12 de ago de 2009

Eu também não sou ladrão!

Podem falar o que quiserem do Antônio Fagundes mas uma coisa é certa: ele é e sempre foi um sério homem de teatro.
Assisti a muitos espetáculos da sua "C.E.R" (Cia. Estável de Repertório) em meados dos anos 80, eram super produções assinadas pela nata do teatro nacional: Flávio Rangel, Antônio Abujanra, Ulysses Cruz (com o lindo "Fragmentos de um Discurso Amoroso" que vi muitas vezes) e até mesmo Gerald Thomas ("Carmen com Filtro").
Pois foram mais ou menos uns 10 anos de uma empreitada produtiva e com excelentes temporadas pelo Brasil, coisa que poucos artistas são capazes de realizar com tamanha seriedade.

A C.E.R. (e vários outros grupos importantes, como o Boi Voador onde comecei) poderia estar na ativa até hoje se não fossem os desmandos burocráticos e a falta de uma política cultural de vários governos. Fagundes hoje monta o que quer e quando quer sem preocupações trabalhistas ou muito menos ter que precisar passar por reuniões em departamentos de marketing para obter patrocínios. Ele mesmo banca!

Por que? Está cansado de ser chamado de ladrão! Nesta entrevista para a "TV Estadão" ele também diz porque dispensou a Lei Rouanet e deixa no ar uma pergunta que já cansei de me fazer:
- "(...) Será que lá na Lei Rouanet têm alguém que já tenha feito teatro na vida?"

Eu sei a resposta Fagundes e é um redondo: claro que não!
Se para ocupar o Ministério das Minas e Energia (considerado de muito mais 'prestígio') não precisa entendar NADA da área imagina os 'kafkianos' burocratas do Ministério da Cultura?
Pensando bem, tivemos um ministro 'do meio' que, para mim, foi uma decepção vergonhosa. Este assunto me irrita deveras, só digo uma coisa antes: o meu sonho num futuro breve é também produzir os meus próprios espetáculos e NÃO PRECISAR DEPENDER DE LEI DE (DES)INCENTIVO NENHUMA!

Bem, fiquem com a entrevista:

4 comentários:

Clarisse disse...

Caetano! Nao pude ver a entrevista no trabalho, que o computador nao está equipado para isso, mas assino embaixo de tudo que você escreveu. Me faz lembrar aquela vez, acredito que foi para o FAO, em que os burocratas da dita Lei, na gestao do nosso ministro do meio, queriam indeferir o projeto por falta da carta de autorizaçao assinada pelo Mozart para a execuçao de suas obras. Frente ao argumento de que o senhor Mozart havia falecido há mais de dois séculos - santa ignorância! -, exigiram entao seu atestdo de óbito. E tudo isso em cartas oficiais e em 408 vias, evidentemente. Será que alguém ali já ouviu música, ou leu qualquer coisa além de bula de tinta para cabelo? (Queria dizer gibi, mas acho que mesmo neles podemos encontrar personagens tao ilustres).
Ai, como nos faz falta um bolso cheio de dinheiro e independência!

viralata disse...

Lembro beeeem desta história e tenho dezenas do mesmo 'naipe' ahsuhauhsa!!!!
Amor, nem preciso te contar o desânimo que dá. Please, fique por aí que eu já tô indo, kkk
Beijo

Sandra disse...

Clarisse, perdoe-me por rir ao invés de chorar.

viralata disse...

Sandra, tenho um ARSENAL de estupidez deste nível (quiçá até piores!), é IMPOSSÍVEL produzir qualquer coisa deste nível no Brasil.
Beijo