26 de ago de 2009

"Se você pretende saber quem eu sou eu posso lhe dizer..."*

Começo a entender o fascínio que o automóvel e a velocidade exercem sobre os homens. Por absoluta necessidade tive de começar a dirigir faz bem pouco tempo (apaguei da memória a habilitação tirada aos 18 anos, e usufruída apenas por 3 meses, e me entreguei pacientemente às aulas práticas de direção aos 40 anos), tempo suficiente para entender que comecei a fazer parte de outra categoria de ser humano, com uma nova ética e códigos próprios. Estou aprendendo rapidamente também uma nova linguagem de gestos e 'sinais motores' (piscadas de luzes, buzinas curtas, longas, semi-breves,...) que me põe numa categoria camarada de comunicação imediata com meus novos pares.

Gente como o 'über' arquiteto Paulo Mendes da Rocha por exemplo não consegue imaginar estupidez maior quando uma pessoa prefere ficar dentro de uma carcaça de ferro do que utilizar os transportes públicos (ok, esta é uma longa discussão e não me esqueci que temos um PÉSSIMO transporte público), eu por necessidade, sempre preferi. Minha experiência como 'boy' na adolescência me diplomou como um pedestre de primeira, conheço o centro da cidade e suas periferias muitíssimo bem, aliás esta minha nova condição de motorista me faz guiar na cidade como se eu ainda fosse pedestre. Nem preciso dizer que na imensa maioria das vezes eu fico dando voltas e voltas de frente para ruas sem saída, contra-mão e certos desvios que ainda não estou acostumado.

O que tenho visto do comportamento de motoristas, principalmente em estradas afastadas e rodovias é estarrecedor e dá medo. Dia sim, dia não vejo acidentes terríveis e estúpidos por pura falta de civilidade. Uma das contradições do 'aprendizado desta nova linguagem' que descobri é que se há uma placa em que a velocidade permitida é 40 km você deve andar a 60 e assim por diante, li mais de uma vez sobre pessoas que morrem simplesmente porque desaceleraram diante de uma lombada na periferia da cidade.

Ainda não me sinto seguro o bastante para desafiar certas leis do trânsito, como por exemplo enfiar o pé no acelerador para testar todo o rendimento do meu motor 1.8, mas acho que sei a sensação que teve James Dean com o seu fatídico Porshe Spyder. É muito fácil perder os limites com um motor silencioso e ótimas caixas de som pelas curvas de uma paisagem deslumbrante como a da Mata Atlântica (meu deus como São Paulo é complexamente linda!), para não cair em tentação programei o meu computador de bordo para sempre apitar quando eu chego a 120 km/h e também preferi perder uma conexão USB do meu IPod para poder instalar Air-Bags para motorista e passageiro.

Melhor assim, não quero que os meus amigos pensem que:
- " eu não gosto nem mesmo de mim. E que na minha idade só a velocidade anda junto a mim..."*
...

* "As curvas da Estrada de Santos"/Roberto Carlos e Erasmo Carlos
...

Esta é uma foto do Foto Repórter Estadão Fabio Damiani Fuso de um capotamento na Rodovia Fernão Dias (sentido SP, km 81), rodovia que agora faz parte da minha rota semanal Atibaia-São Paulo.

9 comentários:

Elen@ disse...

Muito interessante!Nunca tinha pensado desse ponto de vista! Eu sou uma motorista fanática que por mais de 15 anos rodou São Paulo de carro e só faz pouquíssimo tempo estou usando o transporte publico e lindos tenis para me locomover na megalopoli. Ao contrario de vc quando ando a pé dou voltas imensas porque a minha "ratio" é de motorista então a visão que tenho das ruas é completamente diferente: sei que tenho que ir a direita ou esquerda porque o meu navegador interno diz, mas ainda não consegui fazer o change de percepção.
Tem pouquíssimos lugares em SP donde eu não pousei as minhas 4 rodas e donde eu não saiba o melhor lugar para estacionar, sempre trancada em um carro com temperatura agradável e musica de minha escolha, porem admito que uma boa caminhada nos deixa chegar mais perto do verdadeiro coração dessa maravilhosa cidade (que não é A "cidade maravilhosa", mais é muito melhor).

viralata disse...

Pois é baby, SP é surpreendente mesmo, sinto inveja do transporte público de outras megalópolis estrangeiras e muita raiva com o descaso de muitos serviços públicos mas ainda assim eu amo esta cidade. Pena que os nossos prefeito e governador só andem de ônibus ou metrô quando inauguram algum trecho, seria fantástico uma voltinha descompromissada pela cidade, só assim para entender realmente muitos problemas.
Bj

Sandra disse...

E a Fernão Dias, particularmente à noite, é perigosíssima. Muito cuidado, porque carro dá para substituir, mas você não.

viralata disse...

Nossa sandra bot perigosa nisso, nunca vi tanto vândalo no volante!
Beijo e sempre fico muito atento!

flavia disse...

Vilela, o banco traseiro do seu carro é confortável?

Elen@ disse...

Esqueci de escrever uma coisa... como motorista sempre me queixei das ruas esburacadas e nunca tinha prestado atenção nas calçadas... pois agora que sou 50% motorizada e 50% pedestre reparei que as calçadas são ainda piores que as ruas... isso e vergonhosooooooo!!!

viralata disse...

Flávia o traseiro é mega confortável, kkkk
Elen@ você está certíssima, acho que andar pelas calçadas é mais perigoso ainda pois você nem tem 'reflexo' rápido para desviar.
Bjos

fabiodamiani disse...

Nossa! Essa foto eu que tirei!!!

Caetano Vilela disse...

@fabio que loucura!!! ODEIO essa Fernão Dias ;-) abraço