2 de out de 2009

Façam as suas apostas, a BRAVO já fez

A revista "Bravo" deste mês de outubro faz um perfil sobre a minha carreira e minha nova empreitada em assumir a direção da Cia. de Ópera Seca junto com o seu fundador Gerald Thomas. A seção da revista é Primeira Fila em "Nossa Aposta".
Leia abaixo a matéria na versão online.
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Caetano Vilela - Nossa Aposta
Depois de virar referência entre os iluminadores do país, o ator paulistano se torna codiretor da Cia. de Ópera Seca, o grupo de Gerald Thomas

Por Gabriela Mellão/Foto João Wainer

Caetano Vilela ao lado da foto de Gerald Thomas. O iluminador tem 15 tatuagens; uma delas traz o lema da cidade de São Paulo: "Não sou conduzido, conduzo"

Ele se sente como quem pinta um quadro ou escreve um conto. No entanto, não usa pincéis nem softwares de texto. Prefere recorrer à luz. O paulistano Caetano Vilela é hoje um dos mais talentosos iluminadores do país. Especializado em montagens líricas, já assinou 53 produções do gênero. Construiu sua reputação sobretudo depois que virou o responsável por iluminar as encenações do prestigioso Festival Amazonas de Ópera, em Manaus.

Desde que assumiu a função, há 11 anos, deixou praticamente de lado as peças teatrais - universo em que se formou não só como iluminador, mas também como ator (participou das trupes de Ulysses Cruz, Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa e Gerald Thomas). No primeiro semestre de 2010, porém, deverá fazer um retorno ousado às origens. Capitaneando a Cia. de Ópera Seca, fundada por Gerald, vai dirigir e iluminar Travesties, comédia de viés político escrita pelo britânico Tom Stoppard. Será a primeira vez que o encenador carioca entregará seu grupo a outro profissional. "Caetano sugeriu dividir comigo o comando da Ópera Seca", conta Gerald, que diz atravessar uma fase de profunda crise existencial. "A sugestão chegou em boa hora. Ele dispõe de grande inteligência e criatividade. Não sei explicar como alguém se torna um gênio. Sei apenas que Caetano é genial."

De início, no festival amazonense, o artista limitava-se a conceber a iluminação dos espetáculos. Foi somente depois de 2001 que passou também a atuar como diretor. Nessa dupla condição, destacou-se com Ça Ira, ópera do inglês Roger Waters, ex-líder da banda Pink Floyd. "Quando me debruço sobre uma montagem", afirma Vilela, "não penso propriamente em iluminar os atores ou os cantores. A primeira coisa que busco descobrir é onde se desenrola a ação - em que atmosfera o elenco estará mergulhado. A partir daí, tento elaborar uma narrativa com a luz. Desejo que a plateia compreenda o espetáculo por meio da iluminação. Talvez seja essa a chave do meu trabalho: aquilo que chamo de 'dramaturgia da luz', algo difícil de traduzir em palavras. Ao contrário de um cenógrafo, que lida muito com o concreto, o iluminador lida principalmente com o abstrato. Acredito que, por isso, eu tenha uma memória e um raciocínio bastante visuais." Tal raciocínio costuma acompanhá-lo até mesmo fora do palco. Certa vez, ficou 45 minutos de pé em um restaurante com mesas vagas à espera de um espaço numa área mais bem iluminada.

Filho de comerciantes, Vilela começou a vida como office boy e, até os 17 anos (atualmente está com 41), nunca escutara ópera. Perambulando pelos sebos da praça da Sé, em São Paulo, ouviu um trecho de Lakmé, do francês Léo Delibes (1836-1891), e se enfeitiçou. Logo perguntou a um vendedor que música era aquela. O clique para a profissão, porém, veio mais tarde, em 1990, quando viu Suor Angelica, do italiano Giacomo Puccini (1858-1924), dirigida por Bia Lessa e protagonizada pela soprano Céline Imbert. "O cenário e a luz não realistas me impressionaram. Pensei: 'Meu Deus, pode-se fazer isso com um espetáculo lírico?!'."

Decidiu, então, rejeitar definitivamente o sonho dos pais, que o queriam à frente dos negócios familiares, e adotou como lema pessoal o da cidade de São Paulo: Non ducor, duco, frase em latim que significa "Não sou conduzido, conduzo". Levou a divisa tão a sério que acabou por estampá-la nas costas. É uma das 15 tatuagens que possui e que lhe conferem um ar de roqueiro. Ele, aliás, se confessa fã das guitarras. "Nas horas livres, o que escuto mesmo é rock'n'roll."

11 comentários:

Sandra disse...

"Não sou conduzido, conduzo"
Isso, na tatuagem de um artista, que trabalha com luz, ainda por cima, ficou LINDO!!!!!!!!
Nossa... o calendário está...(sem palavras)

viralata disse...

Obrigado pelo carinho Sandra,
Beijo

Davi Araújo disse...

Eu conduzo eh uma coisa tão dominador, que as pernas tremem, hahaha.
Vou te acompanhar querido, quero te ver brilhar muito
bjão

viralata disse...

haushuahs!!! valeu Davi!
Bjão

Sandra disse...

A família AMOU o graffiti.

piumarzolla disse...

Au Au Au...ja fiz minha aposta...quero grudar em vc nesta empreitada...de filhao pra pap´s.rs...

piumarzolla disse...

Piu=Wagner, marzolla=Antônio

viralata disse...

Valeu filhão! bj

Glorinha disse...

Caetano,
fiquei sem palavras...engraçado isso, eu que gosto tantos delas...
veja só que maravilha ver você assim tão iluminado de Luz própria...
vai ver foi por isso que perdi as palavras...ficaram lá no meio de sua Luz...
olha acho mesmo que sua vida e sua profissão estarão sempre envoltas naquilo que você faz e de melhor....
[[[]]]abraços quietinhos e quentinhos...rs....

Penetralia disse...

Caetano: tá apostado, todas as fichas em vc!

Tomara que a profecia do Gerald se realize e, ano que vem toda a imprensa vire um anúncio de TRAVESTIES!

Aquele rapaz que comentava aqui, o Henrique Emídio, tá me dando dor de cabeça. Anunciaram que ele morreu, fiz post no blog, poema, etc. Agora anônimos denunciaram que era uma farsa! É cada uma!

Abraços do Lúcio Jr!

viralata disse...

Glorinha, obrigado sempre pelo carinho.
Lúcio, sério que temos um 'morto-vivo'? Cruzes!
abs