17 de dez de 2009

A Diva pirotécnica, o Divo descamisado e o Théâtre des Champs-Élysées

De Paris - Com a volta antecipada para o Brasil do meu assistente e 'guia' Roberto Borges, coube a Ivan Cavalcanti a ingrata tarefa de me ciceronear pela cidade luz. Ivan já vive por estas bandas há mais de 25 anos, é pianista de formação e trabalhou nos mais importantes teatros (Opera de Paris, quer mais?) como 'stage manager' e hoje representa diversos artistas pela Europa e Japão, além de praticamente ser o único brasileiro que fala sueco fluentemente que eu conheço.

Pois bem, foi a convite de Ivan que eu fui assistir a um Concerto de música barroca e Árias Virtuosas (tiradas de Semiramide, Griselda, Tito Manlio, etc...) com a nova diva soprano Vivica Genaux no chiquérrimo Théâtre des Champs-Élysées (1913). Teatro fundado na mesma época do nosso Municipal de S.Paulo (1911) só que com uma arquitetura mais moderna e menos pesada.
Claro, enquanto toda a América do Sul voltavam os olhos para Paris e copiava sua arquitetura como o Municipal de São Paulo que é cópia pobre da Opera francesa, assim como os teatros Colón - com foyer inspirado nos salões de Versailles -, Teatro Amazonas - que tem como desenho interno na cúpula uma visão da Torre Eiffel vista de baixo! - e o Municipal carioca, cópia rica. O Champs Élysées buscava o despojamento e aboliu, por exemplo, os afrescos da cúpula da sala principal guiando os olhos do público para a boca de cena com aproximadamente 16 metros de altura emoldurados por colunas pintadas a ouro, um luxo!

Eu, que tenho verdadeiros ataques de risos com sopranos coloraturas virtuoses me rendi a Vivica Genaux, que embora tenha nome de vedete da Atlântida, é de um carisma ímpar e defende tão bem seu repertório que me senti assistindo uma ginasta olímpica, tamanha a dificuldade das notas, adornos, contornos e transtornos vocais. Sem contar que como Gal Costa, dos bons tempos, Vivica canta tudo sorrindo ou rindo mesmo, o que lhe dá um charme maior.
Capa da Magazine Opéra deste mês, a revista traz seis páginas com fotos, entrevista e agenda da diva, que não se contenta com pouco:
- "J'adore les pyrotechnies vocales mais je ne saurais m'en contenter!"
...

Na verdade comprei a revista (o Concerto foi depois) por causa de uma entrevista com o 'nosso' Capitão Von Trapp, o barítono americano Rod Gilfry, simplesmente genial. Linda voz, ótimo ator e sexy até não poder mais!
Não é à toa que em 1993, aos 37 anos e no auge da sua forma física ele foi "O" "Billy Budd", ópera de Britten (gay e isso NÃO é um detalhe) adaptada do lindo livro de Herman Melville (sim, mesmo autor de "Moby Dick") sobre um deslumbrante e inocente marujo que deixa os marinheiros abolutamente 'loucos', se é que você me entende!
Quando se pensou em transformar em ópera o clássico de Tennessee Williams em 1995, "A Streetcar Named Desire" (conhecida entre nós brasileiros com o título mais fraco e menos abrangente "Um Bonde Chamado Desejo") adivinha para quem o maestro Andre Previn escreveu o papel do bruto imortalizado por Marlon Brando, Stanley Kowalski? Sim, ele mesmo.

Pra não ficar a impressão que ele é um 'barítono descamisado' saído das novelas de Carlos Lombardi, Rod 'é' S.Francisco de Assis na moderna montagem da difícil, e longuíssima, ópera de Messiaen numa produção dirigida por Pierre Audi para a Nederlandse Opera, em Amsterdã. Estou assistindo o dvd há 5 dias e não consigo acabar nunca, impossível assistí-lo numa tacada só! Será ele também quem assumirá o papel do meu, do seu do nosso Paulo Szot nas viagens de "South Pacific" pelos EUA.

O que digo é o seguinte, o cara é ótimo e mega profissional (com cara de poucos amigos, nunca me cumprimentou no teatro nos ensaios ou depois da estréia, muito menos quando topou comigo no Théâtre des Champs-Élysées, na mesma noite em que se apresentou Vivica Genoux, que falei acima), faz bem a linha americano da California e já deve ter passado por poucas e boas no 'mundinho lírico', soube de algumas histórias. Em "The Sound of Music" ele também está super feliz pois trabalha com a sua filha em cena, Carin Gilfry que interpreta com um talento absurdo a doce Liesl Von Trapp.

2 comentários:

Barbara disse...

J'adore! bisous

viralata disse...

Mérci chéri, bisous! ;-*