13 de out de 2009

"(...) que você construa uma escada até as estrelas e suba todos os seus degraus..."

Sai com o meu sobrinho de 6 anos para que ele escolhesse os presentes que queria e devo confessar que não resisti em frente da estante infantil da livraria, comprei para mim (e li para ele) "Forever Young" de Bob Dylan com ilustrações de Paul Rogers, lançado pela Martins Fontes. Dylan escreveu esta letra, clássico dos anos 70, rapidamente pensando num dos seus filhos e nada mais natural que tenha virado, ainda que tardiamente, um lindo livro para ler com os pimpolhos na cama.
O livro vem com a letra da música (bilíngüe!) dividida em várias páginas com as ilustrações enormes e de bom gosto.

Rogers ainda 'decifra' as ilustrações (as crianças não precisam saber desta parte), que são passagens da vida de Dylan, identificando também vários ícones de diversos movimentos culturais, como: Woody Guthrie, William Burroughs, Allen Ginsberg, Kerouac e outros do mesmo quilate.
Então, que tal prepararmos um 'jovem revolucionário' para o mundo!

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Aqui embaixo a letra e ouça também aqui várias versões de "Forever Young" no lindo site oficial de Bob Dylan

Forever Young

May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

Copyright ©1973 Ram's Horn Music

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Dentre dezenas de videos no Youtube, existe este 'duo' de Dylan com o seu súdito (e meu ídolo também) Bruce Springsteen


Se Joga:

"Forever Young" de Bob Dylan, Ilustrações Paul Rogers. Editora Martin Fontes

Eu sou o Iluminador na Cidade Luz!

Agora é oficial, já está tudo certo (passagens, contrato, visto de trabalho e divulgação francesa) para a minha 'saison française'!
Como já havia comentado por aqui assinarei a iluminação de uma produção nova do musical "A Noviça Rebelde/The Sound of Music/La Mélodie du Bonheur" no Théâtre du Châtelet, em Paris, esta semana findou toda a parte burocrática de meses de negociações e até já enviei um pré-mapa de luz. Chego a tempo de assistir aos ensaios, dirigido por Emilio Sagi, e uma semana depois começo a montagem.

Levo o meu assistente Roberto Borges, que trabalhou comigo neste ano na assistência de "Les Troyens" em Manaus. Ficarei hospedado num studio chamado "Cœur des lions" (como um autêntico leonino achei um bom presságio) a poucas quadras da "Place de la Bastille" e na bagagem, todo o meu talento!
Abaixo, o cartaz da produção assinado pela 'über' dupla hypada Pierre&Gillet (alguma dúvida de que vou conhecê-los?) e a ficha técnica do espetáculo já com os devidos créditos de 'lumières' do espetáculo. Pois é, como já havia falado, nesta produção 'je suis le éclairagiste'

12 de out de 2009

Uma nota uma chance, qual é a música (ou: MJ x MJ)


Poucos dias depois do enterro do Rei Michael Jackson um dos seus súditos, o maestro Marcelo de Jesus prestou uma baita homenagem bem ao seu estilo erudito sofisticado, juntou num mesmo programa Mozart e Jacko.
Numa manhã de domingo, lotou o Teatro Amazonas com jovens da Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica e solistas locais para interpretar a abertura da ópera "A Flauta Mágica" e o "Concerto para piano Nº24 K.491/Allegro (com Cadenza escrita e defendida ao piano pelo próprio Marcelo de Jesus).



O que também motivou Marcelo na execução deste Concerto foi:
- "Resolvi fazer essa homenagem ao MJ pelo fato de ser um concerto com uma Orquestra Jovem, e que precisam de estímulos, mesmo os não convencionais."
Pra quem já fez 'crossover' entre Björk, Radiohead, Djs e Orquestra ou mesmo num divertidíssimo "Barbeiro de Sevilha" (dirigido por mim sob a sua regência), que mesmo fidelíssimo a Rossini ainda teve um trecho 'mixado' com Richard Wagner, esses rompantes 'não convencionais' na verdade são muitíssimo bem vindos pelo público tornando tanto a ópera quanto a música clássica menos sisuda para os 'ouvintes de primeira viagem'.

Antes que alguns se apressem em achar nisso um certo 'populismo' antigo e que muitos já cansaram de fazer a mesma coisa (veja aqui, por exemplo a Cadenza que o violinista Appal faz também com Mozart) sem renovar seu público eu digo por experiência própria que o público em Manaus tem se renovado cada vez mais com jovens que passaram a gostar de música erudita acompanhando também programas 'mais difíceis' até para platéias treinadas ao sul do País. Renovação, diga-se, sempre lembrada pela imprensa européia (Alemanha e Espanha, para dar exemplos recentes) e em épocas de Festival de Ópera pela nacional também!

