23 de mar de 2010

Resumo da Ópera... Seca

CV by Lenise Pinheiro, do seu excelente Blog Cacilda

Ainda é cedo para uma avaliação mais pessoal da minha estréia na direção em "Travesties" de Tom Stoppard, com a Cia. de Ópera Seca. Fomos muito bem recebidos pelo Festival de Curitiba que nos convidou para a estréia nacional e tivemos uma ótima repercussão, espero que isto mude o panorama da nossa estréia, seja Rio de Janeiro ou São Paulo, já que estamos até agora sem teatro e patrocínio.
Abaixo, trechos em destaque de críticas, matérias de pré-estréia, fotos e videos. Clique no link para poder ler na íntegra. EVOÉ!!!

Cia. Ópera Seca promove encenação provocativa em Travesties: "(...) primeiro trabalho do grupo sem a direção de Gerald Thomas, tem muitos méritos, que ultrapassam o fato de a companhia não haver optado por formato popular para início de nova etapa de sua trajetória. Com direção e iluminação de Caetano Vilela, o espetáculo tem luz primorosa, que forma quadros sofisticados em dois ambientes: a casa de Henry Carr e a biblioteca pública da cidade. (...) Travesties leva à plateia discussão densa com ironia, confrontando ação e contradição. Ao mesmo tempo em que impõe limites aos dogmas, questionando verdades supostamente consolidadas..."

Janaina Cunha Melo - EM Cultura 2010



Crise do Drama: "(...) O cenário de "Travesties" é outro exemplo, chegou ao teatro Guaíra em dois caminhões. Um amontoado de jornais e livros, além de mesas e cadeiras, que William Pereira usou para compor um tipo de fundo grandioso, mais comum em óperas, com estética acentuada pela iluminação do diretor Caetano Vilela. Impactante, o que era fundo veio à frente do espetáculo. Especialmente na chuva de livros do primeiro ato."

Gustavo Fioratti - Folha de S.Paulo


Teatro Brasileiro foge da tradição: "(...) Outra vertente de colaborativo é aquela em que um texto dramático é reprocessado na encenação, como mostram os impactantes "Memória da Cana" de Newton Moreno, (...) ou "Travesties", de Caetano Vilela, relendo a peça de Tom Stoppard na chave da Ópera Seca."

Luiz Fernando Ramos - Folha de S.Paulo


Ópera Seca decreta sua independência com "Travesties":
"Gerald Thomas disse que não tem planos de voltar ao teatro. Caso não retorne, a perda será inestimável. Afinal, suas contribuições ao desenvolvimento do teatro contemporâneo são inegáveis, a julgar pela revalorização da noção de texto em suas encenações (...) Em todo caso, o afastamento de Thomas não inviabilizou a continuidade da Cia. de Ópera Seca, que apresentou no Festival de Curitiba a encenação de Travesties, de Tom Stoppard, assinada por Caetano Vilela."
Daniel Schenker -Jornal do Brasil/Rio de Janeiro (leia mais aqui)


Travesties, Cia. de Ópera Seca apresenta obra instigante:
"(...) Mais do que qualquer avaliação deste texto, aparentemente anárquico, de Stoppard, é necessário registrar a coragem do diretor Caetano Vilela em encenar peça com tanta referência e humor britânico (...) Quem resistiu, pode usufruir de uma montagem vibrante, repleta de ironia e de beleza visual atordoante".
Macksen Luiz - Jornal do Brasil/Rio de Janeiro (leia mais aqui!)

Texto de Stoppard motivou troca de comando na Cia.:
"(...) Gerald Thomas, fundador do grupo, passou o bastão para um "funcionário de carreira". Caetano Vilela trabalhou na Ópera Seca por três anos, como produtor, iluminador e diretor adjunto. Em 2002, saiu para se dedicar à ópera clássica em Manaus. No ano passado, comprou os direitos do texto de Tom Stoppard e, instigado por Thomas, resolveu montar o espetáculo com a Cia. de Ópera Seca. Pela primeira vez, em 25 anos, a companhia atuou sem a direção de Thomas."
Roberto Moreno - Uol (leia mais aqui!)

Com Stoppard mas sem Thomas:
"(...) Mas não vou mudar meu estilo de direção por causa da companhia", diz Vilela. "Entrei por uma afinidade imensa com o Gerald: estética, a paixão pela ópera, a paixão por Richard Wagner...""
Gazeta do Povo - Curitiba (leia mais aqui!)

Sem Gerald Thomas Cia. de Ópera Seca encena peça de Tom Stoppard:
"(...) a começar pelo título ("travestis", em inglês), "Travesties" até agora não conseguiu patrocínio nem verbas de incentivo fiscal. Segundo Vilela, ninguém da equipe recebeu um tostão até agora: todos estão trabalhando de graça, dos atores ao cenógrafo e figurinistas. A ideia é usar a janela de Curitiba para atrair apoiadores. "É um investimento. Depois de estrear vamos ver os frutos que iremos colher.""
Marco Tomazzoni - Portal IG (leia mais aqui!)

