOR E ILUMINADOR, CAETANO VILELA ASSUME A DIREÇÃO DE NOVO ESPETÁCULO DA CIA. DA ÓPERA SECA, DE GERALD THOMAS

Caetano Vilela em ação no teatro São Pedro, onde dirigiu um espetáculo em junho passado

na contramão

por Leticia de Castro / foto Jefferson Coppola

Ele é um sujeito inquieto e um tanto ambivalente. Ganhou dois prêmios como iluminador de teatro. Em sua casa, as lâmpadas pendiam do teto por um fio até há bem pouco tempo.

Caetano Vilela, 40, dirigiu mais de 50 óperas. Nas horas livres, só ouve rock. Considera-se um ser urbano, morou mais de 20 anos no centro de São Paulo. Agora, está construindo uma casa na serra da Cantareira, para onde vai se mudar em busca de tranquilidade.

"Não confio em pessoas muito decididas e lineares. O artista é um ser contraditório por natureza", diz o ator, diretor e iluminador de teatro, que desponta como um dos grandes nomes da ópera no país.

Acaba de assumir a direção da Companhia da Ópera Seca, criada por Gerald Thomas em 1986. A primeira empreitada começa na próxima semana com os ensaios de "Travesties", adaptação do texto do dramaturgo britânico Tom Stoppard.

Será seu primeiro grande trabalho como diretor de teatro e também a primeira vez que outra pessoa assume a companhia. "Já era mais que hora de diversificar", afirma Gerald. "E ele é o mais indicado pra colocar ideias novas ali."

O polêmico diretor é só elogios a Caetano. "Ele é simplesmente genial", derrama-se. "Passamos grande parte do tempo das nossas vidas confidenciando fraquezas, verdades, seguranças e inseguranças, ideias etc."

"Travesties" mostra um encontro fictício entre três personalidades do século 20: o escritor James Joyce (1882-1941), o líder comunista Vladimir Lênin (1870-1924) e o poeta dadaísta Tristan Tzara (1896-1963). No texto, o trio -que na vida real chegou a morar na mesma cidade, mas nunca se conheceu- se reúne durante a Primeira Guerra Mundial. Discute a função política do artista e o papel da arte em regimes totalitários.

"Tudo o que faço tem uma conotação política", diz Caetano. "Não sou de levantar bandeiras, mas o artista tem que refletir o seu tempo."

Em dezembro, ele faz sua estreia em uma produção europeia. Assina a iluminação do musical "A Noviça Rebelde", que ficará em cartaz no teatro do Chatelet, em Paris, com direção do renomado Emilio Saggi, diretor que ele conheceu em Manaus.


Santíssima Trindade
A possibilidade de transitar entre ópera, teatro, direção, atuação e iluminação é resultado de mais de 20 anos de uma carreira iniciada no grupo Boi Voador.

Passou ainda pelo que chama de "Santíssima Trindade" do teatro paulistano. Trabalhou com José Celso Martinez Corrêa, do grupo Oficina, na montagem de "Ham-let". Depois, foi a vez de Antunes Filho. "A primeira coisa que ele me falou foi que eu tinha que esquecer o teatro que fazia. Porque eu não sabia andar, não sabia falar, não sabia nada."

Para pagar as contas, foi garçom de um restaurante e gerente de casa noturna. Ficava da meia noite até 7h no clube. Às 10h, tinha que estar no teatro. "Era o máximo! Mas depois de dois anos e meio não conseguia mais."

Exausto, Caetano deu um tempo no teatro e abriu uma produtora de eventos com uma amiga. Foi quando conheceu Gerald Thomas, fechando a "Trindade". Nessa época, o iluminador da companhia estava se desligando do grupo e abriu espaço para Caetano, que ficou três anos na função. "Criava luz, era ator, diretor adjunto. Fazia de tudo."

O artista passou a se dedicar às óperas após um convite do diretor Iacov Hillel. Nos últimos 11 anos, iluminou mais de 50 espetáculos e fez a direção cênica de alguns deles.

Mesmo em montagens eruditas, ele não perde a oportunidade de misturar o universo pop. Em "La Cenerentola", de Rossini, em 2007, Caetano homenageou Michael Jackson, colocando o coro para dançar a coreografia de "Thriller".

No ano passado, montou "Ça Ira", ópera de Roger Waters, líder do Pink Floyd, e conseguiu levar o músico a Manaus para acompanhar os ensaios e a apresentação. "Foi a experiência mais incrível da minha carreira."