Entra aqui e tente descobrir qual a música que 'está contida' em Mozart e notem a discreta reação da platéia quando eles se dão conta de que estão ouvindo alguma coisa bem familiar, 'enjoy'.

2 de out de 2009

Façam as suas apostas, a BRAVO já fez

A revista "Bravo" deste mês de outubro faz um perfil sobre a minha carreira e minha nova empreitada em assumir a direção da Cia. de Ópera Seca junto com o seu fundador Gerald Thomas. A seção da revista é Primeira Fila em "Nossa Aposta".
Leia abaixo a matéria na versão online.
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Caetano Vilela - Nossa Aposta
Depois de virar referência entre os iluminadores do país, o ator paulistano se torna codiretor da Cia. de Ópera Seca, o grupo de Gerald Thomas

Por Gabriela Mellão/Foto João Wainer

Caetano Vilela ao lado da foto de Gerald Thomas. O iluminador tem 15 tatuagens; uma delas traz o lema da cidade de São Paulo: "Não sou conduzido, conduzo"

Ele se sente como quem pinta um quadro ou escreve um conto. No entanto, não usa pincéis nem softwares de texto. Prefere recorrer à luz. O paulistano Caetano Vilela é hoje um dos mais talentosos iluminadores do país. Especializado em montagens líricas, já assinou 53 produções do gênero. Construiu sua reputação sobretudo depois que virou o responsável por iluminar as encenações do prestigioso Festival Amazonas de Ópera, em Manaus.

Desde que assumiu a função, há 11 anos, deixou praticamente de lado as peças teatrais - universo em que se formou não só como iluminador, mas também como ator (participou das trupes de Ulysses Cruz, Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa e Gerald Thomas). No primeiro semestre de 2010, porém, deverá fazer um retorno ousado às origens. Capitaneando a Cia. de Ópera Seca, fundada por Gerald, vai dirigir e iluminar Travesties, comédia de viés político escrita pelo britânico Tom Stoppard. Será a primeira vez que o encenador carioca entregará seu grupo a outro profissional. "Caetano sugeriu dividir comigo o comando da Ópera Seca", conta Gerald, que diz atravessar uma fase de profunda crise existencial. "A sugestão chegou em boa hora. Ele dispõe de grande inteligência e criatividade. Não sei explicar como alguém se torna um gênio. Sei apenas que Caetano é genial."

De início, no festival amazonense, o artista limitava-se a conceber a iluminação dos espetáculos. Foi somente depois de 2001 que passou também a atuar como diretor. Nessa dupla condição, destacou-se com Ça Ira, ópera do inglês Roger Waters, ex-líder da banda Pink Floyd. "Quando me debruço sobre uma montagem", afirma Vilela, "não penso propriamente em iluminar os atores ou os cantores. A primeira coisa que busco descobrir é onde se desenrola a ação - em que atmosfera o elenco estará mergulhado. A partir daí, tento elaborar uma narrativa com a luz. Desejo que a plateia compreenda o espetáculo por meio da iluminação. Talvez seja essa a chave do meu trabalho: aquilo que chamo de 'dramaturgia da luz', algo difícil de traduzir em palavras. Ao contrário de um cenógrafo, que lida muito com o concreto, o iluminador lida principalmente com o abstrato. Acredito que, por isso, eu tenha uma memória e um raciocínio bastante visuais." Tal raciocínio costuma acompanhá-lo até mesmo fora do palco. Certa vez, ficou 45 minutos de pé em um restaurante com mesas vagas à espera de um espaço numa área mais bem iluminada.

Filho de comerciantes, Vilela começou a vida como office boy e, até os 17 anos (atualmente está com 41), nunca escutara ópera. Perambulando pelos sebos da praça da Sé, em São Paulo, ouviu um trecho de Lakmé, do francês Léo Delibes (1836-1891), e se enfeitiçou. Logo perguntou a um vendedor que música era aquela. O clique para a profissão, porém, veio mais tarde, em 1990, quando viu Suor Angelica, do italiano Giacomo Puccini (1858-1924), dirigida por Bia Lessa e protagonizada pela soprano Céline Imbert. "O cenário e a luz não realistas me impressionaram. Pensei: 'Meu Deus, pode-se fazer isso com um espetáculo lírico?!'."

Decidiu, então, rejeitar definitivamente o sonho dos pais, que o queriam à frente dos negócios familiares, e adotou como lema pessoal o da cidade de São Paulo: Non ducor, duco, frase em latim que significa "Não sou conduzido, conduzo". Levou a divisa tão a sério que acabou por estampá-la nas costas. É uma das 15 tatuagens que possui e que lhe conferem um ar de roqueiro. Ele, aliás, se confessa fã das guitarras. "Nas horas livres, o que escuto mesmo é rock'n'roll."