Relação entre Arte e Política é tratada com bom humor em Travesties:
"(...) O tema e a duração talvez possam ser vistos como problemas principalmente para os menos familiarizados com o teatro ou simplesmente não tão assíduos frequentadores das aulas de História. É justamente por esse motivo que merecem ainda mais destaque a iluminação de Caetano Vilela e o trabalho dos atores Germano Melo, Roney Facchini, Rodrigo López, Manoel Candeias, Roberto Borges, Fabiana Gugli, Patrícia Dinely e Anette Naimam que prendem a atenção do público do início ao fim. (...) Ao público só restou aplaudir o primeiro trabalho da Companhia de Ópera Seca sem a direção de Gerald Thomas."
Vitor Geron - Gazeta do Povo/Curitiba (leia mais aqui!)

Montagem beira o teatro do absurdo de Beckett:
"(...) A base da encenação ainda traz referências de óperas, com cenário de William Pereira, já habituado ao gênero como cenógrafo e diretor. Talvez, no entanto, com um pouco mais de liberdade. A referência do texto a uma biblioteca em cena, logo no primeiro ato da peça, foi representada por uma chuva de livros. Seiscentas unidades, no total, caem ao palco para depois continuarem em cena, só que suspensas por fios. O diretor Vilela também tem sua bagagem abastecida no mundo da ópera..."
Gustavo Fioratti - Folha de S.Paulo (leia mais aqui!)

P.S.:
Em breve divulgo algumas fotos do espetáculo feitas no calor da última apresentação.

17 de mar de 2010

A importância de ser... "o cara"

Acabo de chegar em Curitiba. Estréio finalmente "Travesties" de Tom Stoppard com a Cia. de Ópera Seca no Teatro Guairão nos dias 19 e 20 desta semana, se tiver tempo publico um pouco sobre os bastidores da montagem mas antecipo que toda a expectativa com a minha direção a frente da Cia. está começando a me deixar um pouco nervoso.
Nada que me assuste, mas a soma da ausência de Gerald Thomas (pra quem não é 'deste mundo' ele é o fundador da Cia. e eu a dirijo pela primeira vez) com a responsabilidade de dar vida ao texto de Mr. Stoppard e a minha 'volta' ao teatro após 12 anos dedicados a ópera tem ouriçado críticos, jornalistas e amigos.

A sensação é boa e o desafio me deixa ainda mais exigente. Um bom resumo destas expectativas entrou no ar ontem numa reportagem sobre a minha carreira publicada pela revista eletrônica "Stravaganza", editada pelo jornalista e crítico cultural Edgar Olímpio de Souza (com colaboração de Edmilson de Souza):

- "Ele tem tipo de roqueiro, mas sua atividade profissional passa longe de guitarras, baixos e baterias. O seu trabalho não atrai cabeludos trajando jeans desbotados, camisetas estampadas e tênis sujos, mas um tipo de público que sai de casa na estica para ir ao teatro e costuma acomodar-se em poltronas estofadas. Estamos falando de Caetano Vilela, nome em ascensão no segmento lírico brasileiro e já com algum reconhecimento no Exterior. Nos últimos anos ele é responsável pela iluminação de um punhado de óperas produzidas no Brasil e, mais recentemente, tem acumulado ainda a função de diretor desse sofisticado gênero artístico. " Leia mais aqui!

Não publico na íntegra porque quero que vocês conheçam este novo site cultural, não só por minha matéria mas pelas ótimas críticas publicadas sobre peças, filmes e outras entrevistas com 'coleguinhas', como a deslumbrante e talentosa Rachel Ripani, ou mesmo o 'discutível' Paulo Henrique Amorim (incrível como ele tem o dom de fazer com que eu discorde de praticamente tudo o que ele pensa!).
Vale a pena visitar o site: http://www.revistastravaganza.com.br/

12 de mar de 2010

"Travesties": Bastidores da prova de figurino

Depois de insistentes pedidos libero uma pequena mostra dos bastidores de "Travesties", de Tom Stoppard, clicada calorosamente por Andres Costa, o resto só mostrarei com tudo pronto depois da estréia nacional no Festival de Curitiba, ou seja, cenário, luz, fumaça, fumaça, fumaça, fumaça...