Roqueiro de formação e de coração, Caetano teve o primeiro contato com a música erudita por acaso, em uma loja de discos na praça da Sé. Tinha 15 anos e trabalhava como office-boy. "Entrei na loja e estava tocando 'Lakmé' [ópera de Léo Delibes]. Fiquei encantado", lembra.

O disco era caro. O vendedor falou de uma rádio especializada em ópera, que virou ponto obrigatório no dial do então adolescente.

Além do centro
Filho de comerciantes do Brás, Caetano é o único artista da família. Quando percebeu que não iria assumir os negócios, tomou rumo próprio. Saiu de casa aos 22 anos para dividir um apartamento na avenida São Luís com quatro colegas do teatro.

"O centro sempre foi o meu QG. Todos os teatros e salas de ensaio estão lá", diz. Agora, se prepara para abrir mão do caos criativo da cidade. Vendeu seu apartamento na rua Nestor Pestana e comprou um terreno na Cantareira. "Ninguém está acreditando que vou sair", conta. "Se eu sentir falta, volto. Não dependo mais do centro para criar."

Apesar do desejo de isolamento, Caetano não se desconecta. Há quatro anos criou um blog (www.caetanovilela.blogspot.com). Também está no Twitter, no Facebook, no Myspace e no Orkut. Gosta de repetir uma frase do Marcelo Tas: "A internet dá coerência". Em meio ao caos cibernético, ele se entende.

"A primeira coisa que o Antunes Filho me falou foi que eu tinha que esquecer o teatro que fazia"


2 de ago de 2009

E a história se repete, em ouro e descaso

Cielo mostrando o "V" da vitória, quem chora agora é você! Mais, aqui

Em agosto/setembro do ano passado escrevi aqui 3 posts sobre o ouro de César Cielo nas Olimpíadas, minha opinião reiterava com a de vários colunistas que davam a vitória única e exclusivamente ao lindo e emotivo atleta paulista:

Em 16/08/08: "Ouro del Cielo"

- "(...) Cielo será agora um exemplo (ainda que fugaz) como o foi Guga para o tênis após conquistar Roland Garros, pena que o Brasil trate tão mal atletas de ponta como eles! Já estou até vendo os discursos costumeiros de autoridades esportivas (se é que temos alguma confiável) e 'papagaios-de-pirata' de plantão prometendo mundos e fundos para a natação no país, tudo 'tiro n'água'.
Para continuar na linha de frente dos melhores do mundo César Cielo continuará competindo e estudando em universidades estrangeiras e faz muito bem, aliás acho errado dizer que ele "deu o primeiro ouro ao Brasil" neste nosso ufanismo egoísta, essa medalha é única e exclusivamente dele e de sua equipe americana, mérito próprio que jamais tirará o brilho deste lindo paulista emocionado."


Em 28/08/2008: "Você também pensa assim?"

Comentei a crônica na "Folha de S.Paulo" de Contardo Calligaris que dizia:
- "A performance dos atletas é um exercício de clareza e de controle de si. Certo, para a maioria, o caminho até lá é uma gincana de sacrifícios, conflitos familiares, dramas íntimos e buscas de patrocínio."

Em 02/09/2008: "Conta outra agora"
Cielo declarava:
- "Continuo com a mesma conta bancária de antes. Desde que me tornei profissional, em março, paguei tudo: alimentação, hospedagem e até o meu técnico [o australiano Brett Hawke]."

No caderno de Esporte do "Estadão" de hoje o narrador da Sport TV Milton Leite novamente toca no tema crucial que marca este governo e batiza seu artigo com um título objetivo e direto, "A falta de uma política esportiva":
- "(...) Claro que acontecerá uma visita ao presidente - com seu ministro do Esporte sorridente ao lado. Tapinhas nas costas, milhares deles, de cartolas e oportunistas de plantão. Mas a família Cielo sabe bem o trabalho que deu transformar César em campeão olímpico em Pequim e agora campeão e recordista mundial em Roma. (...) A política do governo é determinar que companhias estatais (...) gastem verbas cada vez maiores para bancar seleções de diversas modalidades, sempre no alto da pirâmide (...) o esporte brasileiro deveria começar na escola ... não só porque contribuiria para a formação de uma população mais saudável e educada, mas também para garimpar os talentos esportivos (...)"
...

E daí vai no mesmo modelo a "Bolsa Cultura", mas isso já é uma outra história, embora tenha o mesmo final que eu já conheço.