'Beethoven Glam', mais conhecido por eu mesmo no comando da Cia.
Germano Melo é Henry Carr
Rodrigo Lopéz é Tristan Tzara
Manoel Candeias é James Joyce
Roberto Borges é Bennett
Fabiana Gugli é Cecily
Patrícia Dinely é Gwendolen
Anette Naiman e Roney Facchini são Nadia e Lênin
E ao meu lado, parte da equipe: Olintho Malaquias e Chris Aizner nos figurinos e Sérgio Zeigler meu dramaturg/assistente de plantão.
Lenise Pinheiro que acompanha a Cia. de Ópera Seca desde a fundação e nos fotografou para a Ilustrada e Andres Costa autor deste bastidores na nossa primeira 'prova de figurino'



Direto da Ilustrada: "Festival de Curitiba faz edição mais abrangente"

Folha Online
11/03/2010 - 08h02

Festival de Teatro Curitiba faz edição mais abrangente

GUSTAVO FIORATTI
da Folha de S.Paulo

Vai ter grupo Galpão, Ópera Seca e Sutil Companhia de Teatro representando os grupos estáveis do país. Listaram também "Oui, Oui... A França É Aqui" e a dupla Cláudio Botelho e Charles Moeller, da turma dos musicais. E o cardápio traz ainda Renata Sorrah com Daniel Dantas em "Macbeth", além de Beth Goulart interpretando Clarice Lispector; então, pode ticar aí o tópico "atores célebres em grandes papéis".

A 19ª Edição do Festival de Teatro de Curitiba --que começa no dia 16 e vai até o dia 28-- parece ter se reaproximado de seu próprio lema: ser uma espécie de "vitrine" do teatro brasileiro --ou, ao menos, do teatro produzido nas regiões Sul e Sudeste do país. Como em outros anos, ainda faltam na programação da Mostra Oficial do evento opções de espetáculos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Para compensar a edição passada, em que nem mesmo Rio ou São Paulo foram bem representados, este ano o festival de Curitiba apresenta uma seleção robusta, que abre o leque para linguagens variadas. "Está bem diversificado. Sinto que os organizadores se empenharam nesta edição para corrigir os erros do ano passado, que reuniu produções comerciais e fez escolhas pouco ousadas", diz o dramaturgo Sérgio Roveri.

Segundo o diretor geral do festival, Leandro Knopfholz, "as restrições" da programação anterior foram reflexo da crise econômica mundial. "Não pudemos trazer todos os espetáculos que realmente gostaríamos porque os produtores não estavam conseguindo cumprir seus calendários; muita montagem acabou sendo adiada por conta da crise", explica.

O festival não paga produção de espetáculos, apenas cachês para montagens alheias. Seu orçamento este ano fechou em R$ 3,2 milhões --contra R$ 2,4 milhões do ano passado.

A Mostra Oficial está trazendo 26 espetáculos nacionais e um internacional. "Dulcinea's Lament", que vem do Canadá, é uma espécie de exercício cênico multimídia, com a musa de Don Quixote, personagem de Miguel de Cervantes, no centro de uma narrativa imagética. Coloca a cereja no bolo de uma outra aposta curatorial que embalou esta edição: espetáculos com cenários impactantes.

Entre eles, a produção carioca "Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César" faz também incursão digital com vídeo. A cenografia de Fernando Mello da Costa trabalha projeções sobre uma espécie de coleção de livros. Quem dirige o espetáculo, sobre obra da poetiza Ana Cristina César, que se matou aos 31 anos, é Paulo José.

Farsas e bufões

Seis espetáculos fazem suas estreias durante o evento, a exemplo de "Música para Ninar Dinossauros", de Mário Bortolotto, e "Travesties", da Companhia de Ópera Seca, que retorna ao festival depois da problemática participação no ano 2000. Naquele ano, Gerald Thomas, diretor da companhia, parou a apresentação do espetáculo "Tragédia Rave" para fazer um discurso contra a (des)organização do evento.

A companhia, de qualquer forma, vai ao evento encabeçada não por Thomas, mas por um de seus parceiros de longa data, o diretor e iluminador Caetano Vilela. A linguagem do grupo permanece na esfera dos beckettianos, tecendo imagens num terreno do absurdo, para repaginar texto do britânico Tom Stoppard.

Para o produtor Roberto Malta, esta edição ainda traz um outro recorte curatorial que considera "surpreendente". "Fizeram escolhas populares, mas sem vulgaridades", diz. "Notei a presença de farsas, que fazem rir, mas também levam o espectador a uma reflexão." O produtor cita como exemplo a "Farsa da Boa Preguiça", de Ariano Suassuna. Também chama atenção para os musicais e revistas, gêneros que ganharam força no Rio.

A curadora Tânia Brandão distingue o teatro carioca como "mais irreverente" e "menos experimental" do que o paulista. Também avalia a mostra como representação de um cenário inflado por políticas culturais. "O teatro brasileiro está mais profissional, ainda que não tenha perdido as boas características do artesanato."

As produções menores, por tradição, ficam no Fringe, que este ano divide sua programação de 358 espetáculos por gêneros, em espaços diferentes. A mostra paralela ganha ainda, pela primeira vez, dois espaços com seleção de curadores.